Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais do Brasil consolidaria o que alguns, entre eles, o presidente da Argentina, Javier Milei, chamam de uma onda azul de governos de direita na região, escreveu o jornal argentino La Nación.
"Será o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, mais um do grupo? E, ainda mais importante: implicará a chamada onda azul uma virada de médio ou longo prazo ou, pelo contrário, apenas um movimento do pêndulo latino-americano, que carece da força necessária para perdurar por longos anos?", questiona a publicação.
No Brasil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro, como nos demais países da região, os partidos políticos desempenham um papel secundário, segundo o jornal. "Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, não será por pertencer ao Partido Liberal (PL), mas por ser o candidato anti-Lula", aponta.
O La Nación acrescenta que, no Brasil, a campanha careceu de debate programático. "Semana após semana, os candidatos trocaram ataques, denúncias judiciais por suposto conteúdo falso e demonstrações de apoio nas ruas. Não se discutiu o que pretendem fazer Lula e Flávio Bolsonaro se ganharem a eleição, o que é ainda mais grave no caso do filho de Jair Bolsonaro, porque nunca ocupou nenhum cargo executivo", escreveu.
A publicação destaca ainda que o desgaste de Lula após três mandatos foi o principal fator que levou Flávio Bolsonaro a ser o candidato mais votado no primeiro turno. "Claro que os Bolsonaro têm sua base ideológica fiel, mas com essa base não ganhariam uma eleição. Se ganharem, será por serem a opção frente a Lula. E o mesmo vale para o presidente do Brasil. Ser o único que pode derrotar um Bolsonaro é o que lhe permite dizer que, sem ele, não haverá democracia no Brasil e estará em jogo a soberania do País", disse.
Por sua vez, o jornal Clarín observa que a discussão nestas urnas não é um "básico esquerda ou direita", mas de capacidades. A reportagem aponta que Lula vem de três mandatos, incluindo o atual, e com um desempenho macro eficiente, enquanto Flávio tem buscado se firmar nas questões sociais que são as que, em certa medida, explicam a derrota no primeiro turno do presidente.
"A questão social desempenha um papel decisivo nesta etapa final", diz o Clarín, acrescentando que o governo conseguiu reverter, segundo as pesquisas, o golpe inicial da derrota com base em uma ofensiva intensa que incluiu benefícios, como o pagamento do reajuste do Bolsa Família e o fim da escala de trabalho 6x1.

