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PARÁ

Pandemia faz moradores e animais enfrentarem dificuldades em Algodoal

Novo coronavírus causa impactos na ilha e comunidade pede ajuda contra covid-19

Dilson Pimentel, com informações da UFRA

7 de abril de 2020 às 15:00

Modificado em 7 de abril de 2020 às 15:02

Algodoal sofre na encruzilhada da covid-19: faltam alimentos para moradores e animais

Algodoal sofre na encruzilhada da covid-19: faltam alimentos para moradores e animais ( Foto: Oswaldo Forte )

Por causa do novo coronavírus, a Ilha de Maiandeua, conhecida popularmente como Ilha de Algodoal e localizada na região nordeste do Pará, vive uma situação crítica que tem afetado tanto a população humana quanto a população animal. Cavalos e burros estão morrendo de fome e famílias sofrem os impactos na renda por causa da falta de movimento nas praias. 

Para a ilha, que exerce extrema importância para o turismo, a economia, a cultura e o meio ambiente no Estado, destaca-se a importância dos animais para a economia e a cultura locais. Muitas famílias utilizam as charretes com uso de tração animal (equídeos) como fonte de renda, destaca a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).  

E, com o distanciamento social dos nativos da ilha, prezando sua saúde, a população, que vive quase exclusivamente do turismo, está passando por dificuldades financeiras em função da queda na arrecadação.

“Como grave consequência da situação exposta, os animais utilizados como meio exclusivo para o transporte vêm sofrendo consequências ainda mais graves que a dos os humanos, tendo em vista a falta de verbas de seus tutores na aquisição de alimentação para suprir as necessidades biológicas dos mesmos”, alerta o professor Djacy Ribeiro, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). A ilha possui entre 60 e 65 equídeos atualmente.

Mobilização arrecada alimentos


Sensibilizados com a atual situação pela qual passam os equídeos na ilha, diversas instituições estão se mobilizando em uma grande campanha para arrecadação de fundos para aquisição de alimentos na forma de ração balanceada peletizada para equinos tipo manutenção.

O Projeto Carroceiro da Ufra e a Divisão Especializada em Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa), antiga Dema, da Polícia Civil do Pará, estão à frente da campanha, com apoio do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos dos Animais, dos Veterinários da Amazônia e da Empresa de Medicina Veterinária Preventiva Júnior (EMEVEP Jr).

A arrecadação financeira será efetuada em conta bancária da EMEVEP Jr., que possui CNPJ e é formada por acadêmicos do curso de Medicina Veterinária da Ufra. Também é possível doar diretamente a ração na sede da Demapa, em Belém.

As metas da campanha

O objetivo dos esforços é arrecadar 5 toneladas de ração industrial balanceada e peletizada para equinos – tipo manutenção, para alimentação de todos os equídeos da ilha pelo período de 30 dias.

Algodoal mantém hoje entre 60 a 65 equídeos, com peso médio de 250 kg cada. Planejando oferta diária necessário, isso resulta em um consumo 162,5 quilos por animal a cada dia. Portanto, um total aproximado de 5.000 quiilos por mês.

Como participar

- Entrega direta de ração na Demapa;
- Efetuar depósito bancário:
anco: 290 - PagSeguro Internet S/A
Agência: 0001
Conta: 02282251-4
CNPJ: 26.459.141/0001-60

Gargalos do turismo e da saúde afetam a ilha
Gargalos no turismo e saúde afetam ilha (Macio Ferreira / Agência Pará)

População cita precariedade na saúde


Sobre essa campanha, o texto que está circulando pelas redes sociais diz: “Amigos e amigas, Maiandeua (como a ilha também é conhecida) pede ajuda em caráter emergencial. Alimentos não perecíveis, produtos de higiene e ração para animais como cavalos, cães e gatos”.

Um dos voluntários dessa campanha, Ailton dos Santos Costa, que tem uma pousada na ilha, mas que está fechada desde a confirmação do primeiro caso da covid-19 no Pará, pede que as doações sejam feitas, em horário comercial, na Divisão Especializada em Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa), antiga Dema, na avenida Augusto Montenegro, km-1, n°155. , no bairro da Marambaia. Quem quiser ajudar também pode ligar para o Ailton, no número (91) 991320519. “Em nome dos nativos de Maiandeua agradecemos antecipadamente”, diz o texto da campanha.

Na ilha, que tem um cenário paradisíaco, uma das principais atrações são as charretes, puxadas por cavalos. Com nomes de marcas de veículos, as charretes transportam os turistas até os hotéis e pousadas da ilha. E, também, pelas praias.

Mas, sem o movimento de turistas, que é a base da economia local, os moradores estão com dificuldades para se manter. E, com eles, também sofrem os animais.

“Algodoal não tem médico da família há mais de ano. O posto está entregue. Não tem enfermeiro, só técnico em enfermagem. Não há remédios para diabetes e hipertensão”, disse Ailton. “O postinho (a Unidade de Saúde da Família) está com um balão de oxigênio. Se duas pessoas passarem mal, tem que escolher quem vai ser atendida. Não tem luva, não tem máscara, não tem álcool em gel, nem nada. Se tiver sabão para os moradores já ajuda”, afirmou.

“O cara tem a proteína, que é o peixe, mas não tem o arroz, o feijão, o açúcar, o leite, biscoito. Nada. Se passar mal, também não tem como sair da ilha, pois o trapiche está quebrado.  Tem que ‘pular’ do barco (pra chegar à margem). Mas, se a maré estiver seca, fica inviável mais ainda”, acrescentou.

Sobre isso, a redação Integrada está tentando contato com a Prefeitura de Maracanã para obter respostas. Até o momento ainda não obtivermos respostas.