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segundo turno

'Caminho do precipício', diz autor de pedido de impeachment de Dilma ao criticar Flávio

Ex-ministro da Justiça aponta riscos de anistia a golpistas e interferência estrangeira caso senador chegue à Presidência

O Liberal com informações da AE

8 de outubro de 2026 às 09:02

Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ)

Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ) ( Foto: Reprodução / YouTube )

Em carta publicada no Instagram, o advogado Miguel Reale Junior, ex-ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso e um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores - PT), argumentou contra a possível eleição do senador Flávio Bolsonaro (Partido Liberal - PL) à Presidência da República. Segundo ele, essa escolha representaria "o caminho do precipício".

Na publicação, Miguel Reale Junior afirmou que Flávio Bolsonaro pretende "anistiar os golpistas de 8 de Janeiro, a começar por seu pai".

Críticas sobre o 8 de Janeiro e legitimação de golpe

O ex-ministro da Justiça acrescentou que a escolha por Flávio Bolsonaro representa uma validação do ataque ocorrido no dia 8 de janeiro e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2022. "Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia", concluiu.

Alerta para interferência estrangeira

Para o advogado, o voto em Flávio Bolsonaro implicaria também em deixar escapar a soberania nacional, considerando a grande aproximação do candidato ao governo estadunidense, sobretudo em questões relacionadas à segurança pública.

Reale Junior detalhou que um segundo propósito consistiria em admitir a interferência norte-americana contra o Brasil, como já se viu no caso das tarifas. Ele alertou para o risco de prevalecer a justificativa de atuação militar estadunidense contra grupos do crime organizado, já qualificados como terroristas, com a anuência de Flávio Bolsonaro. O ex-ministro ponderou que o Comando Vermelho (CV) ou o Primeiro Comando da Capital (PCC) em nada se assemelham a grupos terroristas, que agem motivados por objetivos econômicos, não por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, ou com a pretensão de provocar terror social.

Temores de corrosão democrática

Miguel Reale Junior teme também pela corrosão democrática e violação de direitos diante de posições de parlamentares da direita radical, eleitos no pleito de 4 de outubro, e que dividiram o palanque com Flávio Bolsonaro. Segundo ele, esses políticos pregam contra minorias, cotas e feminismo, por exemplo.

"Assim como um Congresso Nacional pontilhado de direitistas extremados, aderentes a teses radicais, será uma temeridade um presidente adepto ou suscetível a dar seu apoio a proposições desta facção política", ressaltou.

Defesa da gestão Lula

Por fim, o advogado defendeu o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma opção em prol da manutenção da democracia e de um Estado não violento, mesmo que considere que a sociedade esteja cansada de um discurso petista.

"Uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco. Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de quinze dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência", finalizou Reale Junior.