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ELEIÇÕES

'Dramática reviravolta' e 'surpreendente': imprensa internacional repercute vitória de Lula

O petista venceu a disputa do segundo turno com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Estadão Conteúdo

26 de outubro de 2026 às 10:17

Presidente Lula.

Presidente Lula. ( Foto: Foto: Ricardo Stuckert )

A imprensa internacional repercutiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 25. Veículos de comunicação estrangeiros classificaram o resultado como "dramática reviravolta" e "surpreendente". O petista venceu a disputa do segundo turno com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL).

O jornal argentino La Nación destacou o dia da eleição como "polêmico" devido à extensão do horário de votação. Chamou a reeleição de Lula de "virada inédita". O texto citou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19 horas em todo o País, após pedido de ambas as campanhas.

O jornal apontou uma queda na abstenção. Ela passou de 21% no primeiro turno para 19,21% no segundo turno, o que representa cerca de 3 milhões de eleitores a menos no País.

Análises da América Latina

A reportagem do La Nación repercutiu a relação diplomática entre Brasil e Argentina. A eleição de Lula, segundo o periódico, deixa um futuro incerto para a relação entre Buenos Aires e Brasília. Isso ocorre após o apoio do presidente argentino Javier Milei a Flávio Bolsonaro.

A agência de notícias Reuters chamou a vitória de Lula de "resultado surpreendente". A agência destacou que o resultado desafiou as últimas pesquisas de intenção de voto e a onda de vitórias da direita na América Latina. Relembrou a trajetória política do presidente e sua reeleição após o segundo lugar no primeiro turno.

"A vitória de Lula priva Trump de um importante reforço para o crescente bloco de governos latino-americanos de direita que adotaram a agenda de Washington em matéria de segurança e migração", citou a agência sobre o cenário internacional e o relacionamento com o governo norte-americano.

A agência destacou que, apesar da vitória, o governo pode enfrentar dificuldades para governar. Isso se deve a um Congresso mais conservador. "Juntos, o Partido Liberal (PL) de Bolsonaro e os partidos aliados poderiam controlar mais de 280 cadeiras na Câmara dos Deputados e até 50 cadeiras no Senado", afirmou a Reuters, indicando maiorias confortáveis em ambas as casas.

A notícia mencionou também a economia, apontando que, segundo as previsões do governo, ela crescerá apenas 2,3% no próximo ano. Este cenário pode agravar as preocupações fiscais ligadas às elevadas taxas de juro e à dívida pública.

Perspectivas da Europa e EUA

O The Guardian, do Reino Unido, afirmou que o presidente reeleito protagonizou uma "dramática reviravolta". Lula derrotou Flávio Bolsonaro e conquistou "um quarto mandato histórico".

O jornal também relembrou o resultado do primeiro turno, ocorrido em 4 de outubro, liderado por Flávio. Após a conclusão do primeiro turno, o futuro político de Lula foi colocado em dúvida. "Desde o retorno da democracia na década de 1980, nunca antes o segundo colocado no primeiro turno havia vencido o segundo turno", disse a publicação.

A reportagem destacou a participação popular na reeleição do presidente. Citou manifestações na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo.

O político de esquerda parece ter compensado grande parte da diferença ao persuadir seus eleitores a comparecerem às urnas. Após uma taxa recorde de abstenção de 21,08% no primeiro turno, que afetou desproporcionalmente os eleitores de Lula, a taxa caiu para 19,21%.

O jornal citou o cenário para o presidente dos EUA, Donald Trump. "O presidente norte-americano esperava que Bolsonaro se tornasse o mais recente de uma série de líderes pró-Trump a assumir o poder na América Latina", escreveu. Foram citados Abelardo de la Espriella, na Colômbia, Daniel Noboa, no Equador, José Antonio Kast, no Chile, e Javier Milei, na Argentina.

O Washington Post, jornal americano, destacou a eleição de Lula para o quarto mandato. O veículo citou o governo de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República e pai de Flávio Bolsonaro, como justificativa para a mobilização de eleitores nas últimas semanas.

"Mas a perspectiva de uma restauração de Bolsonaro galvanizou os eleitores", afirmou o jornal. A Presidência de seu pai, de 2019 a 2023, foi marcada por turbulências institucionais e retrocessos ambientais. Jair Bolsonaro minimizou a pandemia do coronavírus, atacou as instituições democráticas e implementou políticas que alienaram mulheres, negros e indígenas.

O governo Trump foi citado como simpático à família Bolsonaro. O resultado das urnas, portanto, é visto como um revés para a construção de um bloco alinhado aos EUA na América Latina.

"Trump não declarou apoio a Flávio Bolsonaro, como fez com seu pai em 2022", citou o texto. Contudo, seu governo "tomou diversas medidas solicitadas pela família Bolsonaro". Estas incluíram imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades, além de planos para questionar a integridade das eleições brasileiras.

O papel das plataformas digitais nas eleições também foi mencionado pelo jornal. "A campanha de Lula acusou a Meta de direcionar suas plataformas em favor de Flávio Bolsonaro", citou. As alegações incluíram marginalização de ativistas progressistas, remoção de vídeos críticos e menor alcance para publicações pró-Lula.