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Golpes financeiros no Pará: saiba como identificar e evitar prejuízos

Polícia Civil faz alerta e orienta sobre riscos de fraudes

O Liberal

7 de novembro de 2026 às 17:00

Golpes financeiros no Pará: saiba como identificar e evitar prejuízos.

Golpes financeiros no Pará: saiba como identificar e evitar prejuízos. ( Foto: Foto: Igor Mota / O Liberal )

O Pará registrou 3.161 casos de estelionato com possíveis indícios de falso intermediário ou outras fraudes entre janeiro e setembro de 2026. O número foi divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). Em todo o ano de 2025, foram contabilizados 3.485 registros dos mesmos ilícitos. Diante da recorrência desse tipo de crime, a Polícia Civil alerta para os principais sinais de golpes financeiros e orienta sobre como agir para evitar prejuízos e tentar recuperar valores transferidos aos criminosos.

Segundo o policial civil Ítalo Felipe Oliveira de Almeida, que atua na Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), os golpes geralmente apresentam características que devem despertar a desconfiança das vítimas. Entre os principais sinais estão a pressa para realizar uma transferência, ofertas com benefícios financeiros muito acima do esperado e coação utilizada para pressionar as pessoas.

“Sempre tem um senso de urgência, sempre tem que ser para aquele momento. Então, sempre é algo muito rápido, ou então é algo muito vantajoso, ou então é uma ameaça”, explicou.

Golpes

Atualmente, três modalidades estão entre as mais recorrentes, conforme o policial: o golpe do falso advogado, o da falsa central telefônica e o do falso intermediário.

No golpe do falso advogado, os criminosos entram em contato com pessoas que possuem processos judiciais e se passam pelos profissionais responsáveis pelas causas. Eles informam que houve êxito na ação e, por meio de técnicas de engenharia social, convencem as vítimas a realizar transferências financeiras, geralmente sob a justificativa de pagamento de taxas ou liberação de valores.

Já no golpe da falsa central telefônica, os criminosos entram em contato por ligação ou mensagem, informando sobre supostas compras realizadas no cartão de crédito ou benefícios disponíveis em programas de pontos. A partir dessa abordagem, tentam obter dados pessoais, informações bancárias e dinheiro das vítimas.

Outra modalidade recorrente é o golpe do falso intermediário, que ocorre principalmente em negociações realizadas em plataformas de compra e venda. Nesse esquema, o criminoso se apresenta como intermediário entre um comprador e um vendedor, mas manipula a comunicação entre os dois para que o pagamento seja direcionado a uma conta de terceiros. A vítima transfere o dinheiro, acreditando que está pagando pelo produto, mas descobre a fraude ao tentar receber o bem negociado.

O que fazer se cair em um golpe

O policial civil orienta que a primeira providência seja entrar em contato imediatamente com a instituição financeira, antes mesmo de procurar uma delegacia. A rapidez na contestação da operação pode ser determinante para uma eventual recuperação dos valores.

No caso de transferências via Pix, a vítima deve acessar o aplicativo do banco e utilizar a opção de contestação da transação. O procedimento permite solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que possibilita a análise e a tentativa de recuperação do dinheiro transferido em situações de fraude.

“Primeiramente, ela deve comunicar ao banco dela. Pelo próprio aplicativo bancário, já entra em contato com a central de atendimento ao cliente. Se for uma transação via Pix, no próprio aplicativo tem uma opção de contestar a transação. Então, você já faz ali. Imediatamente, já faz isso”, orientou Ítalo.

Depois de comunicar a instituição financeira, a vítima deve preservar todas as provas relacionadas ao golpe. Entre os materiais importantes estão capturas de tela das conversas, números de telefone utilizados pelos criminosos, datas e horários dos contatos, comprovantes de transferência, links de redes sociais e endereços de sites ou plataformas de negociação.

“Com essas informações reunidas, a orientação é procurar uma delegacia de Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência e apresentar toda a documentação que possa ajudar nas investigações”, destaca o PC.

O policial ainda ressalta que inverter essa ordem, procurando primeiro a delegacia e deixando para contestar a transação bancária posteriormente, pode prejudicar as chances de recuperação do dinheiro.

“A polícia vai fazer o seu trabalho do mesmo jeito. No entanto, para a tentativa de recuperação dos valores, o ideal é que a pessoa imediatamente comunique o banco para fazer a abertura, se for o caso de Pix, do MED”, destacou Ítalo Felipe.

Policial civil Ítalo Felipe Oliveira de Almeida, que atua na Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe).
Policial civil Ítalo Felipe Oliveira de Almeida, que atua na Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe). (Foto: Igor Mota / O Liberal)

Recuperação do dinheiro

Apesar da possibilidade de contestação das transações, não existe garantia de que a vítima conseguirá recuperar o dinheiro perdido. Segundo Ítalo, o resultado depende de vários fatores.

“Depende muito do caso a caso. Depende da velocidade com que a pessoa faz essa contestação, da própria atuação do banco e se tem valores nas contas beneficiárias para fazer esse ressarcimento”, explicou.

O policial também chama atenção para os golpes de falsos investimentos, nos quais as vítimas realizam transferências sucessivas, acreditando que terão retornos financeiros elevados. “Nesses casos, os criminosos mantêm o contato e incentivam novos depósitos, que podem ocorrer semanal ou mensalmente, até que a pessoa perceba que foi enganada”, disse Ítalo.

Vazamento de dados

Outro fator que facilita a atuação dos criminosos é o acesso a informações pessoais das vítimas. De acordo com o policial, dados como CPF, telefone e nomes de familiares podem ser obtidos por meio de bancos de dados vazados, inclusive em ambientes da internet e ferramentas disponíveis em aplicativos de mensagens.

“Com essas informações, os golpistas conseguem construir abordagens mais convincentes, utilizando dados pessoais e referências a pessoas próximas para conquistar a confiança das vítimas”, aponta Ítalo Felipe.

A prática também dificulta a identificação imediata da fraude, já que o criminoso pode demonstrar conhecer informações que, em tese, seriam de acesso restrito.

Empréstimo criminosos

A investigação dos golpes também pode alcançar pessoas que cedem contas bancárias para receber valores provenientes de fraudes. Segundo Ítalo, existe um mercado de negociação dessas contas em grupos de aplicativos de mensagens, nos quais interessados oferecem contas de diferentes instituições financeiras para movimentar dinheiro ilícito.

O policial explica que, em muitos casos, os titulares sabem que estão emprestando as contas para esse tipo de atividade e recebem um percentual dos valores movimentados.

“Geralmente, a pessoa sabe que está emprestando a conta para receber valores de fraude e recebe um percentual para isso. Inclusive, existem grupos em alguns aplicativos de mensagem de pessoas que anunciam as suas contas para esse tipo de crime”, afirmou o PC.

Ainda conforme o policial, tanto quem pratica o golpe quanto quem fornece conscientemente a conta para receber os valores pode responder criminalmente por estelionato. “Situações envolvendo contas abertas fraudulentamente com documentos falsos também precisam ser consideradas durante a investigação”, detalhou.

Desconfiança

Embora os golpes possam atingir pessoas de diferentes idades e perfis, alguns grupos podem estar mais vulneráveis a determinadas modalidades. Idosos, por exemplo, exigem atenção especial, segundo o policial, principalmente em situações que envolvem pressão emocional e solicitações urgentes de dinheiro.

“Uma das recomendações é que familiares orientem pessoas idosas a desconfiar de pedidos de transferência bancária, inclusive quando aparentemente partem de conhecidos. Uma conta de aplicativo de mensagens pode ter sido invadida por criminosos, que passam a solicitar dinheiro aos contatos da vítima”, frisa Ítalo Felipe.

Outra orientação é estabelecer limites de movimentação nos aplicativos bancários, especialmente para pessoas que não precisam realizar transferências de valores elevados no dia a dia. O recurso pode ajudar a reduzir os prejuízos caso alguém consiga acessar a conta.

Nas negociações de veículos, imóveis e outros produtos, a recomendação é manter contato diretamente com o proprietário e verificar se o dinheiro será transferido para a conta do verdadeiro vendedor. Mesmo que a pessoa que anuncia o produto solicite o pagamento a um terceiro, é importante desconfiar e confirmar a legitimidade da operação.

“Quando for comprar algum objeto, um veículo, um imóvel, que negocie diretamente com o proprietário, que o dinheiro seja transferido para o proprietário e não para nenhum terceiro”, finalizou o PC.