O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez um discurso centrado no endurecimento penal durante um ato de campanha em Marabá, no sudeste do Pará, nesta segunda-feira (19). Entre as promessas apresentadas pelo senador estão a prisão de pelo menos oito anos para quem roubar celulares, a castração química de condenados por estupro e a classificação de facções criminosas como grupos narcoterroristas.
Ao defender sua política de segurança pública, Flávio afirmou que pretende declarar guerra ao crime organizado a partir de janeiro de 2027, caso seja eleito. O discurso, marcado por expressões de confronto, também incluiu promessas de combate aos roubos e de ampliação da proteção à propriedade privada.
“Eu vou, a partir de janeiro do ano que vem, declarar guerra aos narcoterroristas desse país. Eu vou devolver a sua soberania sobre o seu celular. Eu vou devolver a sua soberania sobre a sua bolsa, sobre a sua moto, sobre o seu carro, sobre a sua propriedade”, declarou.
O candidato, porém, não detalhou durante o ato como pretende implementar as medidas anunciadas nem apresentou informações sobre os custos e os mecanismos necessários para colocá-las em prática.
Endurecimento penal como estratégia
Entre as propostas, Flávio afirmou que pretende estabelecer uma pena mínima de oito anos de prisão para quem cometer roubo de celular. O senador também defendeu a castração química para estupradores, utilizando o endurecimento das punições como argumento para combater a criminalidade.
“Eu vou prender ladrão de celular por no mínimo oito anos. Eu vou meter castração química em estuprador de mulher. É assim que a gente vai levar esse país, fazendo com que a lei valha para todo mundo”, disse.
O candidato também voltou a defender a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. A proposta já havia sido mencionada por ele durante o primeiro debate presidencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (18).
Apesar das declarações, o discurso em Marabá não apresentou detalhes sobre os critérios que seriam utilizados para classificar as organizações dessa forma nem sobre as consequências práticas da medida para a atuação das forças de segurança.
Promessas para o Pará
Além da segurança pública, Flávio afirmou que pretende se comprometer com obras consideradas necessárias para Marabá e prometeu ampliar a regularização fundiária no Pará.
“Eu vou fazer a maior regularização fundiária que o Pará já vive. A sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra”, declarou.
A promessa foi apresentada sem detalhamento sobre o número de propriedades que poderiam ser regularizadas, os recursos previstos ou o cronograma de execução de um eventual programa.
A regularização fundiária é um tema relevante para o Pará, estado marcado por conflitos relacionados à posse e ao uso da terra. Nesse contexto, a implementação de medidas do tipo envolve questões jurídicas, ambientais e administrativas, além da necessidade de identificar a situação de cada área.
Flávio também defendeu a prosperidade econômica na região Norte, mas as declarações divulgadas sobre o ato tiveram como principal destaque as propostas de segurança pública e as promessas relacionadas à propriedade privada.
Após a agenda em Marabá, o candidato tinha previsão de seguir para Manaus, no Amazonas, onde cumpriria compromissos de campanha nesta segunda-feira (19).
