Três comunidades rurais de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, vão receber bibliotecas comunitárias voltadas especialmente a bebês e crianças de até seis anos. Os espaços serão inaugurados nos dias 9 e 10 de novembro, nas comunidades de Santo Antônio e Divino Espírito Santo, em Taiassuí, e em Juquiri.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Associação Vaga Lume, a Fundação Van Leer e a Prefeitura de Benevides, por meio da Coordenadoria da Primeira Infância da Secretaria Municipal de Educação. O projeto prevê ambientes adaptados ao público infantil, formação de mediadores de leitura nas próprias comunidades e o registro da experiência para incentivar ações semelhantes em outros municípios.
As bibliotecas terão mobiliário adequado à altura e ao conforto dos pequenos, ambientes acolhedores e livros selecionados para a primeira infância. A proposta também é envolver pais, mães, avós e outros responsáveis em atividades de leitura compartilhada, aproximando as famílias dos livros desde os primeiros anos de vida.
“Na Vaga Lume entendemos que uma biblioteca comunitária se constrói com um acervo literário diverso, formação e engajamento das pessoas do território. Em Benevides, a metodologia da Vaga Lume ganha um olhar para a primeira infância, a proposta é aproximar bebês e crianças pequenas da leitura junto com suas famílias e as pessoas cuidadoras”, afirma Lia Jamra Tsukumo, diretora executiva da Vaga Lume.
Para Claudia Vidigal, representante da Fundação Van Leer no Brasil, a iniciativa reúne pautas importantes para o desenvolvimento das crianças e o fortalecimento das comunidades. “O Marco Legal estabelece que a infância é a prioridade da prioridade. E, no caso da Vaga Lume, somam-se outras prioridades, que são os povos e comunidades da região Norte. Por isso celebramos a chegada de uma iniciativa que concretamente muda a vida das crianças e das comunidades onde está.”
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Bibliotecas terão espaços adaptados para crianças
Os ambientes foram planejados para atender às necessidades de bebês e crianças pequenas, com mobiliário lúdico, acervos literários selecionados e espaços que favorecem o contato com os livros. A proposta também considera a participação de quem acompanha o desenvolvimento infantil, como familiares e cuidadores.
“Quando pensamos em leitura para a Primeira Infância, não estamos falando apenas em disponibilizar livros; estamos falando em criar oportunidades, desde muito cedo, para que crianças, bebês e suas famílias tenham contato com histórias, linguagem, cultura e imaginação. Essas bibliotecas são uma potência porque estão dentro do território, muito próximas às famílias e respeitam as dinâmicas e o ritmo das comunidades”, afirma Marina Arilha, coordenadora de programas da Fundação Van Leer.
A representante também destaca a importância dos espaços para as pessoas responsáveis pelo cuidado das crianças. “O cuidador chega à biblioteca para proporcionar uma experiência para a criança e encontra um lugar para estar, conhecer outras famílias, trocar experiências e construir vínculos dentro da comunidade.”
Moradores serão preparados para mediar atividades de leitura
Outra frente do projeto é a formação de moradores para atuar como mediadores de leitura. Voluntários, familiares e educadores participaram de atividades formativas para aprender a trabalhar com os livros e estimular experiências de leitura com o público infantil.
A capacitação terá continuidade por meio de uma plataforma virtual, que permitirá a troca de experiências entre as novas bibliotecas e outras 30 comunidades da rede da Vaga Lume no Pará.
Na comunidade Divino Espírito Santo, a dona de casa e voluntária Mercedes Queiroz conta que a formação ampliou sua percepção sobre a mediação de leitura e a participação dos moradores. “A formação veio mostrar que ser mediador de leitura é possível para qualquer pessoa, desde que ela se disponha a aprender e ao serviço comunitário.”
Ela também relata como a leitura passou a fazer parte da rotina familiar. “Fui alfabetizada aos sete anos, as leituras de livros que fiz na vida são contadas nas mãos, mas incentivo a leitura dentro da minha casa, tanto que minha filha começou a ler aos quatro anos. A leitura integra, promove conversas e faz as pessoas se olharem de verdade, ao invés de deixá-las isoladas, cada uma com seu telefone, com sua televisão ou no seu quarto”.
Em Santo Antônio, a professora Kelly Guimarães acredita que a biblioteca vai ampliar o acesso aos livros para além da escola e fortalecer os vínculos entre as famílias. “Na minha infância, o livro só existia na escola, e eu não podia levar para casa. Agora as nossas crianças vão ter um espaço fora da escola, aberto a toda a comunidade, para pesquisa e leitura. E não são só elas que terão acesso aos livros, mas também o pai, a mãe, os avós e, por isso, acredito que o projeto vai fortalecer o vínculo familiar e a comunidade junto com a escola. Além disso, a leitura e a escrita ajudam nossas crianças a reconhecer e valorizar os saberes, a cultura, a identidade e o território aos quais pertencem. É uma nova era.”
Experiência poderá inspirar projetos em outros municípios
A terceira etapa do projeto prevê a documentação de todo o processo realizado em Benevides. Serão registrados os métodos de formação, a organização dos espaços e as formas de participação dos moradores. A expectativa dos parceiros é que a experiência sirva de referência para iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras e contribua para discussões internacionais sobre políticas voltadas à primeira infância.
Benevides já integra a Urban95, rede internacional mantida no Brasil pela Fundação Van Leer que apoia cidades na criação de políticas e ações voltadas às necessidades de bebês, crianças pequenas e seus cuidadores. Com as novas bibliotecas, o município amplia as iniciativas destinadas à primeira infância ao incorporar a leitura, a literatura e a convivência comunitária a esse trabalho.
“Esse projeto é motivo de um orgulho enorme para a nossa cidade e vem consolidar ainda mais Benevides como a Cidade da Primeira Infância. O grande valor desse trabalho é que ele mostra como a leitura vai muito além dos muros da escola. O livro, aqui, é uma ferramenta de afeto e de convivência familiar e quando as pessoas cuidadoras leem com seus bebês, criamos memórias afetivas e seguras para a vida toda. Além disso, ao envolver a própria comunidade na gestão desses espaços, geramos um sentimento profundo de pertencimento, autonomia e valorização da nossa cultura”, afirma Luziane Solon, prefeita de Benevides.
