Conhecido popularmente como o "médico das estrelas", Francisco Miranda Cruz Filho foi preso na última sexta-feira (23), após descumprir uma medida protetiva de urgência que o mantinha legalmente afastado da ex-mulher. No entanto, menos de 24 horas depois de passar pelo sistema prisional, ele já estava solto e ativo nas redes sociais.
Tudo começou em um restaurante da cidade. De acordo com o registro feito na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), a vítima jantava tranquilamente quando o ambiente de lazer se transformou em motivo de pânico. Segundo o depoimento prestado à polícia, a ex-esposa estava de costas para a entrada do local quando foi alertada pela própria filha do ex-casal. A jovem percebeu que o pai rondava o estabelecimento, passando repetidas vezes de carro com os vidros abertos. Pouco depois, para o espanto da vítima, o médico entrou no local acompanhado de sua atual esposa.
A relação, marcada por atritos passados, possui restrições judiciais rígidas desde junho deste ano. Na época, a Justiça concedeu medidas protetivas à mulher em razão de episódios de ameaças e injúrias, estipulando que o médico deveria manter uma distância mínima de 100 metros da ex-companheira.
Diante do cerco que se fechava — e que, na visão da vítima, violava diretamente a ordem judicial —, restou acionar o 190. Policiais militares se deslocaram rapidamente até o restaurante e abordaram o médico. Conforme o relato oficial, a ele foi comunicado que seria conduzido à delegacia. Contudo, em uma cena no mínimo atípica, o investigado deixou o local dirigindo o próprio automóvel, ladeado pela atual companheira e sob a escolta visual da viatura policial. Na delegacia, a ex-mulher ratificou a representação criminal com base na Lei Maria da Penha.
O caso foi encaminhado para a audiência de custódia realizada já no sábado (24). O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) manifestou-se favorável à concessão de liberdade provisória, pleito prontamente acatado pelo Poder Judiciário. Livre da custódia física, Francisco não demorou a dar sinal de vida no mundo virtual e, já no domingo (25), ele publicou um vídeo em seu perfil no Instagram demonstrando que o episódio carcerário havia ficado para trás.
O desfecho célere gerou questionamentos, levando o Ministério Público a detalhar os critérios que embasaram o pedido de soltura. Em nota enviada ao portal Correio de Carajás, o órgão ministerial ponderou que a existência de indícios de crime não obriga, por si só, a manutenção da prisão preventiva. Para o MP, a prisão cautelar possui natureza excepcional, exigindo a comprovação de um risco concreto gerado pela liberdade do investigado e a insuficiência de outras medidas alternativas. No episódio do restaurante, embora o médico tenha retornado ao local onde a ex-companheira estava — o que configuraria, em tese, a quebra da distância estipulada —, o órgão destacou que "não houve notícia de ameaça verbal, agressão física ou tentativa de contato direto com a vítima".
Apesar da liberdade provisória garantida na audiência de custódia, a situação jurídica de Francisco Miranda Cruz Filho continua sob apuração. As medidas protetivas seguem inteiramente em vigor: ele continua proibido de se aproximar da ex-mulher a menos de 100 metros e deve cumprir todas as demais restrições impostas pela Justiça.

