O mercado de efeitos pirotécnicos tem incorporado novas tecnologias para ampliar o impacto visual dos espetáculos e reduzir o barulho provocado pelos fogos de artifício. A mudança acompanha a preocupação com os efeitos dos estampidos sobre pessoas autistas com sensibilidade auditiva, idosos, crianças e animais, além das exigências de segurança e das regulamentações para o setor. Responsável pela Box Eventos, empresa que atua em grandes shows, o empresário Leonardo Cruz explica como essas transformações têm modificado a produção dos espetáculos e exigido adaptações dos profissionais da área.
Entre as principais tendências do setor de pirotecnias estão o desenvolvimento de fogos de baixo ruído, o uso de sistemas eletrônicos de disparo, que permitem sincronizar os efeitos com a música e a programação dos espetáculos, e a combinação da pirotecnia com recursos como máquinas de fogo e jatos de CO2. As tecnologias ampliam as possibilidades de criação de apresentações e permitem maior controle sobre a execução dos efeitos, enquanto a escolha de artefatos com menor impacto sonoro atende à demanda por espetáculos mais adequados a diferentes públicos.
Conforme o empresário Leonardo Cruz, todo o setor sempre busca acompanhar as tecnologias desenvolvidas.
“A pirotécnica é uma cultura mundial que vem se adequando ao molde de cada país. Nós temos países que têm leis que liberam os fogos com grandes efeitos, com polegadas maiores, e temos países com legislações voltadas para polegadas menores, que consideramos fogos de baixo ruído”, explica Leonardo.
Segundo o empresário, a redução do tamanho dos artefatos utilizados nos espetáculos acompanha mudanças nas legislações e uma valorização cada vez maior dos efeitos visuais. Ele afirma que, no Brasil, as restrições aos fogos com estampido contribuíram para que o setor adaptasse os produtos e as apresentações.
“Hoje os fogos são muito mais voltados para efeitos do que para algo estrondoso, com grandes volumes de barulho. Belém do Pará também se adequou muito a esse processo, assim como o estado do Pará. Nós temos um decreto hoje dentro do estado que proíbe fogos com estampido, de grandes polegadas, e a gente veio se adequando a esse processo”, afirma.
Maior efeito visual
Uma das principais mudanças está na dimensão dos artefatos e na composição dos materiais responsáveis pelos efeitos produzidos no céu. Leonardo explica que os fogos tradicionais de maiores proporções utilizavam bombas com cargas maiores, enquanto as versões adaptadas priorizam a redução do volume sonoro sem deixar de produzir cores e formas durante as apresentações.
“As baladas são o que colocam dentro dos artefatos de bomba pirotécnica para que possamos fazer as cores, os efeitos no céu. Com o decorrer do tempo, essas baladas foram diminuindo para polegadas menores e os efeitos foram abrilhantando cada vez mais o nosso céu”, detalha.
De acordo com ele, a redução das dimensões dos fogos não significa necessariamente uma perda de qualidade visual. A proposta é concentrar os recursos na apresentação dos efeitos, em vez de privilegiar a intensidade dos estampidos.
“Em vez de a gente ter uma bomba com uma balada e com uma polegada maior, a gente diminuiu a polegada e fez com que a balada ficasse menor e com os efeitos maiores”, afirma Leonardo.
Ao falar da transformação, o empresário cita a redução de artefatos que antes chegavam a oito polegadas para modelos de dimensões mais baixas. Segundo ele, essa adaptação permite direcionar o espetáculo para o impacto visual, embora o resultado dependa dos equipamentos e da configuração de cada apresentação.

Espetáculos menos ruidosos
A preocupação com os efeitos do barulho sobre pessoas neurodivergentes, especialmente autistas com hipersensibilidade auditiva, além de idosos, crianças e pets, também faz parte das discussões sobre o futuro do mercado. Nesse cenário, a adaptação dos produtos e o cumprimento das normas de segurança são aspectos importantes para a realização dos espetáculos.
Leonardo afirma que a atividade depende de documentação e de autorizações emitidas pelos órgãos responsáveis, entre eles o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e o Exército Brasileiro, conforme as exigências aplicáveis a cada operação. Ele também chama a atenção para o uso de fogos com estampido comercializados em estabelecimentos de bairro, especialmente durante comemorações esportivas.
“Esses fogos vendidos em pequenos comércios são utilizados principalmente no momento de festejo de um time de futebol, aniversários, festas em família etc. São artefatos que acabam prejudicando essa cadeia, porque são fogos com barulho utilizados próximos de prédios, residências, asilos e hospitais. Não recomendamos o uso, pois pode gerar problemas para quem tem sensibilidade”, avalia.
Na visão do empresário, o uso desses produtos em áreas residenciais representa um desafio para o setor, que busca adaptar os espetáculos às exigências legais e reduzir os impactos da atividade sobre a população.
Segurança
Além da escolha dos artefatos, a realização de um espetáculo pirotécnico exige planejamento técnico, delimitação das áreas de disparo e autorização dos órgãos competentes. Antes da apresentação, a equipe prepara um documento com a representação do espaço do evento e a indicação dos pontos em que os efeitos serão utilizados.
“Nós geramos um ‘croqui’ e ele vai com uma planta baixa do evento. Nós vamos sinalizando todos os pontos onde esses efeitos serão utilizados na apresentação. Então, damos entrada junto ao Corpo de Bombeiros e, com essa documentação, a gente acaba tendo todas as licenças para que possamos trabalhar com segurança”, explica Leonardo.

O local também precisa ser preparado para impedir a aproximação de pessoas e reduzir os riscos durante a execução. Entre as medidas adotadas pela BOX Eventos estão o isolamento e a sinalização das áreas de disparo, além da disponibilização de equipamentos de combate a incêndio.
“Nós trabalhamos com extintores, com toda a área demarcada e sinalizada, de onde vai acontecer a queima de fogos. Essa área costuma ser isolada para que os fogos não acabem pegando em pessoas, em carros e nas equipes que estão trabalhando”, afirma.
A equipe da empresa é formada por dez técnicos. Para atuar na área, segundo Leonardo, os profissionais precisam realizar o curso de blaster pirotécnico e obter a certificação correspondente.
Tecnologia
Em apresentações de grande porte, a operação envolve não apenas a escolha dos fogos, mas também a integração dos efeitos ao planejamento artístico e à estrutura do evento. A Box Eventos já participou de shows de artistas como o DJ Alok, em que os recursos pirotécnicos são combinados com outros equipamentos para compor a apresentação.
Leonardo explica que as produções dos artistas encaminham os chamados ‘riders’, documentos que detalham as necessidades técnicas de cada show. A partir dessas especificações, a empresa organiza os equipamentos disponíveis e adapta a execução às normas vigentes.
“De modo geral, nós temos uma produtora local que conduz esses eventos com grandes artistas. Esses artistas mandam os riders, que são catálogos que vêm informando quais são as necessidades desse artista. Então, diante do pedido, nós vamos adequando ao que temos como legislação estadual”, detalha.
Conforme o empresário, os equipamentos são organizados de acordo com a proposta de cada apresentação e com as condições técnicas e legais para a execução.
“Nós temos máquinas de fogo, temos efeitos visuais como CO2, que acabam somando nesse processo de fogos. Temos fogos que ficam à frente do palco, de baixa polegada, e temos fogos que ficam atrás do palco, que causam o efeito visual que o público costuma visualizar”, explica Leonardo.
Conforto
A logística também é parte importante do trabalho, especialmente nas operações realizadas fora da capital. Para atender a essa demanda, a BOX Eventos conta com uma carreta adaptada para transportar materiais e oferecer estrutura de apoio aos profissionais durante as viagens.
“A carreta vem potencializar exatamente a questão da logística. Como a gente costuma estar viajando para alguns interiores, precisa ter um depósito próximo ao palco e uma logística de alojamento para nossa equipe”, afirma Leonardo.
O veículo conta com um quarto com capacidade para alojar seis pessoas, banheiro e espaço para armazenar fogos e equipamentos utilizados nas apresentações.
A estrutura também possui um reservatório com capacidade para dois mil litros de água, conectado a uma bomba que pode ser acionada em caso de intercorrência, como recurso de apoio até a chegada das equipes de emergência. “A medida integra os cuidados preventivos adotados pela empresa”, garante.
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Mercado em expansão
Com dez anos de atuação, a BOX Eventos trabalha com artefatos pirotécnicos importados, principalmente da China e da Espanha. Para Leonardo, a incorporação de novos produtos e equipamentos permite diversificar os efeitos e acompanhar as mudanças no mercado brasileiro.
“A BOX Eventos, no cenário nacional, está junto com grandes empresas dentro do Brasil. O que a gente consegue destacar é exatamente que estamos um passo à frente do mercado. Conseguimos trazer hoje artefatos pirotécnicos internacionais, que são as nossas maiores referências no mercado da pirotecnia”, finaliza Leonardo.

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