O pai de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, denunciou nesta quarta-feira (12) a atuação do anestesista Cesar Collyer Carvalho no atendimento à filha, que morreu no último sábado (8), após cirurgias plásticas em Belém. Roberto Carlos Pires Gomes pediu que o profissional e o cirurgião plástico André Melo sejam investigados e responsabilizados, caso sejam identificadas responsabilidades pela morte da jovem.
Cesar Collyer Carvalho também é investigado pela morte de Bernardo Almeida Cavalleiro de Macedo, de 23 anos, ocorrida em agosto de 2023, após um procedimento médico realizado em Belém. O anestesista participou ainda da cirurgia de Giovanna, realizada na sexta-feira (7), no Hospital Beneficente Portuguesa. A reportagem tenta localizar Cesar Collyer Carvalho ou a defesa dele para que se manifeste sobre as acusações e os questionamentos apresentados pelas famílias. O espaço permanece aberto para manifestação.
No caso mais recente, a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Giovanna. A jovem foi submetida a uma abdominoplastia, lipoaspiração, colocação de prótese de mama e enxerto de gordura nos glúteos, em procedimentos realizados pelo médico André Melo. No dia seguinte à cirurgia, Giovanna sofreu três paradas cardíacas e morreu. O caso é investigado pela Seccional do Comércio e também é acompanhado pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA).
A missa de sétimo dia de Giovanna será realizada na próxima sexta-feira (14), às 19h, na Igreja Santo Antônio Maria Zacarias, localizada na rua Boaventura da Silva, nº 1.796, no bairro do Umarizal, em Belém.
Pai de Giovanna pede investigação de médicos
Nesta quarta-feira (12), a reportagem do Grupo Liberal conversou com Roberto Carlos Pires Gomes. Ele pediu justiça pela morte da filha e questionou a atuação dos dois profissionais. Segundo o Roberto, Cesar já trabalhava em parceria com o cirurgião André Melo. Para ele, a relação entre os dois chama atenção diante das circunstâncias que envolveram a morte de Giovanna.
Ainda de acordo com Roberto, tanto o cirurgião quanto o anestesista teriam deixado o local durante o momento mais crítico, quando Giovanna apresentava sinais de que precisava de atendimento. “Ambos se evadiram do local”, declarou.
O pai afirmou que os dois médicos estavam presentes no momento do óbito, mas, na avaliação dele, não permaneceram para prestar o suporte necessário quando a jovem mais precisou. “Na hora que ela mais precisou, eles não estavam”, afirmou.
Roberto disse ainda que, até o momento da entrevista, nenhum dos dois médicos havia procurado a família para prestar esclarecimentos sobre o que ocorreu.
Diante disso, ele defende que a atuação dos profissionais seja apurada pelas autoridades. “Que seja esclarecido. Que seja muito bem esclarecido o que aconteceu e o que causou a morte da Giovanna”, afirmou.
A família também afirma que recebeu relatos de testemunhas informando que, após a confirmação da morte da jovem, Collyer teria ligado para Melo e dito para ele voltar ao hospital porque “havia dado merda”.
Médico André Melo se manifesta
Em nota, o cirurgião plástico André Melo lamentou a morte de Giovanna e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. Diante da repercussão do caso, o médico afirmou que “as circunstâncias relacionadas ao óbito ainda dependem de análise técnica adequada”.
André Melo também declarou que, neste momento, “não existem elementos conclusivos que permitam antecipar suas causas ou atribuir responsabilidades”. Segundo o médico, os esclarecimentos necessários serão prestados às autoridades e aos órgãos competentes, com a apresentação das informações e dos documentos pertinentes.
O cirurgião afirmou ainda que não divulgará informações clínicas ou detalhes do atendimento. Segundo ele, a decisão ocorre “por respeito à paciente, à sua família e ao dever de sigilo médico”.
Ao final da manifestação, André Melo disse confiar que o caso será esclarecido “com a seriedade, a cautela e o rigor técnico que uma situação tão sensível exige”.
Anestesista também é investigado por morte em 2023
A participação de Cesar Collyer Carvalho no procedimento de Giovanna ocorre enquanto o anestesista é alvo de investigação relacionada à morte de Bernardo Almeida Cavalleiro de Macedo, de 23 anos, ocorrida em agosto de 2023.
O caso teve novo desdobramento recentemente, após o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) apresentar denúncia contra Cesar Collyer Carvalho e o cirurgião torácico Augusto Cesar da Costa Sales.
Segundo o MPPA, os dois médicos foram denunciados por homicídio culposo majorado, previsto no artigo 121, parágrafos 3º e 4º, do Código Penal.
A denúncia foi apresentada após a análise do inquérito policial, que, segundo o Ministério Público, reuniu elementos sobre a materialidade do fato e indícios de autoria. O processo ainda aguarda uma decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.
Pai de Bernardo reage à morte de Giovanna
Roberto Macedo, pai de Bernardo, afirmou ao O Liberal nesta quarta-feira (12) que recebeu com revolta a informação de que o mesmo anestesista envolvido no caso do filho também participou do procedimento que terminou com a morte de Giovanna.
“A sensação é de revolta. É uma revolta muito grande, porque esse médico anestesista, não deveria estar exercendo a profissão mais. O Conselho Regional teve a oportunidade de realmente retirá-lo dos quadros pelo que eles fizeram no caso do Bernardo”, disse.
Roberto criticou o fato de o anestesista continuar exercendo a profissão enquanto o caso envolvendo Bernardo ainda possui desdobramentos. Para ele, a morte de Giovanna aumenta a preocupação da família. “O caso do Bernardo foi muito grave e, infelizmente, o corporativismo falou mais alto. Eles (CRM) inocentaram ele [César Collyer], permitindo que o anestesista continuasse exercendo a profissão e, infelizmente, participasse de mais essa morte. A morte dessa moça inocente”, lamentou.
O pai de Bernardo também apontou semelhanças entre os dois casos, mas ressaltou que as circunstâncias de cada morte ainda precisam ser esclarecidas. “O caso dela e o caso do Bernardo são muito semelhantes, porque envolvem a ganância, a mercantilização e a desumanização da medicina”, afirmou.
Segundo Roberto, a família de Bernardo questiona a condução do procedimento realizado em 2023 e afirma que o jovem não teria passado por todos os cuidados pré-operatórios que, na avaliação dos familiares, seriam necessários. “O caso dela, eles operaram fazendo quatro procedimentos sem respeitar os limites do corpo da jovem. Usaram ela como um objeto, uma forma de ganhar dinheiro. E com meu filho não foi diferente, foi a mesma coisa”, afirmou.
Sobre o atendimento de Bernardo, o pai relatou ainda que a família não teria sido informada previamente sobre a necessidade de intubação e questionou os procedimentos realizados durante o atendimento. “Os médicos enganaram, fraudaram e colocaram o Bernardo sem fazer nenhum procedimento pré-operatório nele. Nós não sabíamos que ele seria entubado. Eles o mutilaram na entubação e a gente não sabia nem que ele ia ser entubado”, contou.
Roberto também afirmou que a família questiona a comunicação entre os médicos responsáveis pelo procedimento e a equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “O Bernardo foi abandonado, eles desligaram os telefones, deixaram na UTI e o Bernardo veio a falecer porque a UTI não recebeu nenhuma informação deles. Quem deu informação na UTI na entrada, anotado no prontuário, foi o meu filho, que disse porque ele tinha”, relatou. O pai afirmou que a família continua acompanhando os desdobramentos judiciais e administrativos relacionados à morte do filho.
Caso Bernardo
Bernardo Almeida Cavalleiro de Macedo morreu na madrugada de 10 de agosto de 2023, após ser submetido a um procedimento médico no dia anterior.
Segundo o pai, o jovem havia sido diagnosticado com tuberculose pleural e estava em tratamento quando um novo procedimento foi indicado.
A família esperava que Bernardo retornasse ao quarto após uma cirurgia que, inicialmente, teria previsão de duração de aproximadamente 50 minutos. No entanto, horas depois, os familiares foram informados de que o jovem seria encaminhado para a UTI. Ele morreu durante a madrugada.
Após a morte, a família contratou uma perícia particular para analisar documentos e prontuários e levou os questionamentos às autoridades.
Em relação à denúncia criminal apresentada pelo MPPA, o processo está na Justiça e aguarda decisão sobre o recebimento da acusação. Caso a denúncia seja recebida, os médicos deverão ser citados para apresentar defesa.
Até o momento, as circunstâncias das mortes de Bernardo e Giovanna são objeto de apuração pelas autoridades competentes. A eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos deverá ser definida a partir das investigações e das decisões das instâncias competentes.
