A asma atinge cerca de 235 milhões de pessoas em todo o planeta, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, a doença ainda mata cerca de dois mil brasileiros por ano e é a quarta maior causa de internação no País. O cenário da asma no Pará mostra que ocorreram 14.683 internações da doença, entre 2017 e 2018. Este ano, de janeiro a março, já foram 979 internações em todo o Pará.
Ainda de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), em 2017, foram registradas 7.851 internações de pessoas com quadro de asma. Em 2018, ocorreram 6. 832 internações. Segundo a Sespa, o número não representa a quantidade de casos e sim internações. Ou seja, uma pessoa pode ter sido internada mais de uma vez com sintomas da doença.
Nesta Semana Mundial de Combate à Asma, a pneumologista Lúcia Sales explica que a asma é uma doença das vias aéreas, que dificulta a respiração, pois elas ficam mais estreitadas e cheias de secreção. "Com isso, o ar passa com dificuldade e o paciente também sente dificuldade de colocar para fora, para expectorar, porque a via aérea está diminuída de calibre, está comprimida por uma broncoconstrição e daí vem o sintoma do chiado no peito".
A asma pode ser ocasionada por herança genética ou também pelo contato do pulmão com o meio ambiente. "Alguns pacientes têm herança genética. O pulmão vive em contato com o meio ambiente, então se o ambiente for facilitador para os processos de alergia e a pessoa tem alergia, ela vai respirar aqueles processos que vão ocasionar alergia e vai desenvolver a asma. Há casos de medicações que causam crise de asma. Mas há pessoas, inclusive adultas, que desenvolvem a doença sem ter fator causal, mas fatores que são gatilho, que desenvolvem a crise da doença, mas são pacientes que já têm a doença, mas ainda não sabemos a causa", disse a especialista.
A principal causadora da crise da asma, para quem já tem a doença, é a infecção viral. "Daí a importância de vacinar contra a gripe. Além de evitar fumaça de cigarro e de queimada, e poeira e pó no local do trabalho".
Para evitar a asma, primeiro, a pessoa tem que ter conhecimento se tem a doença. Além disso, deve ter cuidados com o ambiente em que vive, como evitar varrer a casa, limpar com pano úmido, evitar poeira, em especial, no quarto onde dorme, evitar ventilador com vento de frente, direto para a pessoa. "Usar o ar condicionado pode, mas tem que ter limpeza semanal dos filtros e, a cada três meses, limpeza do aparelho. A temperatura de 24 graus é adequada, com menos pode ficar ressecado o ambiente e não é bom para a pessoa", orienta a pneumologista.
A médica alerta que a doença, crônica, pode levar à morte. "Já que ela acomete a via aérea, por onde o ar passa, se a crise for muito grave, a pessoa pode morrer sufocada. Por isso, tem que ter cuidados. Ainda não se pode falar em cura. Mas a doença pode ser controlada e, na maioria das vezes, a pessoa ter uma vida normal. Há medicações para a crise e para controlar a doença, como as inalatórias. Mas isso tem que contar com acompanhamento médico pelo menos a cada três meses", explica Sales.
Os principais sintomas da doença são tosse, falta de ar, chiado no peito, secreção nasal e nariz entupido. "Qualquer sintoma respiratório prolongado continuado tem que procurar médico. O tratamento não é de crise, tem que tratar a crise e o período entre as crises. Qualquer queixa respiratória repetida, é preciso buscar diagnóstico", sugere a pneumologista Lúcia Sales.
Tratamento
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento para o controle da doença. A orientação da Sespa é que o paciente procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Lá, o profissional de saúde terá todas as orientações relacionadas ao tratamento e à prevenção de crises, o que inclui entender os sintomas e sinais de agravamento da doença.
Referência
No Pará, o Hospital João de Barros Barreto (HUJBB), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (UFPA)/Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) dispõe do Ambulatório de Doenças Pulmonares Raras desde 2014, após a instituição da Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no Brasil - Portaria nº 199, de 30 de janeiro de 2014, do Ministério da Saúde.
Para garantir atendimento às pessoas acometidas por enfermidades raras que afetam o pulmão, o HUJBB é referência estadual à assistência de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), mas o espaço atende ainda as pessoas que sofrem de Doenças Pulmonares Intersticiais (DPI) e Asma Grave de Difícil Controle (AGDC).
O Ambulatório de Doenças Pulmonares Raras funciona no 1º andar do HUJBB, que fica na rua dos Mundurucus, 4487, esquina da travessa Barão de Mamoré, no bairro do Guamá, em Belém. O atendimento ocorre às terças e sextas-feiras, pela manhã. Para ter acesso, a pessoa precisa ser referenciada para o hospital universitário.
