Os buggies, veículos que marcaram gerações e se tornaram símbolo de lazer e aventura, continuam reunindo admiradores em Belém por meio da Turma do Buggy Belém, também conhecida como Clube do Buggy Pará. Formado por apaixonados por esses clássicos off-road, o grupo mantém viva uma tradição que vai além do automobilismo, promovendo encontros, passeios e ações que fortalecem o espírito de amizade e contribuem para a preservação desse patrimônio cultural sobre rodas. Com o verão, a união desses momentos combina ainda mais.
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Ronaldo Larrat é comerciário e presidente do grupo. Na década de 90, foi quando ele comprou o primeiro veículo desse tipo. O Clube do Buggy surgiu apenas em 2022, quando amigos tiveram a ideia de montá-lo.
“Era uma equipe de cerca de seis pessoas e, daí para frente, foi crescendo. Belém começou a se apaixonar por buggy. Hoje nós contamos com 32 associados. Geralmente, quando temos um encontro em Belém, vamos ao Portal da Amazônia, na Praça Amazonas ou em Icoaraci. É uma paixão inexplicável”, disse.
A Buggy Romaria
Segundo Larrat, dois eventos se destacam entre as programações do Clube do Buggy Pará. São a Buggy Romaria, criada há 22 anos e realizada sempre uma semana antes do Círio de Nazaré, além da entrega de brinquedos em uma creche localizada em Outeiro, distrito de Belém.

Sobre a homenagem à Rainha da Amazônia, Ronaldo informou que ela sai de trás da Basílica de Nazaré, com carro-som, e com a participação de integrantes do Clube do Fusca. Fora dessas datas importantes, os participantes também marcam presença em eventos de carros antigos promovidos pela Associação Automóveis Antigos do Pará (ASAAP).
Para ele, a sensação de andar em um buggy não tem descrição, ainda mais quando sente o vento batendo no rosto e o contato com a natureza enquanto percorre as estradas. “Belém, de um tempo para cá, está abraçando o buggy, leva para Salinas, Mosqueiro, fazendo passeios. Só quem anda sabe o quão prazeroso é andar de buggy”, ressaltou.
“O buggy é um carro montado do Fusca, motor, suspensão, somente uma carroceria em cima de uma estrutura do Fusca. Hoje, em Belém, temos dificuldade de encontrar peças para buggy, porque muitas lojas que vendiam peças de carros antigos já estão fechando. Essa é nossa maior dificuldade. Existem lojas em Belém em que ainda conseguimos (peças), mas, na maioria, é por meio da internet que conseguimos comprar essas peças”, complementou.
"Brinquedo" diferente
O vice-presidente do grupo, Mauro Rabelo, afirmou que, assim que os integrantes saem pelas ruas da capital paraense, despertam os olhos de todas as faixas etárias, acima de tudo nas crianças. Quando era criança, esse modelo de veículo já chamava a atenção dele. Porém, somente 20 anos atrás comprou o primeiro buggy, tornando essa paixão ainda mais especial. “A criança associa muito o buggy ao carro de brinquedo, que é o nosso brinquedo de adulto. Quando saímos nas ruas, sempre uma visibilidade muito legal e importante", disse.

Com a chegada do verão, o Clube do Buggy realiza passeios para diferentes pontos no Pará, como, por exemplo, Salinópolis, Mosqueiro, Marudá, Outeiro. Entre os passeios que guarda na memória, a viagem de buggy até a Praia de Ajuruteua é o que não sai da memória de Mauro. “Onde tem balneário, a turma está sempre partindo para tornar um final de semana bem agradável com a família e amigos”, afirmou.
Maneira de rejuvenescer a alma
O integrante mais novo do grupo é Marco Antônio Moraes, de 75 anos, oficial da Polícia Militar do Pará da reserva. Ele revelou que, quando era mais novo, já tinha um buggy. Só que, com o tempo, precisou se desfazer do automóvel. Mas, ao chegar aos 70 anos, decidiu “brincar de novo”. “Estamos para rejuvenescer e nascer de novo. Depois que eu comprei o buggy, em Fortaleza (Ceará), cinco anos atrás, entrei no grupo”, relatou.

Para ele, a experiência de doação de brinquedos em Outeiro, feita anualmente, sempre é melhor que a anterior. Por isso, ele guarda com tanto carinho esse momento do ano. “O buggy representa para mim um registro da minha infância e eu relembro muitas passagens da minha vida de quando era mais jovem”, concluiu.