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TRABALHO INFANTIL

Norte concentra 249 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil

Região tem a maior proporção do país, com 6,3% da população de 5 a 17 anos nessa condição, aponta pesquisa do IBGE divulgada nesta sexta-feira (16)

Jéssica Nascimento

16 de outubro de 2026 às 13:21

Na análise por grupos etários, o trabalho infantil tende a aumentar com o avanço da idade.

Na análise por grupos etários, o trabalho infantil tende a aumentar com o avanço da idade. ( Foto: Foto: Ministério do Trabalho )

A Região Norte concentrou 249 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (16). O percentual de pessoas nessa condição chegou a 6,3% da população dessa faixa etária, o maior entre as regiões brasileiras, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

No Brasil, 1,499 milhão de crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população de 5 a 17 anos. O número representa uma redução de 9,2% em relação ao ano anterior e o menor contingente da série histórica. Entre 2022 e 2025, a proporção caiu 0,9 ponto percentual.

Apesar de apresentar o maior percentual proporcional, a Região Norte ficou em terceiro lugar em números absolutos, atrás do Sudeste, com 481 mil pessoas, e do Nordeste, com 408 mil. O Sul registrou 233 mil casos, enquanto o Centro-Oeste contabilizou 128 mil. O Sudeste teve a menor proporção regional, de 3,3%.

Trabalho infantil aumenta com a idade

A pesquisa mostra que a incidência do trabalho infantil cresce conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, o percentual foi de 1,1% em 2025. Na faixa de 14 e 15 anos, chegou a 5,9%, enquanto entre adolescentes de 16 e 17 anos alcançou 14,5%.

Do total de crianças e adolescentes nessa situação, 58,1% tinham entre 16 e 17 anos, 23,2% estavam na faixa de 14 a 15 anos e 18,7% tinham de 5 a 13 anos.

A jornada de trabalho também aumenta com a idade. Entre as crianças de 5 a 13 anos, 87,1% trabalhavam até 14 horas por semana. Na faixa de 14 e 15 anos, esse percentual era de 43,3%. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, 29,6% trabalhavam 40 horas ou mais por semana.

Meninos são maioria entre os trabalhadores infantis

Em 2025, os meninos representavam 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Entre 2024 e 2025, o número caiu 10% entre os homens, passando de 1,089 milhão para 980 mil. Entre as meninas, a redução foi de 7,5%, de 561 mil para 519 mil.

A pesquisa também identificou diferenças por cor ou raça. O percentual de crianças e adolescentes brancos em situação de trabalho infantil foi de 3,2%, abaixo dos 4,4% registrados entre pretos e pardos.

A frequência escolar também apresentou diferenças. Enquanto 97,5% da população de 5 a 17 anos frequentava a escola, o percentual entre aqueles em situação de trabalho infantil era de 86,9%. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, a diferença era de 10 pontos percentuais: 89,6% dos jovens dessa faixa etária estudavam, contra 79,6% daqueles em situação de trabalho infantil.

Comércio concentra atividades

As atividades não agrícolas concentravam 83,3% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em sua ocupação principal. A maioria atuava como empregada (67,4%), enquanto 19% eram trabalhadores familiares auxiliares e 13,6% trabalhavam por conta própria ou como empregadores.

O comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas respondiam por 29% das atividades. Em seguida, apareciam agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 16,7%; indústria geral, com 12,5%; e alojamento e alimentação, com 12,2%. Os serviços domésticos correspondiam a 6,5%.

Piores formas de trabalho infantil

O levantamento estimou que 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados em atividades classificadas como piores formas de trabalho infantil, conforme a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP). O contingente representava 36,2% das pessoas de 5 a 17 anos que realizavam atividades econômicas, segundo o indicador apresentado pelo IBGE.

O número caiu 6,3% em relação a 2024, quando havia 560 mil pessoas nessa situação. Na comparação com 2022, a redução foi de 31,2%. Entre os casos registrados em 2025, 72,6% eram meninos e 68,3% correspondiam a crianças e adolescentes pretos ou pardos.

Rendimento médio foi de R$ 936

O rendimento médio mensal real das crianças e dos adolescentes em situação de trabalho infantil que realizavam atividades econômicas foi estimado em R$ 936 em 2025. Entre aqueles que trabalhavam, mas não estavam classificados nessa condição, o valor chegou a R$ 1.060.

Entre os trabalhadores infantis que frequentavam a escola, o rendimento médio foi de R$ 844. Para aqueles que não estudavam, a estimativa alcançou R$ 1.326.

Bolsa Família e trabalho doméstico

Nos domicílios beneficiários do Bolsa Família, 4,4% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil, o equivalente a 573 mil pessoas. Na população total dessa faixa etária, o percentual era de 4%.

Em relação a 2024, o trabalho infantil entre moradores de domicílios beneficiários do programa caiu 20,1%, o que corresponde a 144 mil crianças e adolescentes a menos nessa condição.

O levantamento também apontou que 15,9 milhões de pessoas de 5 a 17 anos realizavam afazeres domésticos não remunerados e/ou cuidados de pessoas em 2025, o equivalente a 42,1% da população dessa faixa etária. A proporção foi maior entre meninas, com 47,9%, do que entre meninos, com 36,6%.

Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, 64,6% realizavam essas tarefas. Na faixa de 14 e 15 anos, o percentual foi de 60,7%, enquanto entre crianças de 5 a 13 anos chegou a 32,7%.

Dos que realizavam trabalho doméstico não remunerado ou cuidados de pessoas, 944 mil também exerciam atividades econômicas. Entre as crianças e os adolescentes que trabalhavam em atividades econômicas, 65,1% também realizavam tarefas domésticas ou cuidados, proporção que caía para 41,2% entre aqueles que não exerciam atividades econômicas.