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NATAL

Nos hospitais, pacientes recebem doses de ânimo e esperança para o Natal

Várias programações, em diferentes hospitais, tentam levar um pouco de alegria para quem vai passar a data familiar ainda em um leito

João Paulo Jussara / O Liberal

26 de dezembro de 2021 às 09:00

Na quinta-feira, o coral da Fundação Carlos Gomes visitou pacientes da Santa Casa de Misericórdia e fez uma apresentação especial que emocionou também a equipe técnica da instituição

Na quinta-feira, o coral da Fundação Carlos Gomes visitou pacientes da Santa Casa de Misericórdia e fez uma apresentação especial que emocionou também a equipe técnica da instituição ( Foto: Thiago Gomes / O Liberal )

A celebração do natal é um dos momentos mais aguardados do ano para muitas famílias. Estar cercado de amigos e parentes acende o espírito natalino e renova as esperanças. Mas nem todos têm a oportunidade de comemorar a data da forma que gostariam. Para as pessoas acamadas em hospitais, será um dia diferente, mas ainda assim, pode ser repleto de carinho e amor. Por isso, qualquer ação de solidariedade, como campanhas de doação de presentes, contação de histórias, apresentações musicais e outras, fazem total diferença na vida desses pacientes, e podem trazer conforto e ainda mais força para enfrentarem as enfermidades.

As vozes que ecoaram nos corredores da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, na manhã de quinta-feira (23), levaram sorrisos e despertaram a atenção de crianças e adultos que enfrentam longos períodos de internação. Formado há 26 anos pela maestrina cubana Maria Antonia Jimenez, o Coro Carlos Gomes se apresentou pela primeira vez na unidade. No repertório, canções natalinas e que trazem mensagens de esperança, acompanhadas pelas notas de um violino e ritmadas com o batuque de um pandeiro.

Encantado com o violino, que nunca tinha visto pessoalmente, e com as vozes dos coralistas, o pequeno Vagner Almeida, de nove anos, ficou impressionado com a apresentação. Os olhos brilharam e, a cada canção, o sorriso de orelha a orelha e os aplausos entusiasmados mostraram que o menino tem interesse pela música. "Eu gostei muito de ver eles cantarem. Eu amo música e já toquei pandeiro lá na minha cidade", contou.

Vagner é morador de Breves, no Marajó, e nasceu com a Síndrome de Prune Belly, uma doença congênita rara caracterizada pela ausência de musculatura na parede abdominal e que causa insuficiência renal. Ele está há oito meses internado na Santa Casa, fazendo hemodiálise diariamente, e este será o primeiro natal que vai passar em um hospital. "É difícil pra nós, não só pra mim, mas pra todos os pais que aqui estão. Uma realidade diferente, sair da nossa cidade, onde somos estruturados, e vir pra uma cidade grande. Mas Deus está na frente e sabe de tudo, creio que lá na frente ele tem algo pra gente", disse o técnico em enfermagem Evanoel Almeida, pai de Vagner.

Ele conta que o filho é muito apegado ao natal, e por isso, ações solidárias como a do Coro Carlos Gomes trazem alegria ao garoto. No mesmo dia, ele também recebeu presentes de missionários de uma igreja, que lhe deram um helicóptero e bonecos de super-heróis. "São várias ações que fazem aqui. Essas terapias são fundamentais, distraem as crianças, deixam tudo mais leve, e eu vejo que todos eles ficam muito felizes. Todo mundo sente falta disso e sempre que alguém chega aqui ele fica feliz, ganha presente, dá um sorrisão", afirma Evanoel.

A maestrina Maria Antonia Jimenez conta que a apresentação, além de trazer conforto e alegria aos pacientes, também serviu para homenagear os profissionais da saúde, que trabalharam duramente durante a pandemia de covid-19. "É uma sensação muito compensadora, reconforta o nosso espírito. É uma realidade dura, então a gente poder trazer um momento assim, é pouco tempo, mas a gente faz do fundo do coração, para que eles saibam que somos gratos por tudo que fazem, e desejar coisas boas para os que estão doentes", disse, emocionada.

Ações ajudam no tratamento dos pacientes

A terapeuta ocupacional Clevia Dantas explica que as enfermidades trazem, também, uma condição de alteração dos aspectos emocionais e biopsicossociais, e por isso é tão importante que haja esses momentos de distração. "O paciente se afasta de sua casa, passa uma longa permanência no hospital, então essa ruptura da vida cotidiana faz ele adoecer por outros fatores. E a música vem para ressignificar esse contexto, entendendo que o hospital não é só um lugar para doentes, mas para renovar as forças e possibilitar que vejam a vida de um outro modo", pontuou.

Ela afirma que essas ações são parte de uma estratégia chamada "dispositivos de humanização", que contribuem para renovar a força do paciente, trazer autoestima e motivação para que eles tenham um bom enfrentamento à doença. "São estratégias para que a gente possa entender que, mesmo dentro de um hospital, a gente pode contribuir através de algo lúdico, de um olhar de que o hospital pode trazer benefícios", concluiu Clevia Dantas.

No Hospital Materno Infantil de Barcarena, os pequenos pacientes receberam presentes e programação especial
No Hospital Materno Infantil de Barcarena, os pequenos pacientes receberam presentes e programação especial (Ascom HMIB)

Hospitais do Pará promovem várias ações de natal

Além da Santa Casa, vários outros hospitais da capital e de outros municípios paraenses promovem ações solidárias de natal para seus pacientes. O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, desenvolve todos os anos várias ações socioeducativas no período natalino. Este ano, as crianças fizeram cartinhas com pedidos de presentes, ouviram histórias de natal, assistiram apresentações de grupos teatrais e musicais, visitas de robôs iluminados, mascotes de times de futebol e várias visitas do Papai Noel.

No Hospital Jean Bitar, pacientes e acompanhantes participaram da "Oficina do Natal Solidário", que contou com 38 participantes que produziram 56 cestinhas decorativas feitas com materiais recicláveis e contendo bombons e presentes. As cestinhas foram entregues no dia 20, juntamente com outros presentes arrecadados junto aos colaboradores da unidade hospitalar.

Já o hospital Ophyr Loyola (HOL), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), trouxe à unidade, por meio do projeto "Sons de Acolhimento", os integrantes da Amazônia Jazz Band para tocar canções populares natalinas, com a presença do papai noel. Ao longo do mês de dezembro, profissionais e voluntários da unidade se juntaram para proporcionar momentos de alegria e conforto aos pacientes internados, promovendo diversas atividades temáticas.

No Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), no município de Breves, sudoeste da região marajoara, os festejos natalinos começaram ainda no início do mês, com a decoração do ambiente hospitalar. Nos dias 20 e 21, os usuários e acompanhantes do Centro de Hemodiálise do HRPM, participaram da programação natalina que contou com sorteios de brindes, entregas de lembrancinhas, lanche especial e acolhimento humanizado.