O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) à Polícia Federal (PF), inicialmente previsto para esta sexta-feira, 7, foi adiado. A oitiva se relaciona à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao caso Banco Master.
Esta é a segunda oitiva cancelada na mesma semana no âmbito da investigação. Anteriormente, o depoimento do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também investigado, já havia sido adiado.
A defesa do parlamentar solicitou o adiamento. Segundo os advogados, o senador "pretende falar", mas só prestará depoimento após ter acesso integral aos detalhes da investigação.
Entenda o Adiamento e a Operação Compliance Zero
O pedido de adiamento, conforme a defesa, ocorre porque o acesso ao conteúdo da investigação ainda não foi viabilizado. Eles citam "problemas técnicos (todos documentados)" que impediram o acesso, requerido há quase um mês.
A Operação Compliance Zero apura um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master. A instituição teve sua liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado.
As investigações buscam esclarecer a atuação dos envolvidos e as conexões estabelecidas. Em junho, Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da operação.
A PF suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina totalizando R$ 3,5 milhões. Estes valores teriam sido intermediados por uma empresa ligada a um familiar do senador.
Segundo os investigadores, essa estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas, supostamente pagas no contexto das fraudes apuradas na Compliance Zero.
Atuação Parlamentar sob Suspeita
A Polícia Federal também investiga se Jaques Wagner utilizou sua atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Os investigadores apontam que o senador teria tratado diretamente com Augusto Lima propostas que poderiam beneficiar o banco.
A investigação cita a participação de Wagner em propostas que ampliaram o acesso ao crédito consignado. Essas medidas beneficiariam trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS, além de beneficiários do BPC e de programas sociais.
Os investigadores veem essas medidas como de interesse do Banco Master. Além disso, a PF aponta a atuação de Wagner em discussões sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no acompanhamento da possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Na época da operação, a assessoria de Jaques Wagner divulgou nota, afirmando que o senador não atuou em favor do Master. A nota também destacava que ele estaria à disposição das autoridades.
Nota de Defesa de Jaques Wagner na íntegra
"A defesa do senador Jaques Wagner informa que requereu, com antecedência proporcional, o adiamento do depoimento designado para o dia 7 de agosto, em data que havia sido ajustada com a autoridade policial.
O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês.
O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor.
A defesa não fará considerações sobre o mérito até possuir esses dados para análise.
Salvador, 7 de agosto de 2026."
