Muitos paraenses tem se recusado a participar da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2026, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa realizada de 6 de julho até o dia 30 de novembro é uma das mais importantes do Brasil. Os dados serão fundamentais para entender a saúde da população brasileira como um todo. A taxa de recusa no Estado do Pará está atualmente em 20% dos domicílios sorteados, já na Região Metropolitana de Belém (RMB) a recusa atinge 30% dos participantes sorteados.
No Estado do Pará, o levantamento pretende alcançar 7.034 domicílios, distribuídos em 100 municípios, com a atuação de 145 entrevistadores. Uma das inovações desta edição é a coleta de biomarcadores, realizada por técnicos de laboratório parceiro devidamente identificados. A iniciativa terá como público-alvo moradores com 35 anos ou mais da Região Metropolitana de Belém, exceto Barcarena.
Após a realização da entrevista domiciliar padrão, os pesquisadores agendam uma nova visita para a coleta de sangue e urina. Entre os exames realizados estão hemograma, perfil lipídico, ácido úrico, sódio, potássio, hemoglobina glicada, creatinina, sorologia para chikungunya e dosagem de chumbo e mercúrio.
Além do problema enfrentado pelos pesquisadores na recusa pelos entrevistados em participar, outro problema tem sido a recusa em participar da coleta de sangue e urina. Nesta etapa da pesquisa, a recusa tem chegado até 40%. Ou seja, a cada 10 pessoas que participam da pesquisa, 4 se recusam a fazer a coleta.
“Quando vai para o biomarcador que é a inovação da pesquisa que foi lançado neste ano, que é a coleta de sangue e urina, as recusas aumentam ainda mais. 40% de recusa no biomarcador. Agenda o dia para coletar sangue e urina, retorna com laboratório parceiro e tem uma recusa de 40%, uma recusa alta, está tentando fazer um alerta para a população porque os dados são exclusivamente para fins estatísticos. O resultado é disponibilizado para a pessoa gratuitamente, mas o IBGE não tem acesso ao exame. Serve para um balanço geral, do Brasil e do Estado como um todo”, explicou o coordenador estadual da PNS, Carlos Augusto Neto.
Como os domicílios são sorteados para participar da pesquisa do IBGE não é possível fazer a substituição, desta forma ocorre a diminuição dos participantes e a consequente diminuição da abrangência dos resultados. “É muito importante a participação da população na pesquisa, porque é uma pesquisa amostral de domicílios, que são selecionados e não podem ser substituídos. Se a gente perde um domicílio na amostra, a gente perde informações, que estariam ajudando a representar a realidade do nosso Estado. Por ser um tema importante é fundamental fazer um bom retrato da saúde para futuramente poder impactar nas diversas políticas públicas da área”, detalha.
A orientação é que os domicílios sorteados em participar da pesquisa recebam os pesquisadores e concedam as informações, que tem sigilo garantido em lei. Os dados serão utilizados somente para fins estatísticos. A coleta no domicílio é feita por técnicos de laboratório parceiro, acompanhados pelo entrevistador do IBGE, todos devidamente identificados. Os materiais utilizados, como seringas, agulhas e luvas, são descartáveis e de uso único. Somente os participantes terão acesso gratuitamente aos resultados dos exames.
“Ela vai fazer um raio-x da saúde da população, a partir da percepção do próprio morador. Ela vai investigar o acesso da população à saúde, as doenças que atualmente circulam no Brasil, como está a saúde do morador, e a percepção dele da saúde. E também fará diversas correlações com doenças crônicas, vários hábitos de vida, como por exemplo o sedentarismo, investigará o tabagismo, alcoolismo e como isso vai impactar na saúde. A gente vai gerar diversos indicadores em nível de saúde que servirão como base para formulações e ações relacionadas à saúde pública”, ressaltou.
A ideia é criar indicadores biológicos correlacionados com as doenças crônicas não transmissíveis identificadas no questionários, que serão investigadas como doenças vasculares, respiratórias, diabetes e câncer. Alguns exames vão buscar identificar a presença de chumbo e mercúrio na cadeia alimentar.
Os moradores podem confirmar a identidade dos pesquisadores do IBGE. Os empregados do IBGE estarão uniformizados e possuem crachá com informações pessoais, como nome e matrícula, que podem ser confirmadas no site Respondendo ao IBGE.
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