A deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) denunciou ter recebido a quinta ameaça de morte, acompanhada de ofensas racistas e misóginas, além de ameaças de tortura e estupro. Segundo a parlamentar, nenhum responsável pelos episódios anteriores foi identificado ou preso. O novo caso foi registrado em boletim de ocorrência na noite de terça-feira (20), em Belém.
A mensagem foi enviada por e-mail no dia 22 de setembro, mas só foi descoberta na terça-feira (20), porque estava retida na caixa de spam. O remetente utilizou um endereço eletrônico do serviço Proton Mail e assinou o conteúdo como “GOEC”.
Além das ameaças de violência física e sexual, o autor expôs informações pessoais da deputada e de familiares próximos, incluindo números de documentos, endereços, telefones e CPFs. A divulgação desses dados levantou suspeitas de possível acesso indevido a informações sigilosas, hipótese que ainda não foi confirmada.
O conteúdo também apresenta manifestações racistas e misóginas contra a presença de uma mulher negra em um cargo político. Ao final, o remetente utiliza uma saudação em alemão, interpretada pela assessoria da parlamentar como possível referência ao fascismo.
No boletim de ocorrência, Lívia Duarte relatou preocupação com a possibilidade de as ameaças serem concretizadas.
“A repetição desses episódios [ameaças], somada à gravidade e ao teor específico das novas ameaças e à exposição de dados pessoais e familiares, aumenta minha preocupação com a possibilidade de concretização das ameaças e gera temor pela minha vida, integridade física e segurança”, declarou.
Em nota publicada pela assessoria, a deputada solicitou a identificação e responsabilização do autor, além de medidas para garantir a segurança dela e de seus familiares. Lívia Duarte está sob escolta policial desde o início deste ano.
Deputada relaciona ameaças à violência política
Nas redes sociais, a parlamentar associou o episódio ao acirramento político e ao discurso de ódio que, segundo ela, é estimulado pelo bolsonarismo.
“Esse ódio não cresceu do nada. Ele cresceu quando um presidente disse que um adversário tinha que ser fuzilado, quando arma virou bandeira e misoginia foi relativizada. O bolsonarismo ensinou que o medo é ferramenta de fazer política”, afirmou.
Lívia Duarte também destacou sua reeleição para a Assembleia Legislativa do Pará e cobrou providências diante da repetição das ameaças.
A Redação Integrada de O Liberal procurou a Polícia Civil do Pará (PCPA) para saber como estão as investigações sobre as ameaças contra a deputada, e aguarda retorno.

