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Considerado o 5º estado mais feliz do país, Pará tem população alegre mesmo em meio às dificuldades

Problemas cotidianos não diminuem otimismo do paraense, mas o conceito de felicidade continua sendo alvo de discussão ao longo dos séculos

O Liberal

8 de agosto de 2021 às 08:00

A estudante Yasmin Pelerano é um dos exemplos vivos de que o alto-astral melhora o ambiente para todos

A estudante Yasmin Pelerano é um dos exemplos vivos de que o alto-astral melhora o ambiente para todos ( Foto: Elivaldo Pamplona / O Liberal )

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado neste ano, atestou que o Pará é o quinto estado do Brasil com mais gente feliz  - ou menos gente infeliz. Já o Brasil, encontra-se com o menor índice de felicidade média em 15 anos, desde que o número começou a ser medido, em 2006. Com tantos problemas sociais, financeiros e pessoais é extremamente curioso encontrar pessoas que em meio aos desafios cotidianos continuam sorrindo e emanando felicidade.

Ao longo dos séculos, vários filósofos estudaram e analisaram a felicidade. Para o grego Aristóteles, a felicidade diz respeito ao equilíbrio e harmonia praticando o bem; para o também grego, Epicuro, a felicidade ocorre através da satisfação dos desejos; Pirro de Élis também acreditava que a felicidade acontecia através da tranquilidade. Para o filósofo indiano Mahavira, a não violência era um importante aliado para atingir a felicidade plena.

Na doutrina religiosa budista, a felicidade com a liberação do sofrimento e a superação do desejo, por meio do treinamento mental. Apesar dos estudos, a felicidade é um sentimento impalpável e pessoal, cada um pode encontrá-la da maneira que achar melhor.

"Visto meu melhor sorriso e tento trazer energia pras pessoas que eu amo", declara Yasmin Pelerano

A estudante de psicologia, Yasmin Pelerano, de 19 anos, traz um conceito simples que atinge tudo o que já foi estudado. Para ela, a felicidade é o bem-estar dela e de sua família. É saber que ela é amada pelos amigos, é ouvir as patinhas do cachorro andando pela casa, é fazer teatro musical e poder pisar no palco. É ter figuras femininas que a impulsionam a ser melhor e a correr atrás dos sonhos.

Yasmin é uma dessas pessoas que onde chega é notada pelo carisma e alegria, o que faz com que aqueles que estão próximos dela fiquem surpresos e curiosos, pois é cada vez mais difícil encontrar pessoas com alto astral e alegria no dia a dia. 

"Eu acredito muito na energia que os seres humanos emitem. Se eu estou feliz e converso com alguém que talvez não esteja tão feliz assim, nossa energia vai ser trocada o suficiente para contagiar a pessoa com quem estou conversando. E eu acredito muito que todo o bem que eu faço está sendo recompensado, então, mesmo em dias que não estou tão feliz assim, visto meu melhor sorriso e tento trazer energia pras pessoas que eu amo e, com sorte, a energia boa delas vai passar pra mim também” explica a estudante.

Ela destaca que é hipocrisia falar que é feliz o tempo todo, mas que não pode se deixar abater. Ela ressalta que uma das chaves importantes da felicidade é se permitir sentir o que quer que seja que esteja sentindo. “Quando os problemas chegam até mim, eu tento solucioná-los, quando não é possível e eu me sinto triste por isso, eu me permito me sentir assim, mas sabendo sempre que é um estado temporário, que a tristeza é só naquele momento. A partir do momento que o meu momento de tristeza passa, eu posso liberar esse sentimento de dentro de mim e abrir espaço para que a alegria possa entrar de novo. Às vezes essa alegria não vem naturalmente, então, cercar-se de coisas que elevam nosso astral e nos fazem bem, é essencial para se manter bem e encarar os desafios”, aconselha.

"Às vezes essa alegria não vem naturalmente, então, cercar-se de coisas boas é essencial"

Por incrível que pareça, a felicidade causa desconforto em algumas pessoas que entendem que não é possível alguém ser genuinamente feliz mesmo em situações tão desfavoráveis. Um exemplo é o caso da Margielyn Didal, de 22 anos, que ficou em sétimo lugar na competição do skate street nas Olimpíadas de Tóquio. Didal não esteve no pódio, mas chamou a atenção dos telespectadores quando reagia com entusiasmo até após um tombo.

As reações da competidora geraram curiosidade em pessoas que duvidaram se realmente aquilo era real ou apenas uma máscara para a televisão. Independente da resposta é notório o quanto é difícil manter um personagem por muito tempo.

“Ninguém é feliz sempre e é realmente difícil ser grato pelos nossos erros, mas todas as dificuldades resultam em quem a gente é, nos moldam, nos mudam para uma versão melhor e mais experiente de nós mesmos. Então, mesmo que como uma máscara, a felicidade deve ser usada ao nosso favor e para nos impulsionar a sermos seres humanos melhores, mais bondosos, mais gratos e mais leves”, avalia Yasmin.

"Não sei se somos o povo mais feliz, mas, com certeza, somos os melhores a não deixar a tristeza contagiar"

Falar de felicidade é difícil, principalmente em um momento delicado em que muitos perderam a única fonte de renda e a desigualdade ficou ainda maior. Mesmo com tudo isso, o paraense não se deixou abater e reage a crise e a covid-19 com garra, determinação, simplicidade leveza e alegria.

“Não sei se somos o povo mais feliz, mas, com certeza, somos os melhores a não deixar a tristeza contagiar. Nosso Estado, modéstia a parte, é campeão em carisma e leveza, então, mesmo com todas as adversidades, o povo paraense encontra um motivo para colocar um sorriso no rosto e enfrentar as batalhas que vem no dia a dia com muito fervor, afinal, o carimbó está na veia”, conclui Yasmin Pelerano, estudante de psicologia.

(Bruna Ribeiro, estagiária, sob supervisão de Ana Carolina Matos, de O Liberal)

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