Eleito para uma das duas vagas do Pará no Senado nas eleições de 2026, Chicão afirmou que pretende levar ao Congresso Nacional uma agenda voltada às particularidades da Amazônia e às dificuldades enfrentadas pela população do interior do Estado. Em entrevista ao Grupo Liberal, ele apontou o chamado “custo amazônico”, a tarifa de energia elétrica e a infraestrutura de portos e rodovias como algumas das principais prioridades do mandato.
Segundo o senador eleito, as grandes distâncias entre os municípios paraenses e a capital fazem com que serviços como saúde e educação tenham custos mais elevados do que em outras regiões do país.
“Nós temos aqui municípios em que as pessoas, para chegar à nossa capital, levam 48 horas. É uma infinidade de tempo”, afirmou.
Custo amazônico
Chicão defendeu que as políticas públicas federais considerem as especificidades geográficas da Amazônia. Para ele, os custos relacionados ao deslocamento e à prestação de serviços precisam ser levados em conta na definição de investimentos e no financiamento de áreas como saúde e educação.
O senador eleito citou como exemplo municípios em que pacientes precisam se deslocar para outras cidades para ter acesso a determinadas especialidades médicas.
“Quando precisamos fazer um atendimento de saúde em uma área mais complexa, em alguma especialidade que o município não tenha, isso às vezes só pode ser feito de avião”, disse.
Ele também mencionou a realidade das escolas ribeirinhas e afirmou que o custo de oferecer serviços públicos na região não pode ser comparado diretamente ao de estados com uma estrutura urbana e logística diferente.
“A consulta de um médico que se paga em São Paulo não pode ser a mesma coisa que se paga a um médico do Marajó, a um médico lá na fronteira com a Zona Oeste. A distância é muito grande”, declarou.
Energia é uma das prioridades
Outra pauta que Chicão afirmou que pretende levar ao Senado é o preço da energia elétrica no Pará. O senador eleito destacou que o Estado está entre os maiores produtores de energia do país, mas enfrenta tarifas consideradas elevadas pela população.
“Nós somos os maiores produtores de energia do Brasil e a nossa conta de luz aqui é muito alta”, afirmou.
Segundo ele, a discussão deverá envolver o Governo Federal e as agências reguladoras. Chicão também destacou que a representação igualitária dos estados no Senado pode ajudar o Pará a fortalecer essa reivindicação.
“Todos os estados têm a mesma representatividade. Então, eu e o senador Helder temos um compromisso de fazer esse debate e cobrar um reconhecimento do Governo Federal, por meio das agências reguladoras, para que a gente possa ter sucesso na diminuição dessa tarifa ou, então, uma tarifa mais justa para a população do Estado”, afirmou.
Portos e rodovias
A infraestrutura também foi apontada como uma das prioridades do novo mandato. Chicão citou a necessidade de investimentos em rodovias federais e portos para melhorar a logística do Pará.
“Os portos e as rodovias federais. Nós temos que melhorar nossas rodovias e melhorar a infraestrutura dos portos. Acho que são pautas que nós temos que defender”, disse.
O senador eleito avaliou ainda que a articulação política será um dos desafios do mandato, especialmente diante da diferença de representação entre o Pará e estados mais populosos.
“São Paulo tem 70 deputados federais, enquanto nós temos 17. Então, é uma luta desproporcional”, afirmou.
Para Chicão, a presença no Senado pode permitir ao Pará ampliar sua capacidade de negociação em temas considerados estratégicos para o Estado, já que cada unidade da federação possui três senadores, independentemente do tamanho da população.

