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Jair Bolsonaro completa um ano preso

Ex-presidente passou por condenação, mudança de regime, internações e segue em prisão domiciliar

O Liberal

5 de agosto de 2026 às 16:17

O ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, mostra para os jornalistas a tornozeleira eletrônica que foi colocada por ordem do STF

O ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, mostra para os jornalistas a tornozeleira eletrônica que foi colocada por ordem do STF ( Foto: Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO )

O ex-presidente Jair Bolsonaro completou, em 4 de agosto de 2026, um ano sob restrição de liberdade. Ao longo desse período, o processo foi marcado por mudanças no regime de cumprimento da pena, condenação criminal, internações por problemas de saúde e decisões judiciais que alteraram as condições de sua prisão.

A primeira medida restritiva foi determinada em 4 de agosto de 2025 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou a prisão domiciliar preventiva de Bolsonaro após considerar que ele havia desrespeitado uma das medidas cautelares impostas anteriormente.

Segundo o entendimento da Corte, a infração ocorreu depois que, em 3 de agosto, um áudio gravado por Bolsonaro foi divulgado por seus filhos durante uma manifestação realizada em Copacabana. A divulgação foi interpretada como descumprimento das restrições estabelecidas pela Justiça.

Na ocasião, o ex-presidente respondia a um processo diferente daquele que resultaria em sua condenação meses mais tarde. Bolsonaro era investigado por suposta coação no curso do processo, no contexto da apuração sobre uma tentativa de convencer autoridades dos Estados Unidos a adotar sanções contra ministros do STF. De acordo com os investigadores, a iniciativa era liderada por Eduardo Bolsonaro.

Condenação a mais de 27 anos

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, além de outros quatro crimes.

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A situação do ex-presidente se agravou novamente na madrugada de 22 de novembro, quando ele tentou romper a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda. A defesa alegou que o episódio teria sido provocado pelos efeitos de medicamentos.

Após a tentativa de violação do equipamento de monitoramento, Alexandre de Moraes revogou a prisão domiciliar e determinou a transferência de Bolsonaro para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Três dias depois, em 25 de novembro, a condenação transitou em julgado, encerrando a ação penal relacionada à trama golpista. Com isso, não havia mais possibilidade de apresentação de recursos, e a pena passou a ser executada.

Bolsonaro apresenta problemas de saúde

No fim de dezembro, Bolsonaro enfrentou novos problemas de saúde. Nos dias 25 e 29, ele foi submetido a duas cirurgias. A primeira teve como objetivo corrigir uma hérnia inguinal bilateral. A segunda buscou controlar as crises de soluço que vinham afetando o ex-presidente.

Também ocorreram complicações decorrentes da facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, enquanto a defesa insistia para que ele pudesse retornar ao ambiente domiciliar.

Ex-presidente vai para a Papudinha

Em 15 de janeiro de 2026, Alexandre de Moraes autorizou a transferência do ex-presidente da Superintendência da Polícia Federal para a unidade conhecida como Papudinha. No local, Bolsonaro passou a contar com atendimento médico permanente, envolvendo diversas especialidades, além de poder receber visitas de políticos.

Já em 24 de março, o ministro concedeu prisão domiciliar temporária pelo prazo de 90 dias, permitindo que Bolsonaro voltasse para casa. A decisão, porém, estabeleceu novas restrições, proibindo visitas de políticos e conversas de conteúdo político.

A situação permaneceu inalterada após o término desse período. Em 3 de julho de 2026, Alexandre de Moraes decidiu manter Bolsonaro em prisão domiciliar por tempo indeterminado. A determinação prevê que qualquer descumprimento das medidas impostas poderá resultar no retorno ao regime fechado.

Na terça-feira (4), véspera de completar um ano da primeira prisão domiciliar, Moraes concedeu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre um pedido apresentado pela defesa do ex-presidente. Os advogados solicitam a revogação das restrições que impedem visitas, inclusive a do senador Flávio Bolsonaro, além da participação de Bolsonaro em manifestações de caráter político-eleitoral.

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