O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição, afirmou nesta quarta-feira (21) que aceitaria abrir os próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico para demonstrar transparência na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, ocupantes dos cargos de presidente e vice-presidente não deveriam ter esse tipo de proteção sobre informações pessoais.
“Perfeitamente abriria os sigilos, claro. Aliás, eu acho que quem é eleito presidente, vice-presidente não devia ter sigilo. Nem fiscal, nem bancário, nem telefônico. A vida pública é pública. Tem que ser transparente. Quem quer ter vida privada vai cuidar do setor privado. Agora, não é possível ter vida pública e não prestar contas à sociedade”, declarou Alckmin durante entrevista coletiva em São Paulo.
A manifestação ocorre após Lula propor, durante debate organizado pela TV Bandeirantes e pelo Estadão no domingo (18), que ele e o adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL), autorizassem a abertura dos próprios sigilos e os de familiares. O pedido foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Alckmin acusa Flávio Bolsonaro de criar obstáculos
Em resposta à proposta, Flávio Bolsonaro condicionou a divulgação dos dados à inclusão de informações sobre o sigilo de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, além de dados relacionados a cartões corporativos.
Alckmin criticou as condições apresentadas pelo senador e afirmou que a iniciativa seria uma tentativa de evitar a abertura dos sigilos. Segundo o vice-presidente, a campanha de Lula concordou com os 19 pontos apresentados por Flávio.
“Flávio Bolsonaro fez 19 exigências para abrir o sigilo. Está dando desculpa. Agora, a campanha do presidente Lula se pronunciou através do ministro Camilo Santana. Nós concordamos com os 19 pontos e podem abrir sigilo”, afirmou.
Vice-presidente critica atuação de Flávio em debate
Alckmin também questionou o desempenho do senador no debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes e pelo Estadão. Na avaliação do vice-presidente, Flávio teria desrespeitado Lula, deixado de responder às perguntas do presidente e apresentado informações que não corresponderiam aos fatos.
“Quando você ouve aquela conferência dos fatos, o campeão de não responder ou não corresponder aos fatos foi nosso adversário. Impressionante. Não respondeu nenhum dos questionamentos feitos e muitas das informações não batem com os fatos”, declarou.
Questionado sobre a participação de Lula no próximo debate presidencial, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, Alckmin não esclareceu se a presença do presidente dependerá da adoção de checagem em tempo real das declarações dos candidatos. A possibilidade vem sendo discutida pela equipe de campanha do petista.

