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LIBRAS

Dia das Línguas de Sinais reforça importância da Libras para inclusão de pessoas surdas

Em Belém, CAS capacita cerca de 700 pessoas por ano e oferece gratuitamente cursos de Libras, formação de intérpretes e letramento para a comunidade surda

Vito Gemaque

23 de setembro de 2026 às 08:00

Celebrado nesta quarta-feira - 23 de setembro, o Dia Internacional das Línguas de Sinais reforça a importância de garantir os direitos linguísticos das pessoas surdas e a ampliação da acessibilidade e da inclusão. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca discutir os avanços e os desafios enfrentados pela comunidade surda no acesso à educação, aos serviços públicos, ao mercado de trabalho e à informação.

Em Belém, o Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) oferece cursos de aprendizagem na Língua Brasileira de Sinais (Libras) do básico ao avançado, cursos para intérpretes e tradutores em Libras e letramento em português e matemática para pessoas surdas. O espaço, ligado à Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), capacita 700 pessoas todos os anos, principalmente profissionais da educação, com o intuito de melhorar a acessibilidade da comunidade surda aos seus direitos.

Para o professor do curso de Libras do CAS, Adalberto Ribeiro, de 39 anos, que é uma pessoa surda, a difusão da Libras na sociedade é fundamental para garantir a comunicação das pessoas surdas. O professor se comunicou por meio da tradução da intérprete do CAS Vitória Nunes Costa. "Aqui no Estado do Pará, de forma geral, temos muitas coisas a melhorar. Nós temos cursos de Libras e precisamos de uma participação maior da comunidade, maior para que aprendam Libras, porque a Libras é uma língua que dá para se comunicar com as pessoas surdas e diversas outras pessoas, em diferentes locais e interiores, é uma língua que dá para se expressar com naturalidade", explica.

O professor aponta que o CAS é um exemplo do quanto profissionais que se comunicam em Libras propiciam às pessoas surdas maior acolhimento. "O meu desejo é que mais pessoas venham se formar aqui no Pará, em Libras. Nós temos o CAS, mas precisamos ampliar para que essa educação ser de fato bilíngue em língua de sinais, porque para a melhoria da nossa profissão, esse seria o ideal", reforçou.

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Turma de estudantes aprende a falar a Língua Brasileira de Sinais (Libras), em centro especializado da Seduc. (Cármen Helena / O Liberal)
Turma de estudantes aprende a falar a Língua Brasileira de Sinais (Libras), em centro especializado da Seduc. (Cármen Helena / O Liberal)

O CAS possui hoje cinco intérpretes e tradutores em Libras. Esses profissionais são os responsáveis por fazer a mediação entre a Libras e a língua portuguesa. Uma dessas intérpretes é Vitória Nunes Costa, de 23 anos. Diferentemente de muitas pessoas, Vitória começou a aprender Libras desde os três anos de idade, devido a necessidade para se comunicar com a irmã, que é uma pessoa surda. A jovem se formou em Licenciatura em Libras Português.

"A Libras é a nossa Língua Brasileira de Sinais que os usuários, que são as pessoas surdas, utilizam para se comunicar na nossa sociedade, como uma primeira língua, mas eles também tem uma segunda língua que é a portuguesa, que é a língua que nós compartilhamos, na qual eles se expressam, conseguem estar convivendo em sociedade, demonstrar todas as suas alegrias, aflições e se expressar para a sociedade", detalha.

Vitória reforça a importância da comunicação em Libras para as pessoas surdas. Sem a comunicação por Libras, as pessoas surdas acabam sendo excluídas da sociedade. “Ela vira um sujeito à parte da sociedade, daí a importância dos cursos de aprendizado da Libras, porque quando uma pessoa surda adquire uma língua é a partir desse momento que ela consegue se comunicar, entender o mundo e conviver entre a sociedade", ressalta.

A especialista em educação Renata Medeiros, coordenadora pedagógica do CAS, a Libras é essencial, pois é a principal forma de comunicação das pessoas surdas por meio do visual e do gestual. "Isso vai proporcionar para ele, o desenvolvimento cognitivo linguístico perfeito para que possa não só se comunicar, mas organizar as funções psicológicas superiores. A Libras vai trazer a autonomia de comunicação, de expressar pensamentos, desejos e emoções. Ela é essencial para que ele possa ter autonomia enquanto cidadão e possa ser incluído na sociedade e para que possa ter um papel como qualquer outro cidadão", destacou.

Um dos principais objetivos do CAS é qualificar os educadores da rede pública estadual em Libras para que eles estejam preparados para se comunicar e ensinar pessoas surdas nas escolas. O centro também está aberto para os professores das redes municipais e particular.

Também há projetos para a comunidade surda como o ensino o português por meio da Libras, com letramento em português e matemática. Os cursos são abertos todo início de semestre como o ensino de Libras em diferentes níveis, o curso de intérprete e tradução, assim como o ensino de Libras. A divulgação dos cursos é feito pelo perfil oficial do CAS no Instagram (@cas_seducpa). Qualquer pessoa pode se inscrever nos cursos do centro gratuitamente.