O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista ao jornal O Globo que a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se explicam, sobretudo, por erros do candidato da direita e pela exploração dessas fragilidades pela campanha petista. Kassab revelou que o governo Lula já procurou a legenda e que é possível haver uma relação "mais profunda".
Kassab analisou que, ao escolher Flávio, a direita "dividiu o centro com o Lula", e o senador perdeu apoio à medida que se tornou mais conhecido fora do Rio. Ele citou que o então candidato "acabou assustando falando em mexer na Constituição", além de ter gerado rejeição pelo "linguajar" e pela "falta de postura nos debates".
Para o líder do PSD, o PT soube acionar o "medo" da volta do bolsonarismo na campanha eleitoral. Kassab também ressaltou que as manifestações espontâneas nas ruas e a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG) reforçaram a importância da comunicação digital no cenário político.
Condições para o PSD se aproximar do Governo Lula
Kassab afirmou que o PSD pode se aproximar mais do novo governo Lula caso o Planalto sinalize para o centro e adote medidas na área econômica. Questionado se a relação será diferente, após o partido ter comandado três ministérios no governo anterior sem se declarar oficialmente da base, ele disse que, em 2023, a legenda decidiu que "se o Planalto convidasse filiados, teria a nossa compreensão".
Desafios de Lula e a importância da economia
Segundo o presidente do PSD, o governo já procurou a legenda. Para Kassab, Lula precisará unir o País e aumentar o apoio, algo que, em sua avaliação, não ocorreu no terceiro mandato. Ele acrescentou que o presidente não pode deixar de honrar compromissos sociais, mas precisará colocar à frente da economia pessoas como Antonio Palocci e Henrique Meirelles para dar tranquilidade e equilíbrio fiscal. "Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos", afirmou, reiterando que o partido poderá ter uma "relação mais profunda" com o governo.
Kassab e o cenário político: ministério, corrupção e polarização
Questionado sobre a possibilidade de aceitar ser ministro no governo Lula, Kassab respondeu: "Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez."
O presidente do PSD discordou de que a corrupção tenha perdido peso, comparando o clima do segundo turno a 2013, com "indignação". Ele alertou para "movimentos perigosos" se os partidos não endurecerem o discurso anticorrupção.
Kassab disse ainda que a polarização "ainda não foi quebrada" e que Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, não conseguiu atrair eleitores que rejeitavam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de 2026, onde foi o quinto colocado.
