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DESPEDIDA

Paraense que morreu após cair de hotel no Maranhão é velada em Ananindeua

O corpo da vítima chegou ao local do velório na tarde desta quarta-feira (4)

O Liberal

4 de novembro de 2026 às 18:55

Paraense que morreu após cair de hotel no Maranhão é velada em Ananindeua.

Paraense que morreu após cair de hotel no Maranhão é velada em Ananindeua. ( Foto: Foto: Redes Sociais )

Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, é velada em Ananindeua nesta quarta-feira (4). A jovem morreu ao cair do sétimo andar de um hotel em São Luís, no Maranhão, na madrugada de terça-feira (3). A família organizou os últimos preparativos para a despedida da vítima, que deixa dois filhos pequenos, de quatro e sete anos. As homenagens ocorrem em um espaço na Rua Perpétuo Socorro, no bairro do Coqueiro. A saída do velório será às 09h e o sepultamento às 10h da quinta-feira (5), no Cemitério Parque Memorial Metrópole.

A mãe de Renata, Lariza Beth dos Santos Negrão, de 51 anos, contou que recebeu a notícia da morte da filha durante a madrugada, por meio da mãe do namorado da jovem. Segundo ela, a mulher foi até sua casa por volta das 4h para comunicar o ocorrido. A família também recebeu uma ligação da polícia solicitando que um parente fosse fazer o reconhecimento do corpo.

Lariza afirma que não recebeu contato direto da administração do hotel para informar sobre a morte ou prestar esclarecimentos. Segundo ela, a irmã de Renata foi até o estabelecimento e ficou responsável por resolver parte dos procedimentos necessários para o traslado do corpo ao Pará.

A mãe relata que, inicialmente, a família recebeu a informação de que o hotel arcaria com todas as despesas. Posteriormente, porém, teria sido informada de que a ajuda se limitaria ao caixão e ao transporte do corpo até Ananindeua, ficando os demais custos do velório e sepultamento sob responsabilidade dos parentes.

“Até então, eles falaram para minha filha que iam custear tudo. Quando foi agora, disseram que não, que só iam pagar o que já tinham feito, que era o caixão. O resto era para a gente se virar com os trâmites aqui em Belém. Eles não percebem que não temos dinheiro para isso. Infelizmente não temos condições”, relatou.

Queda

A situação causou revolta entre os familiares, principalmente após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que registraram o momento da queda. Lariza contou que só conseguiu assistir à gravação por meio de uma reportagem exibida na televisão, sem ter recebido o material diretamente do hotel.

“Minha filha nem sentou, ela se encostou e caiu. Poderia acontecer comigo, poderia acontecer com qualquer pessoa, com uma criança. Era só encostar e cair também”, afirmou.

A mãe também disse que o estabelecimento teria pedido que os familiares não comentassem o caso publicamente. Para Lariza, a prioridade agora é cuidar dos netos.

“Eles não entendem que agora eu vou ter que cuidar dessas duas crianças que a Renata deixou aqui. Vou ter que ser mãe para eles, porque minha filha não vai mais voltar”, desabafou.

Tristeza

Ainda abalada com a perda, Lariza descreveu a filha como uma mulher batalhadora, dedicada aos filhos e muito querida pelas pessoas que conviviam com ela. Renata morava em Ananindeua e trabalhava em diferentes atividades para garantir o sustento das crianças, inclusive como motorista por aplicativo e na venda de sushi.

“Se você perguntar aqui na rua quem era a Renata, todo mundo vai falar que era uma mãezona. A Renata tinha amigos em tudo quanto era lugar. Era uma menina muito meiga, muito batalhadora. Não tinha ninguém que tivesse raiva dela”, contou.

A jovem também investia nos estudos e planejava novas oportunidades profissionais. Cursava Gestão de Recursos Humanos e pretendia começar um curso de inglês para tentar conseguir emprego no aeroporto. Segundo a mãe, a jovem fazia planos para o futuro.

“Ela estava vivendo a vida dela, estava sendo muito feliz. Fazia tudo pelos filhos, trabalhava para dar o melhor para eles. Às vezes tirava dela para dar o melhor para as crianças. Eles sempre foram a prioridade dela”, disse Lariza.

Renata estava em São Luís acompanhando o namorado, que participaria de uma competição de pôquer. De acordo com Lariza, o casal mantinha um relacionamento desde junho. A viagem também era uma oportunidade para passear pela capital maranhense.

A mãe contou que conversava diariamente com a filha durante a viagem e recebia vídeos mostrando os lugares que ela estava conhecendo.

“Ela estava radiante. Eu falava sempre com ela. A Renata me mandava vídeos: 'Mãe, olha, aqui é a rua. Mãe, aqui é bacana, é bonito'. A gente recebeu uma notícia dessa. É muito ruim”, lamentou.

Custos do funeral

Além da dor pela perda, a família enfrenta dificuldades para arcar com as despesas da despedida em Belém. Um amigo de Renata, que preferiu não se identificar, contou que está auxiliando os parentes nos contatos com o hotel e com os serviços funerários.

Segundo ele, houve resistência inicial do estabelecimento em aceitar a funerária escolhida pela irmã da jovem para realizar a preparação do corpo e o traslado. Após conversas com a gerência, a situação foi resolvida.

O amigo afirmou que, ao procurar novamente o hotel para tratar das despesas do sepultamento na capital paraense, recebeu a informação de que o estabelecimento não disponibilizaria novos recursos, pois considerava que já havia prestado o auxílio necessário.

“A gerente já me disse que eles já teriam dado o suporte que a família precisava. Essa parte do sepultamento aqui em Belém seria por conta da família e não receberia mais nenhuma ajuda de custo para finalizar todo esse processo”, relatou.

Diante disso, amigos e familiares organizaram uma vaquinha online para arrecadar recursos destinados às despesas do velório e sepultamento, previstos para esta semana.

Uma funerária de Marituba também se solidarizou com a situação e ofereceu, sem custos, os serviços de ornamentação e transporte de amigos e familiares para a despedida de Renata.

As doações podem ser feitas por Pix, utilizando a chave de celular 91 98543-8766, em nome de Jhovana Karoline.

Acidente

Renata morreu na madrugada de terça-feira (3), após cair do sétimo andar do Rio Poty Hotel, localizado no bairro Ponta d'Areia, em São Luís. Uma câmera de segurança registrou momentos antes do acidente, quando ela caminhava pelo corredor do estabelecimento, acompanhada do namorado.

Nas imagens, a jovem aparece carregando uma mochila, que cai no chão. Em seguida, ela tenta se apoiar na janela do corredor, mas a estrutura cede e Renata despenca. O namorado olha pela abertura para verificar o que aconteceu. Pouco depois, um funcionário aparece no local.

Segundo a Polícia Civil do Maranhão, a jovem teria tentado se sentar na janela, mas uma estrutura de alumínio se desprendeu, provocando a queda. O caso é investigado como morte acidental.

O namorado prestou esclarecimentos à polícia e não é considerado suspeito. A perícia na estrutura da janela deverá ajudar a identificar as circunstâncias do desprendimento.

Em nota, o Rio Poty Hotel lamentou a morte e afirmou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação. O estabelecimento também declarou que a segurança de hóspedes, funcionários e visitantes é uma prioridade e que mantém o compromisso de aprimorar os procedimentos internos de prevenção.