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SAÚDE DOS PETS

Cães e gatos: hábitos dos tutores podem favorecer ganho de peso

Excesso de petiscos, alimentação em quantidade acima do recomendado e falta de atividade física estão entre os fatores associados ao sobrepeso dos animais de estimação

O Liberal

28 de setembro de 2026 às 19:51

A obesidade em cães e gatos é um problema cada vez mais observado na rotina veterinária e pode comprometer a saúde e a qualidade de vida dos animais. Embora o Brasil ainda não tenha um levantamento nacional sobre o tema, pesquisas realizadas em diferentes estados indicam a frequência do excesso de peso entre os pets. Um estudo realizado em São Paulo identificou que 40,5% dos cães avaliados apresentavam sobrepeso ou obesidade.

Uma revisão publicada em 2025 também aponta que hábitos alimentares inadequados, excesso de petiscos, alimentação à vontade e sedentarismo estão entre os principais fatores associados ao ganho de peso dos animais.

Além de fatores como idade e castração, a rotina estabelecida pelos tutores pode contribuir diretamente para o problema. Oferecer alimentos destinados ao consumo humano, dar petiscos com frequência ou disponibilizar quantidades de ração superiores às necessidades do animal pode fazer com que ele consuma mais calorias do que gasta diariamente.

Excesso de petiscos pode contribuir para o ganho de peso

Segundo a professora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, Fabiana Quartiero Pereira, um dos erros mais comuns é considerar que pequenas quantidades de alimentos oferecidas ao longo do dia não interferem no peso do animal. “Normalmente, os pacientes acabam comendo mais do que necessitam. Isso acontece tanto quando a ração fica disponível o tempo todo quanto pelo excesso de petiscos e até de frutas. O problema está nas proporções: uma rodela de banana para um animal de dois quilos representa muito mais do que para um cão de grande porte”, explica.

A especialista destaca que, quando o animal recebe uma ração de boa qualidade e nutricionalmente completa, não há necessidade de acrescentar frutas, verduras ou outros alimentos à dieta sem orientação profissional. Outro cuidado importante é observar a quantidade de ração oferecida diariamente. A recomendação é seguir as orientações do fabricante de acordo com o peso e as características do animal e distribuir a quantidade total em duas ou três refeições.

Alimentação de cães deve ser acompanhada de atividade física

O controle do peso dos animais não depende apenas da alimentação. Passeios, brincadeiras e outras atividades físicas também são importantes para aumentar o gasto de energia e estimular uma rotina mais saudável.

As atividades podem ainda ajudar a mudar um comportamento comum entre os cães: pedir comida como forma de buscar atenção dos tutores. “Muitas vezes o cão fica pedindo comida não porque está com fome, mas porque quer interação. Nesses casos, trocar o alimento por uma brincadeira, um carinho ou um passeio costuma trazer o mesmo benefício para ele”, afirma Fabiana.

De acordo com a professora, outro ponto de atenção é que os cães não apresentam um controle de saciedade tão eficiente quanto os humanos, o que pode fazer com que continuem comendo mesmo quando já consumiram uma quantidade suficiente de alimento. “Também é importante lembrar que o cão não tem um bom controle da saciedade e pode comer até passar mal”, alerta.

Como prevenir a obesidade em cães e gatos?

A prevenção do excesso de peso começa pela combinação entre alimentação adequada, quantidade correta de comida e atividade física regular. O acompanhamento veterinário também é fundamental para avaliar a condição corporal do animal e identificar alterações de peso.

Ao perceber que o pet está ganhando peso, apresentar mudanças no comportamento alimentar ou demonstrar redução na disposição para atividades, o tutor deve buscar orientação veterinária.

Manter o peso adequado ajuda a reduzir riscos à saúde e contribui para uma melhor qualidade de vida dos animais. Por isso, o acompanhamento periódico da condição corporal deve fazer parte dos cuidados de rotina com cães e gatos.

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