O candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), se negou a reconhecer sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 25, e afirmou que pedirá a anulação do pleito. "É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como as coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico e vou pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo", declarou, em discurso a jornalistas em Brasília, após a derrota.
Flávio criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar por mais duas horas o horário de votação. "O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, ex-advogado do Lula, pela primeira vez na história, dá uma canetada a pedido do ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo", falou.
"Zanin, que não faz parte do TSE, atropelando a Justiça especializada. Isso nunca tinha acontecido. Houve uma quebra total de isonomia. Nunca vou saber se eu, num Estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter", continuou.
O candidato do PL ainda afirmou, sem provas, que fiscais de seu partido foram prejudicados. "Nossos fiscais do PL foram retirados de dentro das salas-cofre a partir do momento que essa decisão foi tomada. Há muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil reconhecer essa sacanagem que aconteceu."
Lula impôs ao adversário uma vitória histórica: desde a redemocratização nenhum candidato com vantagem no 1º turno havia perdido. É a segunda derrota consecutiva da família Bolsonaro para o petista: em 2022, Jair Bolsonaro (PL) foi vencido por Lula por uma diferença de 2,1 milhões de votos.
No pleito anterior, Jair Bolsonaro levou dois dias para fazer seu discurso de derrota, no qual reconheceu o resultado, mas não parabenizou Lula pela vitória - o que era praxe entre os derrotados até então. Bolsonaro também negou-se a passar a faixa presidencial a Lula durante a cerimônia de posse.
Durante a campanha deste ano, havia dúvidas se Flávio respeitaria o resultado da eleição caso derrotado, principalmente após uma declaração em que questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Em julho, o senador pediu, durante um encontro com embaixadores estrangeiros, que seus países enviassem "a maior quantidade de observadores possíveis" para supervisionar as eleições brasileiras em outubro e mencionou possíveis fraudes nas urnas usadas em eleições venezuelanas. O Tribunal Superior Eleitoral, porém, nega o uso de aparelhos daquele país.
Nos últimos meses, o presidenciável também fez críticas à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a quem acusou de interferir no pleito. "Ninguém aguenta mais um País em que você olha para Brasília e dá nojo da forma como as coisas são decididas na mais alta Corte deste País. Eles (STF) claramente tentam interferir nas eleições sob o pretexto de proteger a democracia. Eles destruíram a nossa democracia", falou, durante um comício em São Luís (MA), em setembro.
Na semana passada, Flávio afirmou que respeitaria o resultado da eleição, mesmo se perdesse. "Vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, vou respeitar", declarou, durante sabatina promovida pela TV Globo.

