O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (do Partido dos Trabalhadores - PT) planeja iniciar seu 4º mandato, em 5 de janeiro de 2027, com 40 ministérios. Este número representa a maior Esplanada desde a redemocratização do Brasil e busca acomodar aliados e partidos do Centrão no governo.
A expansão planejada pelo presidente supera o recorde anterior, que pertencia a Dilma Rousseff (PT), com 39 ministérios em seu 2º mandato. Atualmente, a Esplanada conta com 38 pastas. Lula iniciou seu 3º governo com 37 ministérios, um contraste com os 16 registrados no início da gestão de Fernando Collor, em 1990.
Os governos petistas historicamente registraram o maior número de ministérios no Brasil. Fernando Henrique Cardoso (do Partido da Social Democracia Brasileira - PSDB) chegou a ter 30 pastas, um patamar inferior aos das gestões do PT. Após o impeachment de Dilma, Michel Temer (do Movimento Democrático Brasileiro - MDB) reduziu a quantidade para 29. Já Jair Bolsonaro (do Partido Liberal - PL) manteve a estrutura ainda mais enxuta, com um máximo de 23 ministérios.
O primeiro passo para a expansão é a criação do Ministério da Segurança Pública. O Senado aprovou a PEC da Segurança na terça-feira (3.nov.2026), e o governo prepara o desmembramento da pasta da Justiça. Com a nova estrutura, a gestão de Lula igualaria os 39 ministérios do recorde de Dilma Rousseff.
A marca de 40 ministérios seria superada com a criação do Ministério do Idoso. Essa ideia está em estágio inicial, com Lula cogitando a pasta e conversas preliminares com auxiliares. Um terceiro órgão em estudo é o da Comunicação Digital, mas a proposta é ainda mais incipiente e a tendência é que sua estrutura seja subordinada à Secretaria de Comunicação Social (Secom), que já possui status de ministério.
Para o governo, as novas pastas responderão a gargalos na gestão, como segurança pública, o envelhecimento populacional e a regulação de plataformas digitais. Auxiliares indicam que a divisão da Justiça não geraria novos cargos ou aumento de gastos com pessoal, além do posto de ministro.
Engenharia política e cotados para ministérios
A engenharia política para a formação do 4º governo Lula envolve a acomodação de quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) e de partidos aliados. Entre os nomes que circulam para assumir pastas, estão Silvio Costa Filho (Republicanos), Renan Filho (do Movimento Democrático Brasileiro - MDB) e Eduardo Paes (do Partido Social Democrático - PSD). O PSD também deve indicar o ministro da Pesca.
Nas últimas semanas, ganharam força os nomes do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para a Fazenda; o senador Camilo Santana (PT-CE), para a Casa Civil; e o atual ministro do Planejamento, Bruno Moretti, considerado próximo ao presidente. Nenhum deles recebeu convite formal.
No mercado financeiro, o nome de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, voltou a ser especulado para o Ministério da Fazenda. Trabuco foi convidado por Dilma Rousseff em 2014, mas recusou a oferta e sugeriu Joaquim Levy, que assumiu a pasta em 2015.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) é citado para três possíveis pastas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (do Partido Socialista Brasileiro - PSB) também é lembrado para as pastas da Defesa e da Fazenda.
