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GOVERNO FEDERAL

Pará concentra cinco projetos em seleção da Finep que destina R$ 148,8 milhões à Amazônia

A seleção é uma iniciativa da Finep, agência de fomento à inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e busca ampliar a capacidade de pesquisa e inovação na região

Fabyo Cruz

17 de agosto de 2026 às 18:01

Imersão de alunas no campus de pesquisa do museu emílio goeldi

Imersão de alunas no campus de pesquisa do museu emílio goeldi ( Foto: Foto: Thiago Gomes | O Liberal )

O Pará teve cinco projetos aprovados na chamada pública Pró-Amazônia 2025, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e foi o estado com o maior número de instituições contempladas na seleção voltada ao fortalecimento da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica na Amazônia Legal. Ao todo, 17 iniciativas de sete estados receberão R$ 148,8 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

A seleção é uma iniciativa da Finep, agência de fomento à inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e busca ampliar a capacidade de pesquisa e inovação na região. Além do Pará, foram contempladas instituições do Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Roraima, Amapá e Tocantins.

No Pará, estão entre as instituições selecionadas a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Museu Paraense Emílio Goeldi (Mpeg) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Os projetos abrangem áreas estratégicas, como biotecnologia, biodiversidade, genômica, ciência de dados, agricultura e tecnologias digitais.

Biotecnologia

A Unifesspa foi contemplada com um projeto para implantação de uma plataforma multiusuária avançada voltada à biotecnologia e à valorização da biodiversidade amazônica. A proposta busca ampliar a estrutura disponível para pesquisas e favorecer o desenvolvimento de soluções a partir dos recursos naturais da região.

A UFPA, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, também integra a seleção com uma iniciativa voltada à biotecnologia no interior da Amazônia. O projeto envolve pesquisas em genômica, biomoléculas e ciência de dados aplicadas à preservação da biodiversidade.

Já a Embrapa no Pará participa da seleção com um projeto voltado ao desenvolvimento de tecnologias digitais para o manejo integrado de açaí e abelhas sociais na Amazônia Oriental.

Investimento

Ao todo, foram apresentadas 148 propostas à chamada pública, que somavam R$ 1,19 bilhão em recursos solicitados. Após a etapa de habilitação, 136 projetos, com demanda de R$ 1,09 bilhão, seguiram para avaliação.

No resultado preliminar, 16 iniciativas haviam sido recomendadas, com R$ 140,1 milhões em recursos. Durante a fase recursal, 56 propostas apresentaram recursos. Desse total, 20 pedidos foram deferidos total ou parcialmente pelo Comitê Recursal.

Com a conclusão dessa etapa, um novo projeto foi incorporado à seleção, elevando para 17 o número de iniciativas contempladas e para R$ 148.779.471,82 o volume total aprovado.

O Amazonas e Mato Grosso tiveram três instituições contempladas cada. Maranhão, Roraima, Amapá e Tocantins tiveram uma ICT selecionada cada. Entre as instituições aprovadas estão ainda o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a Universidade Federal de Roraima (UFRR) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto Leônidas e Maria Deane, no Amazonas.

Pesquisa

Os projetos selecionados abrangem diferentes áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico da Amazônia Legal. Entre elas estão biotecnologia e valorização da biodiversidade, agricultura sustentável e agroecologia, energias renováveis, gestão de recursos hídricos, desenvolvimento urbano sustentável, saúde pública, tecnologia da informação e comunicação, inteligência artificial e conectividade.

Entre as iniciativas aprovadas estão ainda a consolidação de pesquisas em energias renováveis na Universidade Federal de Roraima e a implantação de um laboratório integrado de pesquisa em Saúde Única na Amazônia Legal pelo Instituto Mamirauá.

Também foram selecionados projetos relacionados à microbiota amazônica como fonte de soluções biotecnológicas, com participação da Embrapa e de universidades da região, além de pesquisas para o desenvolvimento de ensaios de vigilância imunológica de doenças emergentes na Amazônia Legal, conduzidas pela Fiocruz Amazônia em parceria com outras instituições.

Redes

Uma das novidades da chamada Pró-Amazônia 2025 foi a possibilidade de formação de arranjos em rede. Cada instituição executora poderia se associar a até duas coexecutoras, sendo no máximo uma delas localizada fora da Amazônia Legal.

Com esse modelo, instituições do Piauí, Paraná e São Paulo também participaram da seleção como coexecutoras. No entanto, o edital restringiu os tipos de recursos que poderiam ser destinados às instituições de fora da Amazônia Legal. Juntas, elas ficaram com apenas 0,082% do valor total financiado pela Finep na chamada.

Cada proposta poderia solicitar entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, incluindo recursos para bolsas de estudo. Segundo a Finep, o formato contribui para a fixação de pesquisadores na região, a formação de redes de pesquisa e a ampliação da capacidade científica e tecnológica da Amazônia Legal.

A quantidade de propostas apresentadas também evidencia a demanda da comunidade científica regional por investimentos em infraestrutura. O volume solicitado pelas 148 inscrições foi cerca de oito vezes superior ao montante finalmente aprovado, reforçando a dimensão da procura por recursos destinados à pesquisa e inovação na região.