Pará não deve ser afetado por suspensão de carne brasileira na União Europeia, diz Sindicarne
A medida foi adotada pela falta de garantias consideradas suficientes sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco
A suspensão das importações de carne bovina e de aves brasileiras pela União Europeia não deve afetar, neste momento, o Pará, segundo setores ligados à produção e à exportação de proteínas no estado. A medida, anunciada na segunda-feira (31) pela Comissão Europeia, entra em vigor na quinta-feira (3) e foi adotada pela falta de garantias consideradas suficientes sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco, especialmente em relação ao uso de antibióticos na pecuária.
Com relação ao impacto no mercado paraense, o presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Pará (Sindicarne), Daniel Freire, avalia que a não dependência do estado em relação à União Europeia não deve trazer consequências negativas para a exportação de carne em nível local. Segundo ele, o Pará nunca exportou para o bloco, pois não é habilitado para comercializar carne com o mercado europeu.
“Hoje, 77% da exportação do Pará é para a China. E o resto são países árabes, Oriente Médio, Malásia, Filipinas e outros países. Mas a gente não tem nem acesso à União Europeia, nem aos Estados Unidos, nem ao Chile, que são os países para os quais o Brasil exporta mais após a China”, comenta.
Impactos
Apesar disso, se tratando das exportações brasileiras, a medida traz impactos econômicos negativos para o país, na avaliação do presidente do Sindicarne. Segundo ele, a situação deve ser contornada a curto prazo e deve ser prioridade do Ministério da Agricultura. Isso porque, como ele reforça, a utilização de antibióticos é ínfima dentro do próprio país, comparando, inclusive, com outras proteínas, como a suína. A proteína bovina usa muito menos medicamentos, de acordo com Daniel.
“Nesses casos, sempre há impacto econômico. Se você pegar todas as exportações de carne do Brasil, cerca de 6% foi para a União Europeia. Então, se você tirar isso, é certo que os estados que atendem e as indústrias que abatem para atender à União Europeia possam diminuir sua produção também na proporção. Com isso, diminui-se a atividade econômica nesses estados, municípios e nessas indústrias”, acrescenta.
Desconfiança
Com a medida aplicada pela UE, segundo o presidente do Sindicarne, abre-se um precedente que pode gerar desconfiança em outros países importadores, reforçando a necessidade de medidas imediatas por parte do Governo brasileiro. “Isso dá margem para outros países também agirem com protecionismo. Eu espero que seja resolvido de imediato. O Ministério tem todas as ferramentas para resolver”, reforça.
“O Brasil produz majoritariamente boi de capim, ou seja, é um boi extremamente saudável, e isso é para você saber. O Pará, por exemplo, só usa 15,5% do seu território para a produção agropecuária. Então, a gente tem tudo para provar. Só falta o Ministério sentar e resolver essa burocracia com a União Europeia. Esse mercado é muito importante para o país. Apesar de eles comprarem muito pouca carne, eles viabilizam alguns cortes que são importantes para o Brasil”, observa Daniel.
Ele ainda acrescenta: “É muito ruim para o Brasil a gente ter menos acesso a um país. E, como nós estamos num momento em que já não está tendo a cota da China, que encerrou em 2026, menos um mercado piora ainda mais a situação da produção de abate no Brasil. Então, se não tem o mercado da China, não tem o mercado da União Europeia, vai diminuir ainda mais o abate e, com isso, faltam cortes que o mercado interno consome. Quanto mais mercados o Brasil tem, mais sobra um corte que o mercado interno consome”, relata.
Preços locais
Já para o diretor da Faepa, Guilherme Minssen, a medida não deve afetar os preços locais, uma vez que os concorrentes não são competitivos no preço final dos produtos, mesmo com a artificialidade das tarifas: “A Faepa não aceita qualquer barreira comercial como ferramenta política de pressão. O Brasil tem as maiores oferta e qualidade de carne com os menores preços globais”, observa.
“A pecuária paraense já está em busca de outros mercados. Não existe nenhum setor produtivo no planeta que não sofra algum impacto com barreiras. Nossa pecuária é a mais competitiva do mercado e de melhor qualidade sanitária”, acrescenta Minssen.
O diretor da Faepa reforça os protocolos de controle de qualidade da produção bovina brasileira. “A pecuária paraense desde o solo, passando pelo capim e chegando ao boi, não somente cumpre todas as exigências, como produz sem a interrupção da criação de países que têm deficiência de luz ou água potável na criação de ruminantes”, pontua Guilherme.
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