Neste sábado (17), quando é celebrado o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, mais de 80 mil pessoas de seis estados brasileiros participam de uma jornada voltada à melhoria da qualidade de vida e ao desenvolvimento de autonomia por meio do Juntos Contra a Pobreza. No Pará, cerca de 40 mil pessoas são acompanhadas atualmente em Canaã dos Carajás, Parauapebas, Tucumã, Ourilândia, Curionópolis, Marabá, Breves e Belém.
A iniciativa é articulada pela Vale e reúne empresas, organizações do terceiro setor, poder público e universidades. O programa foi criado a partir do compromisso assumido pela empresa de contribuir para que 500 mil pessoas superem a pobreza extrema.
O impacto das ações é acompanhado pelo Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), indicador que considera, além da renda, privações relacionadas a educação, saúde, nutrição e infraestrutura. A avaliação independente é realizada pela Wise Decisio com o Método Alkire-Foster, desenvolvido pela Iniciativa sobre Pobreza e Desenvolvimento Humano (OPHI), da Universidade de Oxford.
Famílias recebem acompanhamento por 24 meses
O diagnóstico identifica as dificuldades enfrentadas simultaneamente pelas famílias e a intensidade dessas privações. A partir dos resultados, são definidos planos de ação personalizados, conforme as prioridades de cada família e a realidade do município. O acompanhamento ocorre durante 24 meses.
“O Juntos Contra a Pobreza parte do olhar para o território e para as famílias. A ideia é entender quais são as barreiras que cada uma enfrenta e, a partir daí, articular diferentes soluções e parceiros. É preciso olhar para a vida das pessoas de forma integral: se as crianças estão na escola, se a família consegue acessar serviços de saúde, se tem uma moradia segura, se existem oportunidades para construir um caminho diferente”, explica Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale.
Índice de pobreza cai 70% entre famílias acompanhadas
A análise das famílias acompanhadas nos primeiros dois anos do programa abrangeu 8.156 famílias no Brasil, formadas por 29.529 pessoas. Segundo o levantamento da Wise Decisio, o IPM médio desse grupo apresentou redução de 70%, refletindo avanços no acesso a direitos e em condições consideradas essenciais para a qualidade de vida.
A estratégia do programa é baseada na atuação em rede. Atualmente, a iniciativa reúne 50 organizações parceiras, entre implementadores, parceiros técnicos e 24 empresas coinvestidoras. Juntas, elas já contribuíram para mobilizar mais de R$ 40 milhões em investimentos sociais.
Entre os coinvestidores estão Amplo, ÁPIA, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CPRT, Della Volpe, EGTC, Enesa, Fundação Banco do Brasil, Fundo Vale, Hatch, Instituto Equatorial, Instituto Sotreq, Logicalis, Makro, Michelin, MIP, Plamont, Plangecon, Priner, U&M, USIMIG, Wabtec Corporation, Wheaton Precious Metals e Wilson Sons.
“O Juntos Contra a Pobreza utilizou o Índice de Pobreza Multidimensional tanto para direcionar o investimento social com mais precisão às necessidades de cada família quanto para reunir diversos parceiros em torno de resultados comuns e mais rápidos. Nossa estimativa é que o programa alcançou em dois anos o que normalmente levaria cerca de dez. É um resultado notável”, explica Jamie Coats, sócio sênior da Wise Decisio.
Projetos no Pará atuam em renda e segurança alimentar
Em Curionópolis, no sudeste do Pará, um dos projetos que integram o Juntos Contra a Pobreza é o Jornada Serra Pelada. A iniciativa é implementada pelo Instituto Rede Terra, em parceria com o Município de Curionópolis, e busca contribuir para que famílias superem a extrema pobreza.
Entre as participantes está Luzia Aparecida, de 56 anos, que enfrentava insegurança alimentar grave quando iniciou o acompanhamento. Com o apoio do projeto, ela implantou um Quintal Produtivo, recebeu um kit de produção e passou a comercializar alimentos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
“A gente não tinha nada, não tinha como vender. Agora posso plantar e vender, uma bênção de Deus. Fico muito feliz, porque acreditaram em nós e nos ajudaram com cesta básica e tudo o que era necessário. Para mim, foi maravilhoso. Com as vendas, não falta mais o pão. É ruim acordar e não ter algo para comer de manhã, nem à noite”, conta Luzia.
Além da produção e da comercialização de alimentos, ela teve acesso a iniciativas nas áreas de segurança alimentar, saúde, tecnologia assistiva, educação e trabalho, avançando em autonomia e qualidade de vida.
Projeto em Marabá oferece formação profissional
Em Marabá, outra iniciativa vinculada ao programa é o Redes de Cidadania, realizado pela Cidade Escola Aprendiz. O projeto apoia o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e famílias, com foco na equidade racial, de gênero e territorial.
As ações articulam busca ativa, acompanhamento familiar e mobilização dos territórios, com atenção especial às famílias chefiadas por mulheres.
Uma das participantes é Lucimar da Silva Costa Santos, de 33 anos, que concluiu um curso profissionalizante de Corte e Costura com duração de três meses. Após a formação, recebeu do projeto um kit com tecidos, linhas, agulhas e uma máquina de costura, o que possibilitou colocar os conhecimentos em prática na produção de peças, fantasias e acessórios.
“O curso despertou em mim a força do empreendedorismo. Hoje acredito mais em mim e vejo que posso criar novas oportunidades”, afirma.
A experiência contribuiu para ampliar a autonomia financeira, a autoestima e as perspectivas profissionais da participante.
Ao acompanhar indicadores e contribuir para a redução das barreiras enfrentadas pelas famílias, o Juntos Contra a Pobreza busca ampliar o acesso a direitos e oportunidades. As ações estão presentes em cerca de 20 cidades de seis estados: Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Amazonas e Pernambuco.

