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Pneumo 20 passa a ser oferecida pelo SUS a idosos com 85 anos ou mais no Pará

Sespa prevê chegada de 28.840 doses na próxima semana; vacinação será realizada nos 144 municípios do Estado

Dilson Pimentel
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A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (Pneumo 20) será incorporada à rotina de vacinação de pessoas com 85 anos ou mais no Pará, por meio da Rede de Imunobiológicos Especiais (RIE), conforme as cotas mensais distribuídas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Está prevista para a próxima semana a chegada de 28.840 doses do imunizante, correspondente à estimativa de 51.216 pessoas com 85 anos ou mais no Pará. As vacinas serão distribuídas aos 144 municípios, que realizarão a vacinação conforme a rotina dos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS).

As informações são da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e foram divulgadas nesta segunda-feira (21). É que o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (Pneumo 20) para pessoas com 85 anos ou mais. O imunizante amplia a proteção contra doenças provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, responsável por diferentes tipos de infecções, entre elas pneumonia e meningite.

A Pneumo 20 amplia a proteção contra doenças provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, responsável por diferentes tipos de infecções, entre elas pneumonia e meningite. Com o avanço da idade, as infecções pneumocócicas podem se tornar mais graves e elevar o risco de complicações. A vacina protege contra 20 sorotipos do pneumococo e passa a integrar a estratégia de prevenção destinada à população mais idosa.

Ainda segundo a Sespa, equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) vão fazer busca ativa para identificar os idosos aptos à vacinação. Pessoas com 85 anos ou mais também podem procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS). A vacinação de idosos com dificuldade de locomoção ou acamados será coordenada pelas Secretarias Municipais de Saúde, que também disponibilizarão contatos para o agendamento da vacinação domiciliar e também organizarão visitas aos abrigos de idosos. Até o momento, nenhuma dose foi aplicada em pessoas com 85 anos ou mais no Estado, pois o imunizante ainda não havia sido disponibilizado para esse público no estado.

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Como funciona a vacinação

O esquema de vacinação depende do histórico vacinal de cada pessoa. Para idosos com 85 anos ou mais que nunca receberam vacina pneumocócica, a orientação é de uma dose da Pneumo 20. Quem já recebeu uma dose das vacinas Pneumo 13 ou Pneumo 15 pode receber uma dose da Pneumo 20, respeitando intervalo mínimo de dois meses. Já quem recebeu uma dose da Pneumo 23 deve aguardar intervalo mínimo de um ano para receber a Pneumo 20. Também há situações em que a Pneumo 20 não está indicada dentro dessa estratégia. Quem já recebeu duas doses da Pneumo 23 não tem indicação da Pneumo 20. Da mesma forma, quem recebeu Pneumo 13 ou Pneumo 15 associada a uma dose da Pneumo 23 também não tem indicação do novo imunizante nessa estratégia do SUS.

Por isso, a orientação é que o idoso ou seus familiares levem a caderneta de vacinação ou algum registro das vacinas já recebidas no momento de buscar o atendimento. Não se trata simplesmente de acrescentar mais uma vacina a todos os idosos: é necessário verificar o histórico vacinal e completar a proteção de maneira adequada.

Por que o pneumococo preocupa os idosos

O médico infectologista Alessandre Guimarães explicou que o pneumococo, cujo nome científico é Streptococcus pneumoniae, é uma bactéria que pode estar presente nas vias respiratórias de pessoas saudáveis sem necessariamente provocar doença. Em determinadas circunstâncias, porém, pode causar desde infecções mais comuns, como otite e sinusite, até doenças potencialmente graves, principalmente pneumonia, infecção da corrente sanguínea, sepse e meningite.

Quando a bactéria alcança locais que normalmente são estéreis, como o sangue ou o líquido que envolve o cérebro e a medula, ocorre a chamada doença pneumocócica invasiva, que apresenta risco muito maior de complicações, hospitalização e morte, podendo causar sepse pneumocócica e meningite pneumocócica. O pneumococo, portanto, pode permanecer silenciosamente nas vias respiratórias, mas, especialmente nas pessoas mais vulneráveis, também pode provocar uma infecção grave a gravíssima.

Segundo o infectologista, com o envelhecimento ocorre também o envelhecimento do sistema imunológico, processo chamado de imunossenescência, que reduz a capacidade do organismo de responder com a mesma eficiência às infecções. Além disso, nessa faixa etária existe maior frequência de doenças cardíacas, pulmonares e renais, diabetes e outras condições que diminuem a reserva funcional do organismo. Por isso, uma pneumonia que poderia ter evolução relativamente simples em uma pessoa mais jovem pode, em alguém com 85 ou 90 anos, levar mais facilmente a insuficiência respiratória, descompensação de doenças preexistentes, hospitalização, necessidade de terapia intensiva e óbito.

Dados divulgados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde ajudam a dimensionar essa vulnerabilidade. Em 2025, conforme a Nota Técnica nº 310/2026, a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as causas entre pessoas com 80 anos ou mais foi de quase 3 mil pessoas por 100 mil habitantes. A mortalidade por pneumonia cresce acentuadamente com a idade e pode chegar próximo a um terço das pessoas que são hospitalizadas nessa faixa etária, informou o médico infectologista Alessandre Guimarães.

O que diferencia a Pneumo 20

O infectologista também explicou que a diferença entre as vacinas pneumocócicas está relacionada principalmente ao número de sorotipos contemplados e à tecnologia utilizada. A Pneumo 13 protege contra 13 sorotipos do pneumococo; a Pneumo 15, contra 15; e a Pneumo 20, contra 20. A Pneumo 20 incorpora os 13 sorotipos presentes na Pneumo 13 e acrescenta outros sete: 8, 10A, 11A, 12F, 15B, 22F e 33F. Com isso, amplia a cobertura contra sorotipos epidemiologicamente relevantes no Brasil, que podem causar pneumonia grave em todas as faixas etárias, especialmente na população com 85 anos ou mais.

As Pneumo 13, Pneumo 15 e Pneumo 20 são vacinas conjugadas. Nelas, componentes da cápsula do pneumococo são ligados a uma proteína, induzindo uma resposta imunológica mais elaborada, com participação de células T e formação de memória imunológica. Já a Pneumo 23 protege numericamente contra 23 sorotipos, mas é uma vacina polissacarídica e utiliza uma tecnologia diferente. Por isso, segundo Alessandre Guimarães, não é correto concluir simplesmente que uma vacina é melhor que outra apenas porque apresenta um número maior de sorotipos no nome. É necessário considerar também como o sistema imunológico responde à vacina.

Importância da inclusão no SUS

Para o infectologista, a inclusão da Pneumo 20 no SUS para pessoas com 85 anos ou mais é importante diante da maior vulnerabilidade dessa população às formas graves das infecções pneumocócicas. “As vacinas ao longo das últimas cinco décadas praticamente duplicaram a expectativa de vida da população brasileira”, afirmou. Segundo ele, em meados dos anos 1960 e na virada para os anos 1970, uma pessoa com 50 anos já era considerada idosa.

A ampliação da vacinação, segundo o médico, é importante não apenas para proporcionar mais anos de vida, mas para oferecer mais qualidade aos anos de vida que passam a existir, especialmente por meio da prevenção de doenças graves. Em 14 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica Conjunta nº 310/2026, estabelecendo as diretrizes para a ampliação da vacina pneumocócica conjugada 20-valente no SUS para pessoas a partir de 85 anos, dentro de uma estratégia de promoção do envelhecimento saudável e prevenção das formas graves da doença pneumocócica.

A estratégia, segundo o infectologista, não se limita a evitar um episódio de pneumonia. O pneumococo pode causar doenças graves que afetam diferentes órgãos e sistemas. Nessa população, prevenir uma infecção grave também pode significar reduzir hospitalizações, necessidade de terapia intensiva, perda de autonomia e deterioração funcional, que muitas vezes persistem mesmo depois que a infecção foi controlada.

Ele também ressaltou que uma pessoa que sobreviveu à sepse tende a aumentar em 30% a 50% a chance de voltar a desenvolver o quadro. Além disso, depois de uma internação, muitas pessoas podem permanecer com diferentes tipos de sequelas. “Uma sequela física para quem adoeceu, mas uma sequela social para todos que cuidam e que são familiares da pessoa idosa”, afirmou o médico infectologista Alessandre Guimarães.

Outro ponto destacado pelo médico é o acesso. A disponibilização da vacina pelo SUS permite que essa proteção alcance de maneira mais ampla justamente a população de maior vulnerabilidade. O Ministério da Saúde estima mais de 2,3 milhões de brasileiros com 85 anos ou mais como público-alvo e estabeleceu a meta de vacinar pelo menos 90% desse grupo. Na população muito idosa, a prevenção de uma infecção grave também pode contribuir para preservar a autonomia e a qualidade de vida.

Quais riscos a vacinação pode reduzir?

A vacinação procura reduzir principalmente a ocorrência de doenças graves que podem provocar internação hospitalar, como a pneumonia pneumocócica e a doença pneumocócica invasiva, incluindo sepse e meningite causadas pelos sorotipos presentes na vacina. Com isso, busca-se também diminuir o risco de necessidade de terapia intensiva, complicações, sequelas e morte relacionadas a essas infecções. A estratégia anunciada pelo Ministério da Saúde para pessoas com mais de 85 anos tem entre seus objetivos reduzir complicações, hospitalizações e óbitos.

No idoso, uma infecção respiratória grave não compromete apenas o pulmão. Ela pode precipitar descompensação cardíaca, renal, neurológica e metabólica, especialmente em pessoas que já apresentam doenças crônicas. Mas é importante deixar claro que a Pneumo 20 não previne todas as pneumonias nem todas as meningites. Existem diversos outros agentes capazes de provocar essas doenças. A vacina é dirigida às doenças causadas pelos 20 sorotipos de Streptococcus pneumoniae incluídos no imunizante.

Outros cuidados são importantes

Além da vacinação, a prevenção das infecções pneumocócicas deve fazer parte de um conjunto de cuidados. O infectologista recomenda medidas como higiene adequada das mãos, etiqueta respiratória e boa ventilação dos ambientes, principalmente quando há aglomeração de pessoas com sintomas respiratórios. Para a população com 85 anos ou mais, também é importante evitar o tabagismo e manter doenças crônicas, como diabetes, cardiopatias e doenças pulmonares, adequadamente acompanhadas e controladas.

A prática de atividade física deve ocorrer conforme a possibilidade de cada pessoa, com supervisão médica quando necessário. O médico também destacou a importância das horas de lazer e de sorrir. Outro ponto essencial é manter todo o calendário vacinal do idoso atualizado, e não apenas a vacina contra o pneumococo. Ao anunciar a nova estratégia, o próprio Ministério da Saúde recomendou aproveitar a oportunidade da vacinação contra o pneumococo para verificar e atualizar as demais vacinas previstas para essa população.

A proteção também envolve familiares e cuidadores. Manter a vacinação de toda a família em dia contribui para o chamado “efeito rebanho”. O infectologista chama atenção especialmente para as crianças, que podem atuar como importantes transmissores de doenças respiratórias dentro do ambiente domiciliar. Familiares e cuidadores também devem ficar atentos porque, em pessoas muito idosas, uma infecção grave nem sempre começa com sintomas exuberantes. Mudança do estado geral, sonolência, confusão mental, falta de ar, febre ou perda súbita da capacidade de realizar atividades habituais merecem avaliação precoce.

A grande mensagem, segundo o infectologista, é que o envelhecimento aumenta a vulnerabilidade às infecções, mas não torna suas consequências inevitáveis. A vacinação permite agir antes que a doença aconteça e é uma das principais estratégias para reduzir as formas graves das infecções pneumocócicas.

Quem já tomou outra vacina precisa receber a Pneumo 20?

Não necessariamente, diz o infectologista Alessandre Guimarães. A indicação da Pneumo 20 depende do histórico vacinal de cada pessoa, conforme as orientações estabelecidas na Nota Técnica Conjunta nº 310/2026, publicada pelo Ministério da Saúde em 14 de setembro.

As regras são:

Quem nunca recebeu vacina pneumocócica deve receber uma dose única de Pneumo 20.

Quem recebeu apenas uma dose de Pneumo 13 ou Pneumo 15 deve receber uma dose da Pneumo 20, respeitando intervalo mínimo de dois meses.

Quem recebeu apenas uma dose da Pneumo 23 deve receber uma dose da Pneumo 20, com intervalo mínimo de um ano.

Quem já recebeu duas doses da Pneumo 23 não tem indicação da Pneumo 20 dentro dessa estratégia.

Quem recebeu Pneumo 13 ou Pneumo 15 associada a uma dose da Pneumo 23 também não tem indicação da Pneumo 20 nessa estratégia do SUS.

Por isso, o infectologista reforçou a importância de levar a caderneta de vacinação ou algum registro das vacinas já recebidas. O objetivo é verificar o histórico e completar a proteção de maneira adequada.

 

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