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MERCADO

Castanhal vive retomada da produção de malva

O município já foi muito forte na produção de malva que é uma das principais fibras que servem como matéria-prima para a fabricação de papel, vestuário, barbantes, cordas, sacarias entre outros produtos

Patrícia Baía

1 de setembro de 2022 às 11:45

A malva perdeu espaço no mercado com o crescimento do uso do plástico

A malva perdeu espaço no mercado com o crescimento do uso do plástico ( Foto: Ivaldo Miranda/ Especial para O Liberal )

O município de Castanhal já foi muito forte na produção de malva que é uma das principais fibras que servem como matéria-prima para a fabricação de papel, vestuário, barbantes, cordas, sacarias entre outros produtos. E para que Castanhal volte a ocupar um lugar de destaque no cenário nacional, o Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural- Emater, Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Agrário de Castanhal- Semada e a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) trabalham em parceria para que seja alavancada a produção.

De acordo com o representante da Emater, Eneias de Andrade, a malva perdeu espaço no mercado com o crescimento do uso do plástico. “Ele concorreu muito com o uso das fibras. Os produtores tinham sua plantação de forma tradicional e foram aos poucos deixando abandonado e hoje temos uma carência muito grande no mercado. Mas agora estamos entrando com novas tecnologias, partindo de uma experiência em quatro plantações. É também um programa de valorização da cadeia produtiva”, explicou.

Companhia têxtil de Castanhal abastece mercado das Américas com diversos artigos de juta
Companhia têxtil de Castanhal abastece mercado das Américas com diversos artigos de juta (Ivaldo Miranda/ Especial para O Liberal)

A primeira fase do projeto está focada na produção das sementes para que surjam novas plantações. E elas já estão na fase da colheita. “Ano que vem já iremos estar com o modelo padrão dessa cadeia produtiva que vai abastecer diretamente a maior indústria têxtil do Pará, que é a CTC”, explicou Eneias de Andrade.

Segundo o coordenador de desenvolvimento agrário da Semada, Adivaldo Lameira, não existem muitos estudos a respeito da malva, mesmo sendo uma cultura de fácil adaptação e muito difundida na região amazônica. “Nós estamos pensado em adaptações e verificando como se comporta melhor essa cultura. É um como se estivéssemos começando do zero um trabalho partido do experimento, até porque pouco se encontra sobre a malva. Daí a importância dessa retomada com todos esses parceiros”, disse.

Sementes

As sementes serão distribuídas para que surjam novos produtores da fibra de malva.  Atualmente, Alenquer é o principal fornecedor de matéria-prima para a CTC, que, nos últimos três anos, forneceu 20 toneladas das sementes, quantidade ainda insuficiente diante da demanda da empresa, que acaba recorrendo a Bangladesh, na Ásia, para ter garantida a quantidade de juta e malva necessárias para a fabricação de seus produtos.

Parceria entre os órgãos irá ajudar a alcançar a autossuficiência da produção
Parceria entre os órgãos irá ajudar a alcançar a autossuficiência da produção (Ivaldo Miranda/ Especial para O Liberal)

Para o gerente industrial da CTC, Robson Torres, a parceria entre os órgãos irá ajudar a alcançar a autossuficiência da produção para abastecer a indústria. “A nossa empresa é uma indústria de transformação têxtil de juta e malva e hoje nós estamos trabalhando de uma maneira técnica junto ao nosso staff de matéria prima com a assistência da Emater, Semada e da Embrapa com o objetivo da formação de campos preparados para a produção de sementes e fibras de malva. Porque infelizmente a nossa realidade ainda é buscar essa matéria prima fora do país”, contou.

O prazo é de 5 anos para que os campos de sementes e fibras de malva tenham a autossuficiência necessária para abastecer a indústria.

Sobre a CTC

Criada em 1966, a CTC é a maior fabricante de artigos de juta das Américas, tendo como principais produtos as sacarias para café e batata, telas de artesanato, chapelaria e decoração, fios para tecelagem, indústria de calçados, armarinhos e para tabaco.  

Atualmente é a única fabricante nacional a atender esses setores. Conta com mais de 1,3 mil colaboradores que produzem mais de 10 mil toneladas de fibras por ano.

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