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Pará

Dos 2.076 testes aplicados na Campanha Julho Amarelo, 16 foram positivos para hepatites

Partindo da experiência, a Sespa inicia ação itinerante para diagnóstico também da sífilis, HPV e HIV

Cleide Magalhães

2 de agosto de 2019 às 14:58

( Foto: Jose Pantoja/ Ascom Sespa Arquivo )

Durante a Campanha Julho Amarelo, que ocorreu ao longo do mês anterior, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) aplicou o total de 2.076 testes rápidos para o diagnóstico de hepatites B e C em diversos municípios e balneários do Pará. Dos 827 testes rápidos para hepatite B, dois foram positivos. Já dos 1.249 testes para hepatite C 14 deles foram confirmados sendo 12 diagnosticados durante apenas uma manhã de ação na Praça da República, no último dia 28, quando foi comemorado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. 

Além disso, somente em 2019, a Sespa já registrou no Pará 14 casos de hepatite tipo A, 186 do tipo B e 164 do tipo C. Nos últimos 19 anos, de 1999 a 2018, foram 14.314 casos confirmados de hepatites no Pará: 8.887 do tipo A, 3.756 do tipo B, 1.608 do tipo C e 63 casos de hepatite D. Ainda nesse tempo, o Estado teve 14.314 casos confirmados de hepatites A, B, C e D da totalidade de 632.814 registrada no País, de acordo com o novo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, divulgado pelo Ministério da Saúde, no último dia 22.

Segundo Deborah Crespo, chefe da Divisão de Controle das Doenças Transmissíveis da Sespa, dos 14 casos confirmados na Praça da República 12 deles ocorreram com pessoas entre 32 e 74 anos. A experiência da campanha reforça a orientação à população para se prevenir sempre contra as hepatites. "Temos que enfatizar cada vez mais a necessidade da população se prevenir contra as hepatites com uso do preservativo e com a vacinação tanto para hepatite B quanto ao HPV (vírus do papiloma humano). Essas são duas infecções sexualmente transmissíveis e podemos evitar pelo uso das vacinas, que estão disponíveis nas unidades de saúde. Para a hepatite B são três a quatro doses e não uma só. Ela é universal até os 49 anos e, acima disso, é voltada aos grupos prioritários", orienta.

Partindo da experiência no Julho Amarelo, a partir deste mês, a Sespa já elabora calendário para atuar em ações itinerantes em unidades móveis pelos municípios do Estado, incluindo os domingos, para disponibilizar à população, em áreas públicas e com maior concentração de pessoas, os testes para hepatite B, sífilis, HPV e o vírus HIV.

"Elaboramos uma estratégia para que, além do teste da sífilis, a gente leve também o tratamento, que é com penicilina, e isso depende ter médico na ação. Vamos ofertar a iniciativa a cada domingo dentro do Estado, para intensificar o diagnóstico dessas doenças. Queremos sensibilizar e educar a população para o combate dessas doenças. E todos esses testes e vacinas estão disponíveis nas unidades de saúdes do Pará ", afirma Crespo. 

VACINAS

A vacinação contra a hepatite B foi introduzida no Brasil há 17 anos, o que faz com que a maioria dos novos casos sejam notificados em pessoas nascidas antes de 1999. A vacina está disponível na rede pública à população em geral, até 49 anos.

Independentemente da idade alguns grupos específicos também podem se vacinar contra hepatite B no Sistema Único de Saúde (SUS): gestantes; manicures e pedicures; profissionais do sexo; militares; profissionais de saúde; caminhoneiros; usuários de drogas; pessoas que fazem sexo com pessoas do mesmo sexo; coletores de lixo; tatuadores.

Além disso, pessoas de todas as faixas etárias também podem ser vacinadas nas clínicas privadas de todo o País. Para estar protegido contra a doença, são necessárias três doses. No Estado, a prevenção e imunização da hepatite B são oferecidas pelas gestões municipais e o estado garante o tratamento dos pacientes. Assim como o vírus da Aids, o da hepatite B é sexualmente transmissível, não tem cura e possui efetivo controle com um tratamento simples de um comprimido ao dia. Seu contágio atinge altos índices, chegando a ser 100 vezes maior que por HIV.

Entretanto, não há vacina para o tipo C da doença no País, mas há tratamento que em somente 12 semanas consegue curar 95% dos infectados. Pode ser transmitida por agulhas e seringas contaminadas, ou por objetos cortantes não esterilizados.

Já para o tipo A, mais comum na infância, existe na rede privada de saúde e, a partir de 2014, o Ministério da Saúde incluiu no calendário básico de imunização da criança e passou a ser ofertada nos postos de saúde do país.