O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi intimado nesta segunda-feira (26/10) pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. A autorização é do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o senador, ele está impedido de sair do país. Ele disse que a medida ocorreu após uma visita ao pai, Jair Bolsonaro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio disse que agentes da Polícia Federal estavam na porta da casa do ex-presidente quando recebeu a intimação. Ele atribuiu a decisão ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que a determinação teria relação com uma declaração feita pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), seu irmão, em 23 de outubro.
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“Eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, afirmou Flávio. Segundo o senador, Moraes teria baseado a decisão na declaração de Eduardo de que ele deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição.
Eduardo Bolsonaro fez a declaração durante entrevista ao programa Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista americano Steven Crowder. Na ocasião, o ex-deputado afirmou que Flávio deveria deixar o país caso fosse derrotado na eleição.
Ao comentar a decisão, o senador questionou a fundamentação do despacho:
"Eu nunca falei isso (de deixar o país). Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição. Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política, não pode ser assim. Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar", disse Flávio Bolsonaro.
Flávio é investigado em dois inquéritos no STF. Em um deles, ele e o advogado Willer Tomaz são suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O senador ainda é alvo de outra investigação, que apura o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

