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JUVENTUDE

Jovens buscam transformar a realidade com trabalhos voluntários

No Dia Internacional da Juventude, celebrado neste dia 12 de agosto, os jovens buscam realizar mudanças

Vito Gemaque

12 de agosto de 2026 às 08:00

Grupos de jovens realizam trabalhos voluntários para ajudar e melhorar a vida das pessoas.

Grupos de jovens realizam trabalhos voluntários para ajudar e melhorar a vida das pessoas. ( Foto: Divulgação / União da Juventude Rebelião (UJC) )

A inquietação para transformar a realidade dura que muitas famílias vivenciam, com a pobreza, violência e falta de oportunidades no Estado do Pará, é o que move muitos jovens a realizar trabalhos voluntários. No Dia Internacional da Juventude, celebrado neste dia 12 de agosto, os jovens mostram que não querem mais esperar para ver mudanças. A data foi instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, para estimular a juventude a participar na construção de soluções para os problemas sociais.

O estudante de Direito Leandro Calandrine, de 29 anos, é um dos coordenadores do Missão Jovem, grupo da juventude do tempo central da Assembleia de Deus, em Belém. Há 10 anos Leandro entrou no grupo para ajudar as pessoas e pregar os ensinamentos bíblicos. Atualmente, o grupo realiza ações em Melgaço, no arquipélago do Marajó, um dos municípios com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

“O trabalho em Melgaço iniciou mais ou menos cinco anos atrás. Nós já conseguimos dar um salto gigantesco do pior índice de desenvolvimento. Antes as famílias não tinham nenhum tipo de renda, nós conseguimos levar cursos profissionalizantes. Hoje em dia, quando você chega em Melgaço já vê pessoas com padaria, com trabalhos, com manicure, salão de beleza e crianças alfabetizadas, que era uma dificuldade muito grande”, compara.

Missão jovem
Grupo Missão Jovem, do Templo Central da Assembleia de Deus, leva ações de esportivas e educativas para crianças de Melgaço, no Marajó. (Wagner Santana / O Liberal)
Grupo Missão Jovem, do Templo Central da Assembleia de Deus, leva ações de esportivas e educativas para crianças de Melgaço, no Marajó. (Wagner Santana / O Liberal)

Na última viagem realizada em junho deste ano, a Missão Jovem conseguiu atender 158 crianças com atividades esportivas e educativas. “Tivemos crianças que hoje em dia já estão em uma escola matriculadas, crianças que estão em um trabalho de desenvolvimento na música, de desenvolvimento no esporte, então já tivemos o nosso primeiro resultado com famílias alcançadas”, comemora.

Para o estudante de ciências contábeis, Vitor Monteiro, também integrante do Missão Jovem, conhecer uma realidade de extrema vulnerabilidade como a vivenciada em Melgaço ajuda a refletir sobre a sua vida e a importância de agir. “É uma situação - uma realidade - que nos comove a levar algo através das nossas ações para transformar a realidade de outras pessoas, seja com a cesta básica, seja como um futebol, através da Missão com Esporte, e levando um pouco do Evangelho de Jesus para mostrar que, além de situações e dificuldades, existe um povo que olha por essas e quer cuidar de forma mais carinhosa”, conta.

Na avaliação de Vitor Monteiro, o trabalho voluntário ajuda os jovens a terem mais empatia pelas pessoas. “A gente consegue poder olhar para os outros e enxergar nós mesmo, e entender que a gente consegue ter certeza de evoluir e melhorar. E nós como os jovens é espelhando o nosso próprio futuro. Uma forma de mudar nossa realidade de fazer com que a gente consiga enxergar um futuro melhor, um desenvolvimento melhor”, assegura.

RADICAL - Outros jovens tem uma perspectiva de visão de mundo diferente, porém também atuam para tentar mudar a realidade. A coordenadora da União da Juventude Rebelião (UJR), a estudante Bruna Freire, explica que o grupo realiza todos os anos em outubro um grande mutirão para revitalizar espaços dentro de locais que acolhem mulheres vítimas de violência doméstica e famílias sem casa.

“O grupo propõe o trabalho voluntário por uma perspectiva mais humanizada e também a mudança radical da sociedade, esse foi um dos motivos para eu me organizar. A gente desenvolve uma vez por ano em outubro, essa jornada de trabalho voluntário para poder pegar espaços que não estão adequados para uso, ou então com alguma dificuldade, para serem utilizados. Nós ajudamos nesse processo de limpeza para fazer com que esses espaços fiquem bons”, afirma.

Jovens em trabalho voluntário
Grupo Trindade Jovem distribui café da manhã para as pessoas em situação de rua no centro de Belém. (Arquivo / Trindade Jovem)
Grupo Trindade Jovem distribui café da manhã para as pessoas em situação de rua no centro de Belém. (Arquivo / Trindade Jovem)

A revitalização, que não espera pelo poder público, busca dar às pessoas a oportunidade de novamente utilizar esses espaços de maneira acolhedora. Já foram realizadas ações em Ocupação de Mulheres Rayana Alves, que acolhe mulheres vítimas de violência, e na Ocupação de Moradia Welfesom Alves, que acolhe pessoas sem casa.

“As maiores dificuldades para colocar em prática é a falta de materiais. Às vezes, a gente precisa fazer a limpeza e não tem material, então a gente faz coleta. Enfrentamos dificuldade para conseguir a alimentação, tintas e mais coisas”, detalha Bruna. Mesmo assim, ela considera satisfatório contribuir para que as pessoas estejam bem dentro dos espaços de convivência.

A jovem líder critica a falta de possibilidade para a juventude interferir na política. “Eu não acho que tenham espaços suficientes para a juventude conseguir liderar e tudo mais. Inclusive, olhando para o processo eleitoral, a juventude é excluída de boa parte dele, ao não participar como candidatos inclusive, se a gente for a partir da perspectiva da liderança para exercer mudanças. A juventude não pode concorrer a cargos como governo, senado ou presidencial, por exemplo”, reclama Bruna.

TRINDADE - Na Paróquia da Santíssima Trindade, o grupo Trindade Jovem possui 100 integrantes. Luciano Sá, de 24 anos, é um desses membros. Ele conheceu o coletivo por meio de amigos próximos e se identificou com o Ministério de Ação Social, responsável pelas atividades com as comunidades. “Me identifiquei à primeira vista ao poder realizar o bem ao próximo, conforme acreditamos no catolicismo, ame o próximo como a nós mesmos. E poder em todas as ações apenas prevalecer o amor para aquela pessoa que se encontra em dificuldades, sem julgar o motivo dela estar em uma situação de vulnerabilidade e sim apenas a acolher”, conta.

Jovens em trabalho voluntário
Grupo Trindade Jovem distribui café da manhã para as pessoas em situação de rua no centro de Belém. (Arquivo / Trindade Jovem)
Grupo Trindade Jovem distribui café da manhã para as pessoas em situação de rua no centro de Belém. (Arquivo / Trindade Jovem)

A Trindade Jovem realiza ações diversificadas, desde visitas ao Lar Menino Jesus, ao Asilo João de Deus, visitas às pessoas hospitalizadas, que estão internadas no Hospital Guadalupe, e também as tradicionais ações de rua. Geralmente no segundo domingo do mês o grupo distribui café da manhã para pessoas em situação de rua.

Outra integrante, Mariana Guzzo, de 19 anos, confirma que todo o esforço vale a pena. “Mesmo quando precisamos abrir mão do nosso conforto, como acordar cedo em um domingo, para participar de uma ação, todo o esforço vale a pena. No final, voltamos para casa com a sensação de que conseguimos levar um pouco de amor, esperança e alegria para alguém que precisava”, assegura.

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