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ACUSAÇÃO

Janones: Vorcaro recrutava refugiadas da guerra para encontros privados com homens ricos

A publicação ocorreu após Janones levantar dúvidas sobre a identidade de uma mulher chamada Mariana e sua suposta relação com Flávio

Estadão Conteúdo

24 de outubro de 2026 às 12:33

( Foto: Reprodução/Instagram )

O deputado federal André Janones (Rede-MG) acusou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de financiar uma rede internacional de prostituição. A denúncia envolve o recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas da Ucrânia, para encontros privados.

Janones fez a acusação em suas redes sociais neste sábado, 24. O parlamentar também cobrou investigações sobre possíveis ligações do esquema com pessoas próximas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

A publicação ocorreu após Janones levantar dúvidas sobre a identidade de uma mulher chamada Mariana e sua suposta relação com Flávio. A hashtag #QuemEMarianaFlavio ganhou repercussão nas redes sociais durante o segundo turno das eleições.

Mariana e a vulnerabilidade de refugiadas

Neste sábado, Janones revelou que se referia a Mariana Vishegirskaya. A jovem ucraniana foi fotografada em 2022 em Mariupol, deixando uma maternidade atingida por bombardeio russo enquanto estava grávida. O episódio se tornou uma das imagens mais conhecidas da guerra na Ucrânia.

O parlamentar esclareceu que não há informações que relacionem Mariana aos eventos promovidos por Vorcaro ou a encontros com Flávio Bolsonaro. Segundo Janones, a história da jovem ilustrou a vulnerabilidade de refugiadas que poderiam ser alvo de exploração sexual.

"As denúncias envolvendo Vorcaro e Flávio precisam ser integralmente investigadas", escreveu Janones. Ele acrescentou que "as mensagens reveladas já exigem respostas sobre a possível exploração de mulheres em situação de extrema vulnerabilidade".

Detalhes da investigação e mensagens

A publicação de Janones faz referência a uma investigação jornalística divulgada pelo UOL em 13 de outubro. A apuração se baseou em mensagens, contratos e comprovantes de pagamento.

Estes documentos apontam que Daniel Vorcaro teria financiado uma rede de prostituição de alcance internacional, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões.

Entre os diálogos divulgados estão mensagens de dezembro de 2023 entre Vorcaro e o promotor de eventos Diogo Batista. As conversas tratavam de uma refugiada ucraniana de 19 anos que chegou ao Brasil fugindo da guerra.

"Ela não tem pra onde ir. Estão bombardeando a cidade dela", afirmou Batista em uma das conversas. O intermediário descreveu a jovem como "gata e novinha", sugerindo sua inclusão em uma agência de modelos ligada ao grupo.

"Enquanto uma mãe ucraniana preocupada enviava áudios de bombas caindo, os amigos de Flávio planejavam como aproveitar a permanência de sua filha no Brasil", publicou Janones.

Polícia Federal solicita investigação

Na sexta-feira, 23, foi divulgado que a Polícia Federal solicitou autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido visa investigar suspeitas de tráfico de mulheres para exploração sexual e favorecimento da prostituição em festas organizadas por Vorcaro.

A solicitação da PF ocorre após a divulgação das mensagens e de denúncias apresentadas por entidades de defesa dos direitos das mulheres e de migrantes.

A defesa de Vorcaro nega que o ex-banqueiro tenha explorado ou desrespeitado mulheres. Também contesta a autoria, a autenticidade e o contexto das mensagens divulgadas. Até o momento, não há comprovação de envolvimento de Flávio Bolsonaro no suposto recrutamento de refugiadas.