O excesso de trabalho e a sobrecarga emocional são desafios que afetam defensoras e defensores públicos em todo o Brasil. Atenta a essa realidade, a Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Pará (Adpep) lançou a campanha Adpep+ Saúde, iniciativa voltada à promoção do bem-estar físico, mental, psicológico e financeiro dos associados.
O projeto tem como lema “Cuidar de quem cuida” e busca ampliar a atenção à saúde dos profissionais que atuam diariamente na garantia dos direitos da população. Em entrevista ao jornal O LIBERAL, o presidente da Adpep e diretor jurídico da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), Bruno Braga Cavalcante, destacou que o cuidado com a categoria precisa ir além das questões profissionais.
“Muito mais do que um profissional, o defensor é um ser humano que precisa ser olhado na sua integralidade. Se não estiver bem consigo mesmo, não estiver bem de saúde de uma forma global, fatalmente não vai conseguir produzir o mesmo trabalho que produziria se estivesse bem”, afirmou.
A campanha, que começou a ganhar força em agosto deste ano, reúne iniciativas para incentivar hábitos saudáveis e facilitar o acesso a serviços especializados. Entre as ações estão a oferta de personal trainer, com orientação presencial e on-line para diferentes modalidades de exercícios, além de convênios com clínicas médicas, odontológicas, laboratórios e profissionais de saúde. As parcerias contemplam associados da capital e do interior, com condições diferenciadas.
Outra frente importante é a participação da Adpep no mapeamento nacional de saúde ocupacional e psicossocial da Anadep, lançado em agosto. O levantamento busca identificar fatores como ansiedade, alimentação, sobrecarga de trabalho, segurança psicológica e condições de exercício da profissão.
Segundo Bruno Braga, mais de 60 defensores públicos paraenses responderam ao questionário, colocando o Pará na primeira posição em participação proporcional entre os estados e na terceira em números absolutos. Os resultados estão em fase de análise técnica e devem ser divulgados até o fim deste ano.
“Sabemos que o esgotamento físico e mental diante do excesso de trabalho é uma realidade. Mas precisamos de dados. Ninguém planeja nada sem dados. Esse estudo foi justamente para mapear esse cenário e, a partir do diagnóstico, implementar políticas para que os problemas possam ser superados”, explicou.
O presidente também chamou atenção para os efeitos da rotina profissional sobre a vida pessoal, especialmente diante do aumento do trabalho remoto e do tempo de exposição às telas. Para Bruno Braga, a valorização da carreira também passa pelo estímulo ao autocuidado. “Cuidar de quem cuida é a nossa prioridade. A gente cuida muito dos direitos das pessoas e, às vezes, esquece da gente mesmo”, concluiu.
