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Durigan: suspensão de pagamentos prometida por Flávio não é possível, ninguém consegue fazer

O ministro fez menção ao Desenrola 3, que busca novamente atacar a questão do endividamento

Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2026 às 13:12

Dario Durigan, ministro da Fazenda

Dario Durigan, ministro da Fazenda ( Foto: Washington Costa / Ministério da Fazenda )

O ministro da Fazenda e coordenador econômico do candidato à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dario Durigan, disse que a suspensão do pagamento das dívidas prometida por Flávio Bolsonaro (PL) não é possível. No debate presidencial Band/Estadão realizado no último domingo, 18, Flávio prometeu que, em um eventual governo, haverá carência de seis meses para dívidas de pessoas físicas e de um ano para empresas, além de crédito barato e de longo prazo. 

"Nenhum governo conseguiria entregar o que ele Flávio falou", afirmou Durigan em entrevista ao UOL.

O ministro fez menção ao Desenrola 3, que busca novamente atacar a questão do endividamento, com o governo comprando dívidas mais antigas que as instituições financeiras não conseguiriam recuperar. "A gente precisa se aliar com o mercado nesse caso, de maneira responsável e sustentável, para dar uma resposta que aí sim, virá de novo resposta concreta para a vida das pessoas, que é o que nos importa de fato".

Perse

O atual titular da Fazenda ainda fez menção a outra proposta de Flávio Bolsonaro, de retomar a política de renúncia fiscal no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), em um aceno à classe artística e ao setor de eventos.

O ministro lembrou que o programa teve impacto de mais de R$ 50 bilhões e que a empresa que mais se beneficiou foi o iFood.

"Se tem alguém comprometido com o fiscal, tem que tomar um pouco de cuidado com programas muito abertos, com pouco controle, com muita margem para corrupção", pontuou Durigan.

Fim da 6x1

Ele, porém, defendeu medidas para viabilizar o fim da escala de trabalho 6x1, permitindo a adaptação de pequenas empresas. "Se a gente identificar que tem dívida dessas empresas, do pequeno empreendedor, desses setores que estão mais afetados pela mudança de jornada, nós sim vamos apresentar propostas ao Congresso, que têm que ser validadas pelo Congresso, seja proposta de crédito para ajudar o capital de dívida, seja proposta de revisão e perdão de dívida à medida em que elas forem consideradas irrecuperáveis", explicou.

Dívida pública

O ministro da Fazenda disse que a dívida pública brasileira é doméstica e rechaçou qualquer risco de não pagamento ou calote. "Toda a nossa dívida está praticamente na mão de brasileiros, de empresas, de setores, de instituições bancárias e financeiras brasileiras", afirmou em entrevista ao UOL.

Ele admitiu o crescimento da dívida e atribuiu ao aumento da taxa de juros, alegando que, no governo Lula, o Banco Central (BC) é independente. "O papel do governo central é melhorar a condição fiscal, não tem dúvida disso", defendeu. "Não adianta a gente correr para dar uma resposta fácil e ilusória", acrescentou.

Durigan reconheceu que os empresários reclamam de aumento de tributos, mas argumentou que o que foi feito foi uma revisão de benefícios tributários, como o Perse e a desoneração da folha de pagamentos. "Estamos fazendo um trabalho de equacionar o fiscal de modo que a receita venha mais do que a despesa. Isso foi feito nesse período. Cortar o gasto obrigatório e abrir espaço para que a gente faça um fiscal melhor e investimento é papel deste governo e a gente fez isso".

E disse que o Orçamento de 2027 será positivo, com superávit, prometendo novamente que o governo vai melhorar a situação nos anos seguintes, "sem dar cavalo de pau e sem fazer loucura". "Não dá para querer vender para o mercado que no primeiro ano vai se resolver esse problema, porque não vai, é impossível que seja feito", completou.

Segundo ele, será possível resolver a questão seguindo a cadência de corte de gastos obrigatório com o compromisso de baixar a taxa de juros e melhorar o resultado fiscal.

Durigan negou que haja risco de recessão no País e sustentou que há um provável desaquecimento da economia em função de fatores como os juros altos, a guerra no Irã e o El Niño. "Se a gente conseguir diminuir a taxa de juros para o mercado como um todo e, de outro lado, fazer os incentivos corretos com o pouco dinheiro público que a gente tem para investimento - podendo aumentar um pouco, focar em determinadas áreas -, a gente consegue fazer com que o Brasil, ainda que diminua um pouco o nível de crescimento, volte rapidamente a retomar para que em 2028, 2029 e 2030 o País siga numa trajetória de crescimento próxima de 3%", pontuou.