QUI · 22 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

CONHECIMENTO

Rede liderada pela UFPA vai conectar universidades e internacionalizar pesquisas

Aprovado pela Capes, projeto reúne cinco universidades brasileiras e prevê financiamento por cinco anos para fortalecer a pesquisa e a internacionalização acadêmica

Saul Anjos e Dilson Pimentel

22 de outubro de 2026 às 14:45

Liderada pela UFPA, a Rede Amazônia Global reúne cinco instituições de diferentes regiões do país

Liderada pela UFPA, a Rede Amazônia Global reúne cinco instituições de diferentes regiões do país ( Foto: Foto: Thiago Gomes | O Liberal )

A Rede Amazônia Global permitirá que universidades brasileiras desenvolvam pesquisas com financiamento articulado com instituições de outros países, recebam professores estrangeiros e enviem docentes para o exterior. A informação foi destacada pelo reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Gilmar Pereira, durante o lançamento da iniciativa, nesta quinta-feira (22), em Belém. Aprovado no programa Capes-Global.edu, o projeto terá financiamento previsto para cinco anos e busca fortalecer a internacionalização da pesquisa e da pós-graduação, além de ampliar a visibilidade da produção científica da Amazônia.

Liderada pela UFPA, a rede reúne cinco instituições de diferentes regiões do país: a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), além da universidade paraense. O reitor Gilmar Pereira destacou a importância da iniciativa para a política de internacionalização da UFPA e para o desenvolvimento de pesquisas sobre a Amazônia. “A gente congrega uma rede com as cinco regiões do país e é liderada pela UFPA. E é muito importante, porque a gente vai poder agora fazer pesquisa com financiamento articulado com outros países”, afirmou.

Segundo ele, as cinco universidades poderão receber professores de instituições estrangeiras, enviar seus docentes para outros países e discutir questões relacionadas à Amazônia, como o meio ambiente, o trabalho, as universidades e o desenvolvimento regional. “É uma política muito importante e, mais do que isso, é uma política em rede. Nós queremos, a partir da Amazônia, envolver o Brasil e, ao envolver o Brasil, envolver o planeta. O (programa) Capes Global foi uma política construída pela Capes, muito importante, porque trabalha com a política de rede”, disse.

O reitor também ressaltou o desempenho da iniciativa na seleção nacional. “Foram 33 projetos, nós somos o primeiro projeto de universidades. Ganhamos em primeiro lugar entre as universidades, primeiro lugar para o Brasil é a Fiocruz. Mas, entre as universidades, nós somos a primeira”, completou. Para Gilmar Pereira, outro diferencial é a possibilidade de desenvolver atividades com recursos de financiamento público para além do orçamento de custeio das universidades. "Pela primeira vez  você vai ter um projeto com financiamento público. E, por outro lado, é uma política importante de apresentar o Brasil para o mundo e aquilo que ele está fazendo. No nosso caso, da UFPA, apresentar a UFPA e apresentar a Amazônia”, disse.

VEJA MAIS:

Universidades se unem para ampliar presença da ciência amazônica no exterior Coordenada pela UFPA, a Rede Amazônia Global reúne outras quatro instituições públicas de ensino superior e prevê intercâmbio, mobilidade acadêmica e fortalecimento de pesquisas

Semana da Troca de Livros: UFPA sedia evento até sexta-feira (23/10); saiba mais Para participar, é preciso levar um livro em bom estado, deixá-lo com os monitores, escolher qualquer um do seu interesse e levá-lo para casa

O reitor Gilmar Pereira destacou a importância da iniciativa para a política de internacionalização da UFPA e para o desenvolvimento de pesquisas sobre a Amazônia
O reitor Gilmar Pereira destacou a importância da iniciativa para a política de internacionalização da UFPA e para o desenvolvimento de pesquisas sobre a Amazônia (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Integração entre universidades

A pró-reitora de Relações Internacionais da UFPA, professora Lise Tupiassu, explicou que a Rede Amazônia Global surgiu a partir de uma proposta apresentada ao edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), voltado ao financiamento de projetos interinstitucionais de internacionalização. “Essa rede foi contemplada e foi a primeira entre todas as universidades, as redes de universidades do Brasil das 33 e ela regrupa a Federal de Roraima, Estadual do Maranhão, Estadual do Mato Grosso e Estadual de Maringá”, disse.

A escolha das instituições levou em consideração as características e as possibilidades de complementaridade entre as universidades participantes, que atuam em diferentes contextos geográficos e científicos. “Por que? Porque é uma universidade da região amazônica, outra que também está na Amazônia, mas na tríplice fronteira, uma universidade que está na junção de Cerrado, Amazônia e Pantanal, uma universidade que está na junção da Amazônia com a Caatinga Nordestina e uma universidade no sul do país que tem complementariedades e com isso a ideia é que a gente possa articular uma internacionalização que ganhe um patamar mundial diferenciado”, afirmou.

A estratégia, segundo Lise Tupiassu, pretende ampliar a presença da ciência amazônica no cenário internacional e fortalecer as instituições envolvidas, contribuindo também para reduzir as desigualdades entre as regiões brasileiras no processo de internacionalização. “É uma estratégia para que a gente possa desenvolver em conjunto uma influência maior da ciência amazônica no mundo e fortalecer as nossas universidades como um todo, reduzindo também as assimetrias interregionais na internacionalização”, acrescentou.

Ciência produzida na Amazônia

Lise Tupiassu também destacou a importância de ampliar o alcance internacional das pesquisas desenvolvidas na região. Para ela, a iniciativa pode contribuir para que o conhecimento produzido por pesquisadores amazônicos tenha maior reconhecimento mundial e ajude a formular soluções para os desafios locais. “A internacionalização é um elemento essencial para o impacto da produção científica. Hoje em dia, a maior parte dos referenciais teóricos, dos livros e dos artigos que a gente lê, eles são do norte global, dos Estados Unidos, da Europa. Mas quem entende de Amazônia e quem tem mais condições de criar soluções sustentáveis e eficazes para a Amazônia é quem está na Amazônia”, afirmou.

E completou: “A gente precisa produzir ciência de qualidade, que nós já fazemos, mas fazer com que essa ciência alcance o mundo. Então, a internacionalização é um posicionamento estratégico da Universidade para que a gente globalize o conhecimento a partir da Amazônia e faça com que nós não sejamos apenas um objeto de estudo, mas que nós sejamos também os protagonistas da construção das nossas soluções”, acrescentou.

Momento histórico para as universidades amazônicas

O reitor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), José Geraldo Ticianeli, também participou do lançamento da iniciativa e ressaltou o caráter histórico da aprovação do projeto, que reúne instituições de diferentes estados e fortalece a cooperação científica na região. “Primeiro que nós temos um momento histórico. Pela primeira vez, uma organização de instituições da Amazônia consegue aprovar um projeto na Capes que mostra um processo de integração das universidades situadas na Amazônia, fortalecendo a pesquisa, fortalecendo a internacionalização e integrando as federais, as estaduais e outras redes que são importantes para o fortalecimento da ciência na Amazônia”, disse.

O reitor também ressaltou que a pesquisa desenvolvida na região precisa contribuir para a formação de conhecimento e de profissionais capazes de impulsionar novas investigações e o desenvolvimento regional. Segundo ele, pesquisar na Amazônia é importante, mas fazer ciência é deixar um capital intelectual local para o fortalecimento, para a organização, para a formatação e fomentação de novas pesquisas para o desenvolvimento da nossa região. "Então é um momento histórico e uma honra muito grande a Universidade Federal de Roraima fazer parte dessa rede. Existe a possibilidade do diálogo entre os pesquisadores. Troca de informações, troca de pesquisas”, disse. Ticianeli acrescentou que a integração entre as instituições deve favorecer a aplicação do conhecimento científico em benefício da população amazônica. “Então, fazer parte desse processo nos honra muito porque é uma troca. E essa troca todos nós saímos fortalecidos”, disse.