Moraes é sorteado relator de ação que pede registros da própria esposa no Senado
Ministro foi sorteado relator de ação que pede registros de acesso ao Senado, incluindo os da própria esposa, Viviane Barci
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado relator de um mandado de segurança que pede ao Senado Federal a divulgação de registros de entrada e saída de diversas pessoas nas dependências da Casa. Entre os nomes está o da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (21) pela revista Veja.
A ação foi apresentada pelo vereador e empresário de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), após pedidos de acesso às informações feitos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) serem negados pelo Senado. Segundo a justificativa apresentada pela Casa, os registros de acesso às dependências da instituição são considerados dados de caráter pessoal. Kilter, por outro lado, sustenta que as informações têm natureza pública e interesse coletivo.
Processo chegou ao Supremo
Inicialmente, o mandado de segurança foi apresentado à 1ª Vara Federal de Curitiba. A Justiça Federal declarou não ter competência para analisar o caso porque a ação aponta o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), como autoridade responsável pela negativa dos pedidos de informação.
O processo foi então encaminhado ao STF. O mandado de segurança chegou à Corte em 17 de setembro e, no dia seguinte, foi distribuído por sorteio a Alexandre de Moraes.
A relatoria, neste momento, não significa que o ministro tenha autorizado o fornecimento dos registros. Moraes ainda não tomou decisão sobre o pedido. O processo deverá definir se o Senado terá de disponibilizar as informações solicitadas pelo vereador.
Lista inclui outros nomes
Além de Viviane Barci e Daniel Vorcaro, o pedido apresentado por Kilter envolve registros de entrada e saída de outras pessoas no Senado. Entre os nomes estão Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”; e José Ferreira da Silva, o Frei Chico.
Também aparecem na lista Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Américo Monte Junior.
O pedido busca verificar se essas pessoas estiveram nas dependências do Senado e, conforme a ação, obter informações sobre eventuais acessos e reuniões realizadas na Casa. A existência do pedido, contudo, não comprova que qualquer dos nomes tenha efetivamente estado no Senado.
Possível análise sobre impedimento
Como o processo envolve diretamente o nome de sua esposa, Moraes poderá avaliar sua permanência na relatoria. Até o momento, não houve decisão do ministro sobre o caso nem manifestação pública dele indicando se pretende se declarar suspeito.
A distribuição ocorreu por sorteio, conforme o sistema de tramitação do Supremo. O caso foi inicialmente noticiado pelo repórter Daniel Gullino, da Veja, que informou ter tido acesso ao mandado de segurança.
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