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ELEIÇÕES 2026

Em Belém, Lula diz: 'Eu não quero guerra com os EUA, quero respeito'

Durante comício na Praça da República, presidente defendeu exploração de riquezas brasileiras com investimentos em tecnologia e formação profissional

Fabyo Cruz

28 de setembro de 2026 às 21:58

Durante o comício realizado nesta segunda-feira (28), na Praça da República, em Belém, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a abordar a relação do Brasil com os Estados Unidos e defendeu que as riquezas naturais brasileiras sejam exploradas e processadas no próprio país. Ao falar sobre petróleo, terras raras e minerais críticos, Lula afirmou que não pretende estabelecer um conflito com o governo norte-americano, mas cobrou respeito à soberania brasileira.

“Eu não quero guerra contra os Estados Unidos, eu quero respeito, eu quero o respeito”, declarou o presidente durante o discurso.

Lula também afirmou que o Brasil precisa utilizar suas riquezas naturais para financiar investimentos em áreas como educação, saúde e tecnologia. Ao falar sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, mencionou a atuação da Petrobras e destacou mecanismos de segurança ambiental utilizados nas operações da empresa.

“Essa máquina nossa, se tiver qualquer indício de vazamento de óleo, automaticamente ela fecha o poço. Não vai acontecer no Brasil nunca o que aconteceu no Golfo do México, porque nós queremos preservar o meio ambiente”, afirmou.

Segundo Lula, o petróleo brasileiro deve ser utilizado como fonte de recursos para investimentos no desenvolvimento do país. “Esse petróleo vai ser outra vez o passaporte do futuro para a gente investir na educação, na saúde e na tecnologia”, disse.

Terras raras

O presidente também dedicou parte do discurso às chamadas terras raras e aos minerais críticos, defendendo que o Brasil não se limite à exportação desses recursos em estado bruto. Lula afirmou que pretende estimular a exploração, o desenvolvimento tecnológico e a industrialização desses materiais dentro do território nacional.

“Ninguém vai meter a mão nas nossas terras raras e na nossa terra rara. Nós vamos explorar aqui, desenvolvê-los aqui, industrializá-los aqui”, declarou.

A fala ocorre em um momento em que o governo federal tem ampliado a discussão sobre a exploração e o processamento de minerais críticos no país. Em setembro, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras e defendeu que essas riquezas sejam utilizadas para fortalecer a indústria e a tecnologia brasileiras.

O presidente também citou o escritor uruguaio Eduardo Galeano ao fazer uma comparação com a exploração do ouro brasileiro durante o período colonial. Segundo Lula, a experiência histórica não deve se repetir com os minerais estratégicos encontrados atualmente no país.

Formação profissional

Ao defender que o Brasil avance na industrialização e no desenvolvimento tecnológico, Lula afirmou que será necessário ampliar a formação de profissionais em áreas ligadas à ciência e à tecnologia. “Vai ter muito curso de engenharia, vai ter muito curso de matemática quântica”, afirmou.

A defesa de investimentos em formação científica e tecnológica também apareceu em outros discursos recentes do presidente, nos quais Lula tem relacionado a exploração de minerais críticos à necessidade de ampliar a capacidade brasileira de pesquisa, inovação e industrialização.

Relação com os Estados Unidos

A declaração sobre os Estados Unidos ocorre em meio a uma sequência de manifestações de Lula sobre a relação comercial e diplomática entre os dois países. Nos últimos dias, o presidente afirmou que não pretende entrar em uma guerra tarifária com os EUA e que prefere negociar.

Na semana passada, durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula também defendeu a soberania brasileira e criticou interferências externas em assuntos do país.

No comício em Belém, o presidente retomou esse discurso ao defender que eventuais acordos e investimentos estrangeiros respeitem as regras brasileiras e não retirem do país a capacidade de controlar e agregar valor às próprias riquezas naturais.

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