A Polícia Civil identificou dez autores de quatro dos 17 assassinatos que ocorreram entre os dias 5 de setembro e 22 de outubro na cidade de São Paulo e no ABC Paulista, segundo informado pela SSP na noite desta sexta-feira, 23.
Na capital, foram registrados 14 casos, incluindo o de Guimarães, que estão sob responsabilidade do DHPP. Outros três ocorreram em Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo e são apurados pelas delegacias locais.
Ainda de acordo com a SSP, as prisões de oito adultos e a apreensão de dois adolescentes envolvidos nos homicídios foi solicitada à Justiça. A pasta não informou quais são os casos e a motivação dos crimes.
- 4 pessoas são suspeitas de um dos assassinatos; - 3 de outra morte; - 2 de um terceiro crime; - 1 foi identificado como autor de um quarto homicídio.
O delegado-geral, Artur Dian, determinou o reforço de equipes de outros três departamentos nas investigações dos demais casos. Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, voltou a dizer que não há elementos que indiquem ligação entre as ocorrências ou uma mesma autoria.
"Os casos apresentam dinâmicas e circunstâncias distintas. O uso de sacos plásticos ou tecidos em alguns deles, o que, isoladamente, não permite estabelecer relação entre os fatos", explica.
Desova de corpo filmada
Uma câmera de segurança flagrou o momento em que um grupo de quatro pessoas abandonou um corpo no Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo, na noite de quinta-feira, 22.
Esse é o 17º caso registrado na capital e na região metropolitana desde o início de setembro. As imagens foram divulgadas inicialmente pela TV Globo. O Estadão também teve acesso.
No registro, é possível ver um Renault Sandero preto estacionando na Rua Paulo da Silva, próximo ao número 154, às 20h32. Três pessoas que estavam do lado de fora do veículo se dirigem ao porta-malas. Na sequência, o motorista se junta a elas.
O trio retira o corpo do porta-malas e o arremessa em uma área de mata, que fica abaixo de uma mureta, enquanto o motorista observa. Depois, os quatro retornam ao veículo e fogem.
Segundo o boletim de ocorrência, o grupo havia passado pelo local dois minutos antes de descartar o corpo. Eles usavam toucas que cobriam o rosto e dificultavam sua identificação.
O documento aponta que a vítima foi identificada como Jean Victor Sousa Guimarães. O corpo dele estava com as mãos amarradas e a cabeça envolvida em um saco plástico preto.
O tio do jovem, Vinícius dos Santos Sousa, disse aos policiais que Guimarães era natural de Valença, no litoral baiano, e havia se mudado para São Paulo há cerca de dois anos.
Sousa afirmou que não tinha contato com o sobrinho há meses, mas que o jovem era dependente químico e desempregado. Segundo ele, Guimarães morou por um período com a tia, Cristiane dos Santos Lobão, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, mas depois retornou à capital, onde teria passado a cometer pequenos furtos.
O tio relatou que a vítima chegou a se mudar para Santa Catarina em busca de emprego, mas depois voltou a morar com Cristiane em São Paulo. Ele também identificou que Guimarães tinha uma tatuagem com o nome da avó no braço.
Cristiane, por sua vez, disse aos policiais que Guimarães havia ido trabalhar em Santos, no litoral paulista, onde se envolveu em uma briga com um colega de trabalho, que o acusava de furto. Segundo a mulher, a discussão terminou em confronto, e os dois sacaram facas, o que resultou na demissão do jovem.
Depois do ocorrido, Guimarães voltou a morar com Cristiane. Ela afirmou que viu o jovem pela última vez na tarde de quarta-feira, 21, quando ele disse que iria comprar um lanche e não voltou mais.
No boletim de ocorrência, a Polícia Civil afirmou que as primeiras informações indicam que Guimarães foi morto com cinco tiros em um local desconhecido e que o corpo foi descartado na área de mata.
O corpo de Guimarães foi localizado pela Polícia Militar. A corporação afirmou que foi até o local onde a vítima estava após ser acionada, por volta das 20h50, para atender a uma ocorrência de encontro de cadáver.
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

