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NOVEMBRO AZUL

Homem deve vencer resistência e se tratar contra câncer de próstata, orienta Sespa

Em 2020, tipo de câncer teve 397 óbitos no Estado e apresenta 98 casos novos até agora em 2021

O Liberal

6 de novembro de 2021 às 18:00

Nas redes sociais, o professor José Emílio Almeida fez campanhas pessoais para combater o preconceito com o exame do toque

Nas redes sociais, o professor José Emílio Almeida fez campanhas pessoais para combater o preconceito com o exame do toque ( Foto: Ivan Duarte / O Liberal )

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informa que em 2020 foram registrados 283 casos novos e 397 óbitos de câncer de próstata no Pará. Já os dados prévios de 2021 apontam que, até o momento, foram registrados 98 casos. Os números indicam a atenção que a doença requer por parte do público masculino. Mas, muitos homens acabam não fazendo os exames devidos por uma questão até de tabu. Para conscientizar o público masculino sobre os riscos deste câncer, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e instituições desenvolverão neste mês a campanha Novembro Azul.

"O que mais chama atenção é a resistência dos homens procurarem os serviços de saúde, mesmo com histórico negativo e aparecimento dos primeiros sintomas (dificuldade de urinar, jato de urina fraco, vontade de urinar com maior frequência, sensação constante de exiga cheia)", enfatiza Diego Cutrim, coordenador estadual da Saúde do Homem, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Ele observa que a atitude de o homem fazer exames ajuda a detectar precocemente a doença, e, assim, garantir um prognóstico favorável.

Em contraste com o posicionamento de muitos homens no Brasil, o professor José Emílio Almeida, 58 anos, presidente da Associação dos Concursados do Pará (Asconpa), verificou, em Belém, que há dois meses vinha apresentando alguns sintomas parecidos com os de câncer de próstata e procurou um médico. Como resposta do profissional, José Emílio soube que os sintomas poderiam ser de uma hiperplasia prostática, ou seja, o aumento da glândula (próstata). Nesse caso, pode ocorrer a dificuldade de o homem urinar.

"Eu, então, fiz o PSA e uma ultrassonografia e tudo normal. Como garantia, fiz o exame do toque retal que confirmou os exames anteriores", relata José Emílio. Ele destaca que não foi confirmada a hiperplasia prostática, mas que, ao final, tratou-se de uma situação resultante da ansiedade provocada nas pessoas pelo contexto sanitário (pandemia da covid-19). "Eu pretendo me cuidar mais, cuidar mais da saúde, porque a gente precisa disso, porém, muitas vezes, não liga", considera.

Sobre o tabu para muitos homens que preferem não fazer o exame do toque retal, José Emílio enfatiza: "A nossa sociedade é patriarcal, pautada por um pensamento machista e homofóbico, o que nos leva a não querer se submeter a nenhum tipo de contato neste sentido, levado pelo pensamento de que se estaria praticando algo ilícito. Como efeito, muitos homens não fazem o exame e chegam até a morrer de câncer de próstata".

Pará está dentro da média nacional de casos de câncer de próstata

O Pará está dentro da média nacional quanto à incidência desse tipo de câncer, pontua o Diego Cutrim, da Sespa. Ele observa que o aumento do registro de incidência da doença pode ser justificado pela evolução dos métodos de diagnóstico e pela eficiência de notificação."Entretanto, lembremos que durante a pandemia houve uma queda em todo o Brasil do número de consultas e cirurgias e, consequentemente, aumento do óbito", assinala.

O câncer de próstata é o que mais atinge os homens no Pará, como salienta Cutrim. Como fatores que identificam este tipo de câncer figuram: idade, hereditariedade, alimentação, consumo de álcool e tabaco. Não há uma forma eficaz de prevenção a essa enfermidade. Assim, "os homens devem frequentar os serviços de saúde, principalmente, a partir dos 50 anos (de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia)".

"Deve-se ter atenção redobrada em caso de histórico familiar e sintomas suspeitos. Os principais exames são: PSA, toque retal (quando o médico achar necessário),  biopsia prostática, utrassonografia e outros. Para fazer os exames, os homens devem procurar os médicos do SUS (a partir da Atenção Primária, ou seja Unidades Básicas de Saúde e Estratégia Saúde da Família)", acrescenta Cutrim. Na rede particular, pode-se procurar o urologista.

Dados dos municípios brasileiros, de 1º de janeiro a 30 de agosto de 2021, inseridos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), indicam que foram registradas 86.513 internações masculinas no Pará - pessoas maiores de 20 anos, como repassa a Sespa.

As principais causas foram por doenças infecciosas e parasitárias (24.364); causas externas (19.669), como esfaqueamentos, traumatismos e envenenamentos; seguidas por doenças do aparelho digestivo (9.175); doenças do aparelho circulatório (7.104) e doenças do aparelho respiratório (6.183).

Em 2020, dados preliminares do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS, as doenças infecciosas e parasitárias lideraram o ranking de mortes de homens no Pará, com 6.272 óbitos; seguidas por doenças do aparelho circulatório (5.871); causas externas (5.214); doenças do aparelho respiratório (3.618) e cânceres (2.673).

A Sespa informa que, entre os tipos de óbitos por câncer, o de estômago tem sido o mais letal nos homens com residência no Pará. Só em 2020, causou a morte de 413 pessoas do sexo masculino, seguido pelo de próstata, responsável por 397 óbitos.

Em número de casos, segundo o DataSUS, em 2021 o câncer de estômago é o mais recorrente: 100 confirmados entre 1º de janeiro e 30 de setembro deste ano, seguido por 98 novos pacientes de câncer de próstata. A tendência não foi a mesma em 2020, então finalizado com 283 casos de câncer de próstata e 185 de estômago.

Campanha estadual do Novembro Azul terá várias abordagens preventivas

A campanha Novembro Azul 2021, da Sespa, engloba, a importância do pré-natal do parceiro como estratégia de autocuidado, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (IST) e das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), a preparação para o exercício da paternidade responsável e a redução de violência doméstica.

Os municípios devem reforçar ações para a diminuição de doenças crônicas: hipertensão arterial e diabetes, e outras mais graves, como as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), a exemplo do HIV/Aids, sífilis e hepatites, os cânceres de próstata e de estômago – os mais recorrentes entre os homens, a obesidade e as doenças renais relacionadas ao uso de drogas ilícitas e à automedicação. As ações incluem prevenção ao câncer de pênis e a imunização de HPV para crianças e adolescentes.

O Novembro Azul contará com oficinas, ações educativas em órgãos públicos e escolas; webinários; ação de saúde para a população ribeirinha, serviços e 25 consultas diárias específicas aos homens na Poli Metropolitana.