A morte de Valdirene da Conceição Oliveira, nesta quinta-feira (29), vem gerando forte repercussão nas redes sociais, entre a população do sudeste paraense. Ela estava internada há cinco dias em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Marabá, vítima de ferimentos de uma brutal agressão sofrida no Bairro da Paz. A morte aconteceu na véspera exata de seu aniversário de 40 anos, que seriam completados hoje (30).
O caso, inicialmente tratado como agressão grave, agora ganha contornos definitivos de tragédia e deve ter o inquérito policial convertido para feminicídio. O corpo da vítima deverá ser trasladado para Parauapebas, município onde ocorrerão o velório e o sepultamento.
Conforme os relatos prestados por familiares à Polícia Civil, o ataque ocorreu na residência de Valdirene. O atual companheiro da vítima relatou que os dois estavam em casa consumindo cerveja quando Welton Pereira dos Santos — ex-companheiro de Valdirene, conhecido como “Neguinho” — pulou o muro e pediu bebida. Após ter o pedido negado e ser orientado a se retirar, Valdirene foi abrir o portão. Nesse momento, dois homens que aguardavam do lado de fora invadiram o local. Junto com Welton, eles passaram a desferir golpes de faca e pauladas contra a vítima.
Enquanto a violência ocorria, o atual companheiro afirmou ter ficado acuado dentro do imóvel, ameaçado por Welton que estava armado com uma faca. Ele relatou ter tentado se defender com uma cadeira antes de conseguir escapar. Ao retornar após ouvir os pedidos de socorro, deparou-se com Valdirene caída no chão enquanto os suspeitos continuavam as agressões.
Até o momento, Welton segue foragido, e os outros dois envolvidos na ação ainda não foram identificados pelas autoridades. “Hoje, minha irmã está morta e nós em luto. Nós cobramos justiça. Que esse assassino seja preso, pois está foragido”, cobra Valcilene Conceição Oliveira, irmã da vítima.
Histórico de violência e medo
Para a família, a morte de Valdirene representa o desfecho doloroso de um ciclo de abusos que durou duas décadas. Segundo Valcilene, a vítima conviveu por cerca de 20 anos com ameaças e agressões constantes durante o relacionamento. O pavor provocado pelas intimidações impedia que Valdirene buscasse ajuda policial na época, um padrão que persistiu mesmo após o fim da união.
O histórico relatado à polícia revela episódios extremos de violência ao longo dos anos. Há cerca de quatro anos, após uma ligação informando sobre um suposto acidente de trânsito, a irmã encontrou Valdirene gravemente ferida. Posteriormente, um vizinho revelou que Welton havia passado com o carro por cima da companheira após uma discussão. Valdirene sofreu uma fratura na bacia, passou meses sob os cuidados da família em Parauapebas e, após se recuperar, acabou reatando o relacionamento.
Em outra ocasião, após relatar inicialmente um ferimento no pé, a vítima confessou à irmã que Welton tentara desferir um golpe de facão em sua cabeça, ataque que ela evitou ao erguer a mão para se proteger. Foi após esse episódio que o casal finalmente se separou.
Além disso, há aproximadamente dois anos, a casa de Valdirene foi totalmente destruída após Welton supostamente mandar atear fogo no imóvel, consumindo todos os seus pertences. Apesar da perda, a vítima conseguiu reconstruir a residência e retomar a vida.
Com o falecimento de Valdirene na UTI, a investigação conduzida pela Polícia Civil altera seu curso jurídico, preparando a transição oficial do inquérito para o crime de feminicídio, enquanto a comunidade e a família aguardam o paradeiro dos responsáveis.

