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EMERGÊNCIAS

Pará lidera internações por envenenamentos na região Norte

Nos últimos 10 anos, Estado registrou 2.047 casos, havendo quase 200 internações de 2023 até agora

Dilson Pimentel

10 de setembro de 2025 às 08:00

Nos últimos dez anos, o Brasil contabilizou 45.511 atendimentos em emergências da rede pública relacionados a envenenamento que precisaram de internação

Nos últimos dez anos, o Brasil contabilizou 45.511 atendimentos em emergências da rede pública relacionados a envenenamento que precisaram de internação ( Foto: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil )

O Pará lidera, na região Norte, o número de casos de internações por envenenamento. Nos últimos dez anos,  a região Norte, embora com menor peso absoluto, somou 3.980 registros. O Pará ocupa o primeiro lugar (2.047 casos), seguido por Rondônia (936). E, nos últimos três anos, segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o Pará registrou quase 200 internações por envenenamento.

Conforme dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde, o Pará contabilizou 84 internações por envenenamento em 2023, outras 61 em 2024 e, somente no primeiro semestre de 2025, já foram 49 registros. A maior parte das internações ocorreu em razão da ingestão acidental de medicamentos e de outras substâncias não especificadas. Entre os municípios com mais casos estão Alenquer, Uruará e Marabá.

Ainda segundo a Sespa, os números também revelam a gravidade dos casos fatais. Os dados mais recentes de óbitos, referentes a 2023, apontam 12 mortes por envenenamento no Pará. A maioria foi provocada de forma intencional, por gases e vapores.

Nos últimos dez anos, o Brasil contabilizou mais de 45 mil atendimentos em emergências da rede pública relacionados a envenenamento que precisaram de internação. Os números mostram o registro de um caso a cada duas horas no país, segundo dados divulgados na segunda-feira (8), pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede).

Além de envenenamentos classificados como acidentais ou indeterminados, a Abramede aponta que 3.461 pacientes internados via Sistema Único de Saúde (SUS) sofreram intoxicação proposital causada por terceiros. Com base na série histórica, o país registrou média de 4.551 casos de envenenamento ao ano no período entre 2009 e 2024, informou, ainda, a Agência Brasil.

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Em Belém, o médico intensivista Luiz Felipe Santiago Bittencourt falou sobre os cuidados imediatos de primeiros socorros e o que deve ser feito antes da chegada ao hospital. Em primeiro lugar, chamar ajuda ligando para 192 (Samu), 193 (Corpo de Bombeiros) ou para o Centro de Informações Toxicológicas.

Em seguida, deve-se avaliar a segurança da cena. Se houver risco de exposição, para quem está socorrendo, ao agente nocivo, é preciso esperar a chegada de ajuda especializada. “Deve-se procurar afastar a vítima da possível fonte de intoxicação. Também deve-se reunir necessário reunir o maior número possível de informações sobre o ocorrido (qual substância foi ingerida ou inalada, quantidade e tempo de exposição) e procurar deixar a vítima calma e tranquila”, disse.

Se a vítima estiver consciente, não se deve provocar vômito nem fazê-la ingerir líquidos como água e leite, pois, além de não conseguirem neutralizar os efeitos da intoxicação, podem acelerar o processo de absorção em determinadas situações. “Se a vítima estiver inconsciente, deve-se verificar a respiração. E, se estiver respirando normalmente, deve ser deitada de lado para evitar que possíveis vômitos sejam aspirados e causem asfixia”, explicou o médico intensivista Luiz Felipe.

Se a vítima estiver inconsciente e com respiração anormal, medidas de suporte básico à vida, passíveis de serem conduzidas por socorrista leigo até a chegada de ajuda especializada, devem ser iniciadas - sempre com o cuidado de não entrar em contato com a substância que causou a intoxicação.

Principais causas

Ainda segundo o médico, os medicamentos, como analgésicos, anti-inflamatórios, antidepressivos e sedativos costumam ser as causas mais frequentes. Porém, produtos domésticos de limpeza, como alvejantes e detergentes, são causas importantes, sobretudo na população pediátrica. Os pesticidas aparecem como causa relevante principalmente em exposições ocupacionais. “Devemos sempre lembrar também da importância das drogas recreativas e do álcool como importante causa de intoxicação grave”, disse. Nos ambientes confinados, como garagens, a intoxicação por monóxido de carbono e gases tóxicos devem ser sempre lembradas.

De acordo com o levantamento, envenenamentos relacionados a drogas, medicamentos e substâncias biológicas não especificadas (6.407 casos), a produtos químicos não especificados (6.556) e a substâncias químicas nocivas não especificadas (5.104) aparecem no topo da lista. O estudo mapeou ainda as principais causas identificadas em episódios acidentais de envenenamento. Nesse recorte, envenenamentos por exposição a analgésicos e a medicamentos para aliviar dor, febre e inflamação lideram a lista, com 2.225 casos. Na sequência, aparecem episódios envolvendo pesticidas (1.830), álcool por causas não determinadas (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941).

Regiões do país

A distribuição geográfica mostra que o Sudeste concentra quase metade dos casos, com mais de 19 mil ocorrências em 10 anos. O estado de São Paulo responde, sozinho, por 10.161 registros, seguido por Minas Gerais (6.154). O Sul aparece em segundo lugar, com 9.630 atendimentos — sendo o Paraná (3.764)) e o Rio Grande do Sul (3.278 mil) os estados mais afetados. Já o Nordeste totalizou 7.080 casos, com destaque para a Bahia (2.274) e Pernambuco (949).

No Centro-Oeste, foram 5.161 internações por envenenamento, lideradas pelo Distrito Federal (2.206 casos) e por Goiás (1.876l). A Região Norte, embora com menor peso absoluto, somou 3.980 registros no período, liderados pelo Pará (2.047) e por Rondônia (936).

Ao analisar as 3.461 internações por intoxicação proposital ou causada por terceiros, novamente, a maioria dos casos se concentra na Região Sudeste, com 1.513 casos ao longo do período analisado. No entanto, as outras cinco aparecem com totais muito próximos: o Sul registrou 551 ocorrências, o Nordeste, 492 ocorrências, o Centro-Oeste, 470 ocorrências, e o Norte, 435 ocorrências.

Em números absolutos, ocupam o topo do ranking os seguintes estados: São Paulo (754 casos), Minas Gerais (500 casos), Pará (295 casos), Paraná (289 casos), Goiás (248 casos), Bahia (199 casos), Rio de Janeiro (162 casos) e Santa Catarina (153 casos). No outro extremo aparecem Amapá (16 casos), Sergipe (8 casos), Alagoas (4 casos), Acre (3 casos) e Roraima (1 caso).

Perfis das vítimas

Os dados trazem também informações gerais sobre o perfil das vítimas de envenenamento, seja proposital ou acidental, sendo que a maioria dos casos envolve homens (23.796 registros). Com relação à idade das vítimas, o destaque são adultos jovens com idade entre 20 anos e 29 anos, que respondem por 7.313 registros, e crianças de 1 a 4 anos, que concentram 7.204 registros. As faixas com menos casos são bebês com menos de 1 ano e idosos, com idade entre 70 e 79 anos (com 1.612 registros) e com 80 anos ou mais (968).

Em dezembro de 2024, três pessoas de uma mesma família morreram no município de Torres (RS) após consumirem um bolo contaminado com arsênio. A nora da mulher que preparou o bolo foi presa acusada de ter envenenado a farinha usada no alimento.

Em janeiro de 2025, uma refeição adulterada com inseticida e oferecida durante uma ceia de Réveillon na cidade de Parnaíba (PI) deixou nove pessoas intoxicadas, das quais cinco morreram em decorrência do envenenamento – incluindo um bebê de menos de 2 anos.

Orientações à população

Ainda sobre o tema, o médico repassou algumas recomendações:

Jamais hesitar em pedir ajuda especializada imediata.

Não subestimar a gravidade da situação.

Não utilizar “antídotos” populares (como ingestão de água e leite).

Buscar medidas simples de afastamento da vítima da fonte de intoxicação e ter especial e imediata atenção às vias de respiração da vítima.

Fonte: Médico intensivista Luiz Felipe