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Pesquisadores querem averiguar origem legal da carne na Amazônia

O Radar Verde pretende ser uma ferramenta de informação e orientação sobre a cadeia produtiva da carne

Fabrício Queiroz

Uma pesquisa para investigar os mecanismos de controle e transparência na produção da cadeia da carne será aplicada em indústrias frigoríficas e redes varejistas da região amazônica. A elaboração do indicador denominado Radar Verde é uma iniciativa do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Instituto O Mundo que Queremos, com financiamento da Iniciativa Internacional de Clima e Florestas da Noruega (NICFI) e do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

A ferramenta foi lançada ontem, 27, em uma live em que pesquisadores discutiram dados da problemática que relaciona desmatamento e produção de carne. Ritaumaria Pereira, diretora executiva do Imazon, apontou que o país enfrenta índices crescestes de devastação da floresta depois de um período de queda registrado entre 2004 e 2012, quando houve redução de cerca de 83% no desmatamento. Nesse mesmo intervalo, a pesquisadora relata que a produção aumentou e o valor total da produção agrícola mais que dobrou.

Porém, desde então, com o avanço da perda florestal, observou-se que 90% da área desmatada é direcionada para a formação de pastos, sendo que em 93% desses locais há zonas de compra dos frigoríficos, tanto os que passam por inspeção federal ou estadual. Ocorre que em 2009, o Ministério Público Federal passou a firmar Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o setor produtivo. Os frigoríficos sob TAC não devem comprar gado de fazendas com desmatamento após 2009, que constem na lista de trabalho análogo à escravidão do Ministério do Trabalho, que não tenham registro rural (CAR) e que estejam sobrepostas à áreas de proteção, sejam terras indígenas ou unidades de conservação.

Em razão disso, Ritaumaria Pereira alerta: “de fato hoje, a carne que chega no nosso prato, é muito difícil garantir que ela é 100% livre do desmatamento”. Um dos motivos para isso seria a falta de mecanismos de monitoramento que atestem a origem da carne, evitando, por exemplo, que o gado de fazendas sem TAC seja abatido nos frigoríficos regulares.

Para contornar esse problema, as organizações responsáveis pelo Radar Verde entendem que é necessário fornecer informações para que a população adote práticas de consumo orientadas por parâmetros legais e sustentáveis. “É um indicador para os consumidores saberem quais são os frigoríficos e quais são as redes varejistas que conseguem demonstrar que estão controlando a origem da carne e garantindo que ela não vem de desmatamento na Amazônia”, explicou Alexandre Mansur, pesquisador do Imazon.

A elaboração do indicador se dará por meio do envio de questionários a 113 frigoríficos e 70 supermercados, incluindo as maiores redes de cada estado da Amazônia Legal. O envio da pesquisa ocorrerá na primeira semana de maio e os estabelecimentos terão prazo de até 45 dias para responder. A pontuação do Radar Verde será medida em uma escala de 0 a 100, em que 20% é referente às informações sobre as políticas das empresas e 80% corresponde ao desempenho prático dessas medidas no contexto da cadeia produtiva. A expectativa é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre.

O Liberal
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