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OESTE DO PARÁ

Com aumento nas internações e oxigênio em falta, Oriximiná tem cilindro desviado 

Município recuperou o insumo após investigação, mas segue enfrentando demanda alta de internações

Eduardo Laviano

18 de janeiro de 2021 às 20:13

Município do oeste do estado busca ajuda para transportar usina de oxigênio que vem do Paraná

Município do oeste do estado busca ajuda para transportar usina de oxigênio que vem do Paraná ( Foto: Divulgação/Prefeitura )

Oriximiná, município do Oeste do Pará, está com um abastecimento de oxigênio insuficiente para a demanda da população. Para piorar, um cilindro inteiro foi desviado e, após investigação coordenada pelo prefeito William Fonseca (PRTB), que é delegado, foi recuperado.

O insumo hospitalar foi encontrado em um estaleiro da cidade em um momento em que Oriximiná está consumindo de 30 a 40 cilindros por dia.

"Cada um faz muita diferença, pois tivemos um crescimento repentino dos casos. Achamos estranho pois constatamos um uso de 24 cilindros em oito horas e se tratava de uma unidade destinada para a nossa Maternidade São Domingos Sávio", relata o prefeito.

Para Fonseca, mais do que comprar os cilindros de oxigênio, a principal dificuldade do município no momento é o transporte até Oriximiná.

Além disso, há ainda o transporte dentro da municipalidade, que possui 38 comunidades quilombolas, 22 aldeias indígenas e 34 mil moradores em áreas rurais. 

A prefeitura adquiriu uma usina de oxigênio para a rede hospital municipal, mas ainda não dispõe de transporte para levá-la até a região do Baixo Amazonas. A empresa Dinatec, que fornecerá o equipamento, fica em São José dos Pinhais, no Paraná.

"Já solicitamos este apoio para as autoridades e também fizemos um apelo nas redes sociais mesmo, para que nossos deputados e governador possam intermediar este pedido de uma aeronave de grande porte para trazer a usina para Oriximiná. Com ela, teremos a geração de 26 metros cúbicos de oxigênio por hora, aproximadamente 60 cilindros por dia", afirmou Fonseca. 

Na avaliação dele, a ação é importante para todos os municípios do entorno, como Faro, Juruti e Terra Santa. Por decreto estadual publicado na última sexta-feira (15), a região regressou para a bandeira vermelha na avaliação do quadro epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Ele conta que o diálogo entre os municípios é constante, mas que toda a ajuda que cada cidade consegue não é o suficiente para a ajudar os vizinhos.

A dimensão da urgência pode ser explicada pelos números, segundo o prefeito: 6.348 casos já foram confirmados no município, com 26 pacientes internados, 296 em tratamento domiciliar e 613 sendo monitorados.

Para o prefeito, há dois outros agravantes a considerar: muitas famílias não querem autorizar o transporte para outra cidade, por medo de um familiar morrer e não poder vê-lo mais ou não conseguir trazer o corpo de volta. 

"Outra coisa é que a cidade está muito intimamente ligada à Manaus, por conta da proximidade [486 km]. Sempre existiu esse fluxo grande, desde o comércio simples até a compra de um carro, por exemplo. Estávamos com um quadro de melhora e que se tornou um quadro de atenção agora", compreende Fonseca. Até o momento, a Secretaria de Saúde do município não identificou a variante P1, nova cepa identificada em Manaus por pesquisadores.

Um decreto municipal fechou as fronteiras interurbanas e promulgou um toque de recolher às 20h. Após um pedido da prefeitura de Juruti, também no Oeste do estado, no dia 11 de janeiro, o Governo do Pará decretou o fechamento das fronteiras fluviais entre o Pará e o Amazonas. A reportagem de O Liberal aguarda posicionamento da Sespa sobre o tema.