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Política

Lula pergunta a Flávio sobre advogar para assassino de criança; Flávio defende advocacia

Estadão Conteúdo

18 de outubro de 2026 às 21:58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou do senador Flávio Bolsonaro (PL) explicações sobre sua atuação em favor de um policial acusado de matar uma criança de cinco anos com um tiro de fuzil.

Trata-se do caso Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morta por disparos de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ), quando brincava na porta de casa com o irmão. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de efetuar os disparos. Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao STJ contra a decisão de levá-lo a júri popular.

No debate Band/Estadão deste domingo, o petista afirmou que o adversário interferiu para evitar a prisão do agente. Flávio respondeu que Lula não pode "criminalizar a advocacia" e o acusou de antecipar uma condenação.

"Nem teve julgamento, você já condenou o cara", afirmou o senador. Lula insistiu no questionamento, enquanto Flávio passou a associar o presidente ao voto de pessoas presas. Sem apresentar a origem do dado durante o trecho, o candidato do PL afirmou que 73% dos presidiários votaram no petista.

"Você quer votar igual àquelas pessoas que estão nos presídios?", perguntou Flávio aos espectadores. Lula respondeu que gostaria de receber o voto de todos e dirigiu um apelo irônico ao ex-presidente Jair Bolsonaro: "Vote em mim, Bolsonaro. Você conhece seu filho".

Pessoas condenadas com sentenças definitivas não votam no Brasil. Apenas presos provisórios e adolescentes internatos estão aptos a votarem.

O embate avançou para a política de armas. Lula acusou Flávio de querer retirar a identificação de munições, o que, segundo o presidente, dificultaria o rastreamento. "Nunca quis tirar nada disso", rebateu o senador, que responsabilizou o governo federal pela entrada de armas ilegais pelas fronteiras.

Lula também questionou o adversário sobre a contratação de familiares de um integrante do chamado "Escritório do Crime". Flávio respondeu com críticas à presença, no entorno do presidente, de pessoas que associou a escândalos de corrupção.

Na sequência, o petista cobrou uma posição sobre o fim da escala de trabalho de seis dias com um de descanso. Flávio não apresentou uma resposta direta no trecho e voltou a defender a mudança de governo. "A gente tem mais sete dias para acabar com a era Lula", afirmou.