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ENTREVISTA

Pará deve ampliar produção de óleo de palma em 20%, diz setor

Setor fatura R$ 5 bilhões por ano, mas aponta falta de crédito como principal entrave à expansão e à geração de empregos e renda

Jéssica Nascimento

24 de outubro de 2026 às 16:30

Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma).

Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma). ( Foto: Foto: Ivan Siqueira | Abrapalma )

A produção de óleo de palma no Pará deve crescer pelo menos 20% nos próximos anos, impulsionada pelos plantios realizados recentemente. Segundo Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), a área plantada no estado cresceu, em média, 5% ao ano nos últimos cinco anos. Em entrevista ao Grupo Liberal, ele destacou que o setor tem potencial para ampliar a produção e gerar empregos, especialmente com o aproveitamento de áreas degradadas.

O setor registra faturamento anual de R$ 5 bilhões com a venda de óleo pelas empresas associadas à Abrapalma. Apesar do potencial de expansão, a falta de linhas de crédito adequadas para financiar novos plantios é apontada como um dos principais obstáculos ao crescimento da atividade. Atualmente, a agricultura familiar responde por 20% da produção de frutos destinados à cadeia.

Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma).
Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma). (Foto: Ivan Siqueira | Abrapalma)

De acordo com Almeida, o crescimento da produção deve ocorrer de forma gradual, devido ao tempo necessário para que as plantações de dendê comecem a produzir.

“Os plantios dos últimos três anos só vão entrar em produção nos próximos três anos. A gente tem um crescimento já contratado de pelo menos uns 20%”, afirmou.

O presidente da Abrapalma avalia que o Pará reúne condições favoráveis para ampliar a atividade, principalmente por contar com áreas degradadas que podem ser aproveitadas para novos cultivos. Para isso, no entanto, considera necessário ampliar o acesso ao financiamento tanto para pequenos produtores quanto para empresas que pretendem aumentar suas áreas plantadas.

“Temos muita área degradada disponível. O que falta é um apoio no sentido financeiro e linhas de crédito para a gente conseguir fazer essa expansão”, destacou.

Crédito é entrave à expansão

Entre as alternativas disponíveis para os pequenos agricultores está o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Segundo Almeida, porém, o limite de financiamento de R$ 250 mil por agricultor restringe a capacidade de expansão dos plantios. O valor, conforme o dirigente, permite cultivar aproximadamente dez hectares de dendê.

“Se a gente conseguisse aumentar esse limite, a gente conseguiria acelerar ainda mais esse crescimento”, afirmou. Ele também ressaltou a ausência de linhas específicas para que as empresas ampliem suas áreas de cultivo, o que poderia contribuir para acelerar a expansão da cadeia produtiva no estado.

A ampliação da agricultura familiar é uma das estratégias adotadas por empresas do setor. Conforme Almeida, vários associados da Abrapalma mantêm programas voltados à inclusão de pequenos produtores na atividade. A expectativa é que essa modalidade de cultivo cresça, em média, 10 mil hectares por ano.

Agricultura familiar participa da cadeia

O faturamento anual de R$ 5 bilhões corresponde à receita obtida pelas empresas associadas à Abrapalma com a comercialização do óleo de palma. Segundo Almeida, cerca de 60% desse valor é destinado aos produtores do fruto, matéria-prima utilizada na fabricação do óleo.

Em alguns casos, as próprias empresas cultivam o dendê e processam os frutos, concentrando diferentes etapas da produção. Ainda assim, a participação da agricultura familiar vem ganhando espaço na cadeia produtiva.

“Hoje, 20% já é agricultura familiar”, afirmou o presidente da entidade, que vê na ampliação dos plantios uma oportunidade para fortalecer a atividade econômica no Pará, gerar renda no campo e aumentar a participação do estado no setor.