Mulheres ampliam presença em cargos de comando nos tribunais do trabalho
Encontro nacional sediado em Belém debateu avanço da equidade de gênero e posse de nova presidente na oitava região
A busca por equidade de gênero no Brasil tem refletido no Judiciário, com o aumento da representatividade feminina em postos estratégicos da Justiça do Trabalho. A quebra de hegemonias e a consolidação de lideranças formadas por mulheres pautaram as discussões de um encontro nacional de gestores sediado ao longo desta semana em Belém.
No Pará e no Amapá, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) já atua sob gestão feminina e prepara uma nova transição. No dia 18 de agosto, a atual vice-presidente, desembargadora Maria Valquíria Norat Coelho, assume a presidência do órgão. Ela substituirá a atual titular, desembargadora Sulamir Palmeira Monassa de Almeida, que irá se aposentar. A posse ocorrerá no salão nobre da sede do tribunal, na capital paraense.
O avanço na ocupação de espaços de decisão também marca outras regiões do país, rompendo longos períodos de administrações exclusivamente masculinas. Em Goiás, Karla Souza Melo assumiu a Secretaria Geral da Presidência do TRT-18 após dez anos.
“Uma década sem uma representação feminina, quando você assume essa posição você se vê representada, automaticamente, as mulheres se veem representadas. Eu ouço muito isso nos corredores”, declarou a gestora.
Cenário semelhante é registrado em Pernambuco. A secretária-geral da Presidência do TRT-6, Marisa Lopes Cavalcante Lira, é apenas a segunda mulher a ocupar o cargo de gestão após duas décadas. “É muito orgulho, primeiro, pela confiança em assumir um quadro desse na alta administração”, pontuou.
Encontro inédito avalia cumprimento de metas
O debate sobre liderança e representatividade integrou a programação do 2º Curso de Formação Continuada dos Secretários Gerais da Presidência, evento que reuniu representantes de 22 TRTs de todo o país na capital paraense. O objetivo principal da agenda foi alinhar as metas estipuladas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e compartilhar práticas que garantam mais rapidez e eficiência nos processos trabalhistas.
Os secretários-gerais atuam como elo direto entre as decisões estratégicas dos magistrados e a execução técnica nas secretarias.
“Quando traçamos metas e diretrizes nos nossos Regionais, são vocês que pegam esse ideal pelas mãos e o transformam em realidade concreta e garantem que cada boa prática administrativa se traduza, lá na ponta, em mais respeito, rapidez e dignidade para o cidadão”, destacou a futura presidente do TRT-8, Maria Valquíria Norat Coelho.
Para os servidores locais, sediar a troca de vivências ajuda a aprimorar o atendimento final à população. “Somos responsáveis por tirar do papel os projetos da administração e colocá-los em prática. O encontro permite compartilhar boas práticas e fortalecer iniciativas que contribuem para uma Justiça mais célere”, resumiu o secretário-geral do TRT-8, Rodopiano Rocha da Silva Neto.
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